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Laranja Mecânica

Clássico eterno da ficção científica, Laranja Mecânica é um verdadeiro marco na história da cultura pop e da literatura distópica. Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma resposta igualmente agressiva de um governo totalitário.
A estranha linguagem utilizada por Alex, conhecida como Nadsat, merece destaque na obra, criada pelo próprio Burgess, fornece ao romance uma dimensão quase lírica.
A trama, que conta a história da violenta gangue de adolescentes que sai às ruas buscando divertimento de uma maneira um tanto controversa, incita profundas reflexões sobre temas atemporais, como o conceito de liberdade, a violência – seja ela social física ou psicológica – e os limites da relação entre o Estado e o Indivíduo.
Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século 20. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.
Título: Laranja Mecânica
Título Original: A Clockwork Orange
Autor: Anthony Burgess
Tradução: Fábio Fernandes
Editora: Aleph
Ano: 2012 / Páginas: 352


Laranja Mecânica é um livro bastante influente e conhecido e costuma dispensar apresentações pela ampla influência que exerce na cultura pop como um todo. Escrito por Anthony Burgess em 1962 o livro é uma distopia e é aclamado por sua crítica social refinada e também pela atemporalidade dos temas que aborda sobretudo a violência urbana, os limites entre indivíduo e Estado, a liberdade e a juventude.
O livro conta a história de Alex, um jovem adolescente amante de música clássica e líder de uma gangue de delinquentes juntamente com quem promove atos violentos e criminosos, principalmente roubo, agressão física e estupro, tendo como único fim a diversão em madrugadas regadas a leite misturado com drogas sintéticas.
Suas vida sofre uma guinada quando numa dessas noites de violência ele é capturado pela polícia e preso por assassinato. Lá, em troca de uma redução da sua pena, ele se candidata como cobaia de uma nova técnica para a contenção da violência que está sendo desenvolvida pelo Estado, a Técnica Ludovido. O objetivo dela é sensibilizar o paciente pela violência condicionando seus instintos para que eles reajam com um extremo mal estar diante dela. O indivíduo ao fim do tratamento se tornaria totalmente dócil e incapaz de cometer qualquer ato violento, ainda que queira, se tornando assim um modelo de cidadão ideal.
O livro é dividido em três partes e possui ao todo 21 capítulos, sendo narrado na primeira pessoa pelo próprio Alex, é como ouvir um relato das memórias do personagem saindo de sua própria boca e portanto nem tudo que é dito pode ser considerado confiável.
Alex é vil e mau e se orgulha disso e desde o início da sua narrativa somos impelidos a pensar que ele merece pagar por todos os seus atos violentos e crimes, mas quando a medida punitiva adotada ultrapassa todos os limites da liberdade individual em nome de um suposto bem maior para todos percebemos que o Estado foi tão violento quanto o jovem em sua tentativa de conter a criminalidade e passamos a rever essa nossa sede de justiça. É perturbador nos darmos conta de que quando deixamos ou apoiamos que o Estado prive um único indivíduo de um dos seus direitos mais básicos, ainda que pelo bem de todos, todos nós saímos perdendo enquanto sociedade e não há uma garantia sequer de que os próximos a sofrer as consequências disto sejamos nós mesmos. É melhor ter a possibilidade de escolher entre o bem e o mal correndo o risco de optar pelo mal como Alex, do que sequer ter outra opção que não seja o bem e um bem que praticamente nos inviabiliza de sermos nós mesmos dado os efeitos colaterais da técnica empregada. É curioso notar que a única voz dissonante quanto a isto no romance seja a do religioso, o cardeal da prisão é o único a contestar pública e veementemente o uso da Técnica Ludovico e as suas implicações morais e éticas e tendo a concordar com a sua visão sobre o assunto. Os movimentos políticos de oposição ao governo totalitário no livro estavam mais preocupados em se aproveitar do caso de Alex para se autopromover e não tanto com a ética da questão e a preservação do pensamento livre e tampouco com o bem estar social e do indivíduo.
Além da violência exacerbada e do conflito entre indivíduo e estado, outra discussão que se sobressai é a do próprio crescimento e do conflito de gerações, sobretudo quando lemos o capítulo extra excluído da primeira edição norte-americana, mas presente na íntegra aqui. A juventude, em qualquer época que seja, sempre despertou uma certa incompreensão e incômodo por parte das gerações mais velhas. É característica do jovem, seja pelos hormônios em explosão ou pela inexperiência com o horizonte adulto que se desenha a frente, o confrontamento, a rebeldia e o inconformismo. Alex é em essência um retrato dessa fase da vida, é alguém testando os próprios limites, gozando ao máximo da liberdade e da própria inconsequência. Ao final, sem que ninguém o diga ou o force, ele percebe que simplesmente cresceu e que o que fazia já não lhe cabe mais, que já não faz mais sentido se comportar daquela forma, ele está velho. Em seu âmago a maturidade despertou e sepultou aquilo que a juventude representava para ele. Não há como não sentir uma certa empatia por ele neste ponto e ao mesmo tempo recordar que até bem pouco tempo eu também era cheio de certezas, daquelas que apenas a juventude é capaz de nos fazer ter. Ler Laranja Mecânica, de certa forma, é também penetrar o drama incerto e quase cruel da adolescência e a sua transição para a vida adulta e talvez seja isso o que torne Alex um personagem adorável, ainda que detestável.
Pelas inúmeras referências na cultura pop, sobretudo na música e por saber da existência da adaptação para o cinema de Stanley Kubrick, diretor que admiro sobretudo pela adaptação de 2001: Uma Odisséia no Espaço, um outro clássico moderno, sempre nutri uma curiosidade por Laranja Mecânica. Mas esta era uma obra que me deixava sempre com o pé atrás pela presença duma característica: o nadsat, um dialeto composto de palavras inteiramente criadas ou adaptadas pelo autor para emular um conjunto de gírias usados pelos adolescentes do seu universo ficcional e inclusive por Alex enquanto narrador o que confere ao livro e ao personagem uma voz própria e bem característica. Achei que encontraria um texto truncado e hermético cuja compreensão plena fosse reservada apenas aos leitores mais dispostos a fazer pausas constantes para consultar o glossário, mas devo confessar minha surpresa pois não encontrei nada disto e me surpreendi com a cadência e fluidez do texto!
As palavras do nadsat inicialmente causam sim um estranhamento, mas é possível entender todo o contexto de boa parte delas pela narrativa de Alex de modo que consultei o glossário pouquíssimas vezes. Certamente isso também se deve ao cuidado despendido com a tradução para o português, destacado num dos textos extras no qual o tradutor Fábio Fernandes comenta justamente algumas de suas escolhas de tradução.
Vale mencionar que a edição especial comemorativa dos 50 anos da publicação original da editora Aleph vem repleta de textos, artigos e entrevistas que ressaltam a relevância e a influência deste romance ao longo deste período, além de contar com um projeto e acabamento gráficos que fazem jus ao termo “de colecionador” e trazer também ilustrações inéditas de Angeli, Dave McKean e Oscar Grillo, exclusivas da edição brasileira. Destaca-se a presença marcante da cor laranja, a única, além do preto e do branco na obra, bem como a jacket, a capa dura e as páginas do miolo em couche. Sem dúvidas a melhor e mais completa edição deste romance e um item indispensável e de muito bom gosto para a estante de qualquer fã de distopias, de ficção científica e de boas histórias.
Uma simples resenha sequer daria conta de discutir alguns dos muitos aspectos levantados durante a leitura do livro e certamente ele é ainda melhor por não oferecer uma resposta definitiva sobre todos estes temas. Sua relevância se encontra mais na discussão e nas dúvidas que nos desperta e que nos acompanharão por um longo tempo dada a sua atemporalidade do que no drama pessoal de Alex. É uma leitura incômoda e necessária, que como todas as boas distopias, testa nossos limites morais e éticos a todo instante, e da qual é impossível se sentir isento seja de ódio, culpa ou compaixão. E então, o que é que vai ser, hein? Leiam!

Mudanças na Redbox Editora


O ano começou com diversos anúncios e publicações, mas Redbox Editora sofreu com contratempos dos mais variados, ocasionando alguns atrasos e reclamações por parte do público que pedia por respostas. Mas esses tempos estão para ficar no passado, na última semana o sócio-fundador da editora, Antônio Pop, veio a público prestar esclarecimentos sobre os jogos em andamento e também sobre mudanças importantíssimas para os rumos da editora e sus publicações.
Confira abaixo o texto na integra:
Olá a todos,

Como todos devem saber, os últimos meses foram de imenso desafio para todos na Redbox. Mudanças profundas no mercado brasileiro, na economia do nosso país e dificuldades em âmbito pessoal afetaram como nunca a Redbox, e de uma forma mais intensa do que pensamos.
Estas dificuldades enfrentadas fizeram com que tivéssemos de dedicar boa parte de nosso tempo a solucionar todo o tipo de problemas, saltando de urgência ante urgência, limando de todos nós o que mais gostamos de fazer: criar jogos.
Entretanto, como o dito popular “o que não mata te faz mais forte” bem precogniza, aproveitamos este tempo para pensar. Pensar não só em como resolver nossos problemas, mas também como usar esta oportunidade para crescer e se fazer mais forte.
Nos alegra muito poder contar que hoje, a Redbox Editora, está se fundindo com a Bureau de Juegos, criando uma nova empresa. Uma empresa que mantenha o espírito das duas empresas originais, mas com os olhos voltados também para o mundo.
A partir de hoje, a Redbox passa também a responder como Bureau de Jogos Brasil, parte do grupo Bureau de Juegos em todo o mundo.
Para os que não a conhecem, trago algumas informações da empresa:
- Bureau de Juegos é uma empresa argentina especializada em RPG e Boardgames.
- Trabalham em conjunto com grandes empresas como Iello, Matagot, Amigo, Steve Jackson dentre outras.
- Publicaram (ou estão a caminho de publicar) jogos como King of Tokio, Munchkin, Bunny Kingdom, Takenoko, Captain SONAR dentre tantos outros Board Games Clássicos.
- No que se refere ao RPG, são os representantes na Argentina da NoSoloRol, a editora número 1 de RPG em espanhol em todo o mundo, além de serem distribuidores e oficiais da Chessex e Q-workshop.
Como se estas credenciais já não fossem suficientes, temos uma relação de amizade já de alguns anos. A Bureau dos Juegos foi a primeira empresa a licenciar o Tsukiji para lançamento fora do Brasil, antes mesmo do resto do mundo, e atuamos em constante sinergia buscando licenças de forma conjunta, viajando juntos para eventos e feiras de negócios, e nos ajudando sempre que um ou outro precise de ajuda.
Com isso chegamos ao mais importante: e agora?
Nossa primeira ação, que já se encontra em andamento, é solucionar e entrega de absolutamente TODAS as pendências que temos: Ancient Terrible Things, Space Dragon, Shotgun Diaries, Legião e Senhores da Guerra Vikings.
Nos alegra dizer que, neste contexto, nas últimas semanas já conseguimos avançar com todas as pendências. Assim, afirmamos que todos os Financiamentos Coletivos e Pré-vendas serão resolvidos nos próximos 30 a 60 dias.
Na próxima semana, com todos os cronogramas finais de produção/importação em mãos, comunicaremos as datas estimadas de todos os produtos pendentes, explicando caso a caso cada um dos prazos, situações e posições, inaugurando uma nova forma de comunicar as nossas pendências.
Assim que todos os projetos pendentes estejam devidamente concluídos (visto que nosso foco TOTAL nesse momento é resolver estes projetos atrasados), anunciaremos nossos planos para o restante de 2019, incluindo os novos lançamentos.
Para encerrar, gostaria de agradecer pessoalmente a todos pela paciência e pela compreensão. Para nós, foi sempre muito difícil guardar todas estas notícias nos últimos meses, mas foi de extrema importância para que isso se convertesse em realidade.
Nosso objetivo principal é poder voltar a dedicar nossos esforços totais na criação de jogos e RPGS, e isso não seria o mesmo sem poder compartilhar com a nossa comunidade.
Deixo um abraço grande e deixo todos os canais abertos para responder a qualquer comentário.

Abraços a todos,
Antonio Pop.

São notícias muito positivas para o consumidor e para aqueles que acompanham de perto o trabalho da Redbox. Esperamos que as coisas se acertem para os nossos queridos parceiros, que todos os problemas sejam logo sanados de maneira satisfatória, e que a Bureau de Jogos Brasil seja apenas o primeiro passo dessa nova jornada de crescimento. 

Viagem ao Redor da Garrafa

Jornalista britânica com passagens pelos mais importantes veículos do país, Olivia Lang escreve sobre o fluido vínculo existente entre escritores e bebidas, a partir da vida e obra de seis homens extraordinários: F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Tenessee Williams, John Berryman, John Cheever e Raymond Carver. O ensaio, que chega às prateleiras pelo Anfiteatro, selo de ideias e debates da Rocco, figurou nas listas dos livros mais importantes de 2014 dos veículos The New York Times, The Times, Observer, revistas Time e The Economist, entre outros, e foi finalista de dois importantes prêmios do segmento de não ficção, o Costa Biography Prize e o Gordon Burn Prize. No livro, Laing investiga, com pesquisa aprofundada e texto envolvente, por que alguns dos maiores trabalhos literários de todos os tempos foram produzidos por escritores no limiar do alcoolismo, hábito que os fez conquistar, simultaneamente, prestígio profissional e ruína pessoal.
Título: Viagem ao Redor da Garrafa
Título Original: The Trip to Echo Spring
Autora: Olivia Laing
Tradução: Hugo Langone
Editora: Anfiteatro / Rocco
Ano: 2016 / Páginas: 320


““Beba-me”, o champanhe parecia dizer”. É acerca desta fascinante atração exercida pelo álcool que Olivia Laing discorre em Viagem ao Redor da Garrafa, seu primeiro livro publicado no Brasil. Mais precisamente ela aborda a relação quase promíscua entre a bebida e a literatura usando como exemplos as biografias de seis notórios escritores norte-americanos enquanto narra a viagem que empreendeu de New York à Seattle percorrendo quase que a totalidade da extensão leste-oeste dos EUA, passando por diversas localidades nas quais estes escritores beberam, escreveram e viveram.
Olivia é crítica de arte e literatura e colunista de diversos jornais onde escreve, em essência, sobre cultura, arte, literatura e comportamento. Seus livros alcançaram grande sucesso de público e crítica lá fora não apenas pela pertinência e apelo dos seus temas, mas também pela clareza e requinte de sua narrativa que combina autoficção mesclada à biografia de personagens reais. Viagem ao Redor da Garrafa mesmo é um dos que figurou nas listas de mais vendidos de não ficção no ano de seu lançamento, além de ter acumulado diversas indicações para prêmios literários e jornalísticos. E não sem razão.
Publicado no Brasil em 2016 com tradução de Hugo Langone pela Anfiteatro, selo de não ficção com enfoque em ideias e debates da editora Rocco, Viagem ao Redor da Garrafa possui acabamento simples em brochura e traz uma linguagem acessível, que se aproxima mais do ensaio. O livro é composto de oito capítulos, abordando quase um autor em cada, e às vezes até mais, e traz referências e notas ao final, incluindo uma vasta bibliografia e os doze passos adotados pelos Alcoólicos Anônimos. Curiosamente, a autora é também personagem, evitando a distante onisciência de um narrador em terceira pessoa e optando pela proximidade franca da primeira, dialogando diretamente com o leitor, tal como numa conversa descontraída e sem filtros, mas repleta de bom conteúdo.
Viagem o Redor da Garrafa é um livro delicioso e estonteante, é daqueles que não se sai ileso da leitura, mas que traz consigo uma justa promessa de ressaca e dor de cabeça dado o impacto que nos causa na análise profunda sobre o alcoolismo como principal vetor da produção literária, e também da ruína de grandes e renomados escritores. Mesclando dados biográficos, bibliográficos e de sua própria vivência, Olivia vai fundo no tema e não deixa de fora absolutamente nada. De casamentos arruinados, a tentativas de suicídio, passando por festas elegantes que acabam em porres homéricos, por amizades ruindo, pela mais amarga miséria, pelo sofrimento asséptico das casas de internação, as inúmeras recaídas, os hospitais… a espiral parece não ter fim e rodopiamos com a autora ao longo desta viagem, entorpecente e sem firulas desde o “É o seguinte.” do primeiro parágrafo.
Ao contrário do que talvez possa parecer num primeiro momento, este não é um livro irresponsável, do tipo que glamoriza o ato de beber. Olivia é bem consciente da problemática do álcool em nossa sociedade expondo as consequências do abuso e do vício em seu texto de forma contundente. Porémo, ela o faz com sensibilidade, sem julgamentos e condenações desmedidas, tratando a questão como um problema social e de saúde cujas raízes são muito mais profundas e complexas do que pode supor o senso comum.
Bebe-se pelos mais diversos motivos e segundo ela, ainda mais importante do que entender as causas é possibilitar que os dependentes encontrem um meio de permanecer sóbrios, seja através de grupos de apoio como nos Alcoólicos Anônimos, várias vezes citados ao longo do texto, ou até mesmo da arte, principalmente a literatura ou até duma força de vontade extraordinária, do eu, de alguma crença ou grupo, não importa. Quase nunca é fácil, nem sempre é possível, mas fica claro aqui que caminhos existem.
Todos conhecemos alguém que vivencia o problema com o álcool e um livro como este possibilita que olhemos de forma mais atenta e aprofundada para o vício e compreendamos tanto a dificuldade de se livrar dele quanto o quão profundas podem ser as implicações do uso continuado e imoderado. Também nos ajuda a perceber o quão difícil é para o alcoólatra perceber o próprio vício, o quanto ele se apega aos mais diversos e criativos argumentos para negar que tenha um problema. Os autores citados por Olivia eram absurdamente criativos neste quesito. Mas mais do que tudo isso, o livro de Olivia nos desperta empatia por essas pessoas. Compreendendo as suas vidas quebradas, pautadas ora por grandes tragédias, ora pela carência afetiva, pela inadequação social ou tantos outros motivos, é fácil entender porque eles encontraram no álcool uma válvula de escape, e às vezes e ironicamente, até mesmo a boia de salvação em meio ao mar em que se afogavam com suas vidas.
Para além disso, o olhar especializado de Olivia sobre arte e literatura nos instiga a conhecer as obras dos seus personagens reais ao passo que nos entrega uma vasta e rica crítica das mesmas. Dos seis principais autores, conhecia apenas dois (F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway, que por sinal eram também fervorosos colegas de copo) e saí da leitura profundamente tocado com o que ela nota no subtexto de autores que até então eu desconhecia completamente. As peças de Tennessee Williams, sobretudo Um Bonde Chamado Desejo e Gata em Teto de Zinco Quente cujas célebres adaptações para o cinema são excelentes, a poesia confessional de John Berryman em The Dream Songs ainda sem tradução para o português, os contos de Raymond Carver cuja tesoura de seu editor à época fez despedaçar a alma deste escritor ao ver como sua obra prima fora tratada como descartável... enfim, é impossível não querer conhecer o que estas pessoas que tiveram vivências tão quebradas, tão problemáticas e tão ricamente humanas colocaram no papel.
Ainda que tenha sido uma leitura difícil e bem menos fluida do que o excelente A Cidade Solitária, talvez até pela autora ainda estar buscando a sua própria voz narrativa num livro mais longo, não poderia deixar de recomendar a todos a leitura do mesmo, seja você um entusiasta da literatura ou um curioso sobre o tema. Encerro com uma citação de um dos poemas de Berryman, quando o eu lírico, indagado sobre o motivo de beber tanto e por tantos anos responde com a maior das fraquezas a seu interlocutor: "Cara, andei com sede." Viagem ao Redor da Garrafa é exatamente sobre esta sede, insaciável, destruidora...

Multiverso X.:44 - Contos & Ficções Curtas



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O universo da ficção curta e dos contos se fazem cada dia mais presente no caminho dos exploradores amantes da literatura, mas será que entendemos bem o que são essas coisas? A tripulação da Interlúdio - Ace, Airechu, Camila Loricchio, Hall-e e Sih - recebem o Sr. Basso do Covil de Livros e a autora, editora, tradutora e co-hostess do podcast Curta Ficção, Jana Bianchi, para falar sobre este tema.
Ouça e saiba mais sobre o que é um conto; descubra se tamanho é documento; entenda o que diferencia um micro conto, uma ficção relâmpago, um conto, uma noveleta, uma novela e um romance; acompanhe uma discussão sobre o consumo e a produção de contos e ficções curtas; e desfrute de boas indicações de leitura e caminhos para se publicar um conto.
Acompanhe-nos, estimado explorador de universos!

DURAÇÃO: 1 hora 29 Minutos 47 Segundos

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Crônicas da Tormenta - Volume 2

Prepare-se para uma jornada a Arton, o mundo de Tormenta, o maior universo de fantasia brasileiro.
Nascido nas páginas da revista Dragão Brasil, Tormenta é hoje lar de séries em quadrinhos, livros de RPG, romances e games. Neste volume, dezesseis autores, incluindo quatro dos criadores do cenário, irão conduzi-lo por histórias de vingança e aprendizado, ódio e amor, deuses e vilões, heróis e monstros. Acompanhe-os e descubra que, em Arton, nem mesmo a imaginação é o limite.
Título: Crônicas da Tormenta - Volume 2
Autores: Ana Cristina Rodrigues, Bruno Schlatter, Davide Di Benedetto, Douglas “Mago D’Zilla” Reis, Guilherme Dei Svaldi, Igor André Pereira dos Santos, José Roberto Vieira, Karen Soarele, Leonel Caldela, Leonel Domingos, Lucas Silva Borne, Marcelo Cassaro, Marlon Teske, Remo di Sconzi, Rogerio Saladino, Vagner Abreu
Editora: Jâmbo
Páginas:  336



Tormenta é  muito mais que um cenário de RPG. Para ser bem sincero: Tormenta é o cenário de fantasia mais amado do Brasil. São mais de 15 anos de história entre quadrinhos, jogos e literatura em um universo muito além do RPG. Se você nunca ouviu sobre nada disso basta ir até a tag Tormenta, onde estamos chegamos a dedicar um mês inteiro para falar sobre a história do cenário e resenhar alguns produtos. Agora se você quer conhecer esse universo mais a fundo, mas não se sente a vontade para encarar uma série de postagens, diferentes séries em quadrinhos ou mesmo uma trilogia de livros, talvez eu tenha o livro ideal para você entrar no clima que permeia o mundo de Arton.
O livro apresenta as várias faces do mundo Arton com contos que tratam de aventura, guerra, tragédia, magia, amor e traição. Somos agraciados com a chance de conhecer diversos tons de um mundo ao lado de paladinos, noviças, guerreiros, ladrões e até mesmo uma pedra. O que foi dito no volume anterior dessa antologia cabe perfeitamente para essa sequência: Nestas páginas há pequenas tragédias e vitórias, ao lado de grandes caçadas a monstros e guerras que mudam o destino do mundo. Seus protagonistas são crianças e deuses, guerreiros e artistas. Seus cenários são os salões da nobreza, as tavernas imundas, os campos de batalha sanguinolentos, as estradas empoeiradas, os mares bravios.
Por se tratar de um livro de contos contos e não um romance, Crônicas da Tormenta tem a vantagem de se poder ler os capítulos sem se preocupar com a continuidade ou mesmo lê-los em ordem, não há uma seqüência de eventos que te obrigue a ler os arquivos anteriores. Em contraponto a maior desvantagem - se é que podemos chamar dessa forma - seja despertar nos leitores aquela vontade de saber mais sobre aquelas histórias e personagens, ansiar por uma continuação ou mesmo um desenvolvimento posterior no espaço de um romance completo.
Pelo mesmíssimo motivo fica difícil comentar conto a conto sem tornar a postagem longa, mas não deixarei de falar sobre aqueles que me chamaram a atenção. A média dos contos se mantem em um bom nível de qualidade. Não tem nenhum deles que eu possa apontar como fraco, apenas uns me permitiram uma imersão maior e me conquistaram mais do que outros.
- O conto que mais me divertiu e me deixou alegre: A nova armadura de Katabrok, de Rogerio Saladino. Um conto com muito humor e aventura, bem inscrito, com personagens e tiradas engraçadas.
- O conto que mais gostei, e que me fez pensar: como um conto sobre uma pedra pode ser tão bacana? - O coração de Arton, de Lucas Silva Borne. Além de muito bem escrito e intrigante, a construção entorno do protagonista é muito bem feita. Quero mais textos do Borne!
- Os contos em que me senti mais imerso e curioso, que me ganharam por detalhes e pequenas facetas do mundo de Arton: Encontros & desencontros, de Leonel Domingos da Costa, Anábase, de Davide Di Benedetto, e Jogo de damas, de Remo Di Sconzi. Cada um deles mostrou como a fantasia pode ser trabalhada com outros elementos que não somente os básicos e clichês.
- Não posso deixar de destacar também as republicações dos contos Martelo pendente e A maior ambição, de Marcelo Cassaro, e A Companhia Rubra, de Leonel Caldela. Além de se tornarem mais acessíveis aos que não acompanham as publicações de RPG, ficaram mais fáceis de ler que em sua publicações anteriores - divididos em partes nas aberturas de capítulos - nessa reedição.
Os que já conhecem o cenário encontrarão locais e personagens que já conhecem - seja através dos contos reeditados e republicados na antologia ou por meio dos contos inéditos - e terão a chance de descobrir outras facetas deste mundo fascinante. Os recém-chegados irão se deparar com uma terra repleta de magia e maravilhas, mas que também apresenta diversas questões que precisam de solução e irão entender o que torna Arton tão interessante.
Crônicas de Tormenta garante boas horas de uma leitura de alto nível, com histórias para diferentes gostos e diferentes níveis, e em cada uma diferentes estilos de escrita; certamente um deles irá te agradarA cada conto fica visível não apenas a amplitude do cenário, mas também que Tormenta tem muito o que contar; seja isso feito através de romances, quadrinhos ou contos. Fica aqui até o meu desejo por mais antologias com narrativas ambientadas em Arton, ou quem sabe novos romances. 

Crônicas da Tormenta

As fronteiras da fantasia medieval são exploradas em quatorze contos, quatorze visões do mesmo mundo, quatorze histórias de aventura, guerra, tragédia, magia, amor e traição. Ao lado de cavaleiros e ladrões, soldados e menestréis, vigaristas e bárbaros, somos levados em uma jornada por Arton, um dos mais populares universos fantásticos do Brasil.
Crônicas da Tormenta apresenta Arton em todo o seu esplendor e horror, por alguns dos maiores nomes da literatura fantástica nacional. Nestas páginas há pequenas tragédias e vitórias, ao lado de grandes caçadas a monstros e guerras que mudam o destino do mundo. Seus protagonistas são crianças e deuses, guerreiros e artistas. Seus cenários são os salões da nobreza, as tavernas imundas, os campos de batalha sanguinolentos, as estradas empoeiradas, os mares bravios.
Os veteranos encontrarão os locais e personagens que já conhecem, além de descobrir outras facetas deste mundo. Os recém-chegados encontrarão uma terra repleta de magia e maravilhas, num volume que é a introdução perfeita ao cenário — e descobrirão por que não há lugar como Arton.
Título: Crônicas da Tormenta
Autores: Leonel Caldela, Remo Disconzi, Claudio Villa, Marlon Teske, Ana Cristina Rodrigues, Douglas MCT, Rogério Saladino, Leandro Radrak, Raphael Draccon, Antonio Augusto Shaftiel, Marcelo Cassaro e J.M. Trevisan
Editora: Jâmbo
Páginas:  288



Você já pôde conhecer um pouco de Tormenta quando contamos um pouco da história do cenário de fantasia mais amado do Brasil e teve uma prova que há um universo muito além do RPG com a nossa postagem e também com a resenha do quadrinho Holy Avenger. Agora quer conhecer esse universo mais a fundo, mas ainda não se sente a vontade para encarar um RPG, uma série em quadrinhos ou mesmo uma trilogia de livros (ou talvez até queira, mas uma coisa de cada vez, por favor). Talvez eu tenha o livro ideal para você entrar no clima que permeia o mundo de Arton!
Organizado por J.M. Trevisan, Crônicas da Tormenta traz contos de Leonel Caldela, Remo Disconzi, Claudio Villa, Marlon Teske, Ana Cristina Rodrigues, Douglas MCT, Rogerio Saladino, Leandro Radrak, Raphael Draccon, Antonio Augusto Shaftiel, Marcelo Cassaro e do próprio Trevisan, com apresentação de Gustavo Brauner e prefácio de Eduardo Spohr.  
O livro apresenta as várias faces do mundo Arton com contos que tratam de aventura, guerra, tragédia, magia, amor e traição. Somos agraciados com a chance de conhecer diversos tons de um mundo ao lado de paladinos, trapaceiros, bardos, ladrões e monstros. Como é bem dito em sua sinopse: Nestas páginas há pequenas tragédias e vitórias, ao lado de grandes caçadas a monstros e guerras que mudam o destino do mundo. Seus protagonistas são crianças e deuses, guerreiros e artistas. Seus cenários são os salões da nobreza, as tavernas imundas, os campos de batalha sanguinolentos, as estradas empoeiradas, os mares bravios.
Por se tratar de um livro de contos contos e não um romance, Crônicas da Tormenta tem a vantagem de se poder ler os capítulos sem se preocupar com a continuidade ou mesmo lê-los em ordem, não há uma seqüência de eventos que te obrigue a ler os arquivos anteriores. Em contraponto a maior desvantagem - se é que podemos chamar dessa forma - seja despertar nos leitores aquela vontade de saber mais sobre aquelas histórias e personagens, ansiar por uma continuação ou mesmo um desenvolvimento posterior no espaço de um romance completo.
Pelo mesmíssimo motivo fica difícil comentar conto a conto sem tornar a postagem longa (recomendo que quem quiser algo assim confira a postagem do site rpgista), mas não deixarei de falar sobre aqueles que me chamaram a atenção. O conto Ária Noturnade Marlon Teske, foi um desses. Logo de incio me ganhou com a qualidade da escrita e personagens, deixando uma vontade de ler mais. Assim foi também com o misterioso e instigante Lua de Trevas de Leandro Radrak,  com o confuso e sombrio Revés de Douglas MCT, e com o empolgante Hedryl de Raphael Draccon.
Porém a minha admiração maior incide sobre quatro contos especiais. Reedições de contos clássicos do cenário anteriormente publicados nas finadas revistas Dragão Brasil e Tormenta. Arautos da Guerra de Antônio Augusto Shaftiel com seus clérigos de Keen tão notórios e únicos; O Cerco de J.M. Trevisan com a representação icônica da Aliança Negra e os mito que a envolve; A caçada clássica do paladino Taskan Skylander e seu irmão grifo ao Dragão-de-Aço em Vingador de Aço de Marcelo Cassaro. E por fim o meu favorito: Ressureição, de Leonel "Dorkboy" Caldela, com a história do famigerado Grupo do Mal. 
Os que já conhecem o cenário encontrarão locais e personagens que já conhecem - seja através dos quatro contos reeditados e republicados na antologia ou por meio dos contos inéditos - e terão a chance de descobrir outras facetas deste mundo fascinante. Os recém-chegados irão se deparar com uma terra repleta de magia e maravilhas, mas que também apresenta diversas questões que precisam de solução e irão entender o que torna Arton tão interessante.
Crônicas de Tormenta garante boas horas de uma leitura de alto nível, com histórias para diferentes gostos e diferentes níveis, e em cada uma diferentes estilos de escrita; certamente um deles irá te agradarA cada conto fica visível não apenas a amplitude do cenário, mas também que Tormenta tem muito o que contar; seja isso feito através de romances, quadrinhos ou contos. Fica aqui até o meu desejo por mais antologias com narrativas ambientadas em Arton, ou quem sabe novos romances. 

Ataque a Khalifor

Enfrente a Aliança Negra no primeiro livro-jogo de Tormenta!
“Antes de morrer, o espião relatou o que viu. Mais estandartes nas muralhas da cidade-fortaleza, indicando a chegada de novos bandos de guerra. Chefes gritando ordens, indicando que esses bandos iriam partir em um ataque. E escravos carregando carroças com suprimentos, indicando que esse ataque seria em breve.”
“Não há mais como negar. A Aliança Negra está se movendo. O Reinado será atacado.”
“Você é nossa única esperança.”
— Barão Rulyn, para você
Título:  Ataque a Khalifor
Autor (a): Guilherme Dei Svaldi
Editora: Jambô
Número de páginas: 160

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Tormenta é maior cenário de RPG do país, e também serve de ambientação para as séries em quadrinhos Holy Avenger, Ledd, DBride e 20Deuses, além de romances e contos. Apesar de escrever em sua trama uma novo capítulo na história do cenário, Ataque a Khalifor não é exatamente um novo romance. Nem uma típica aventura de RPG. Em vez disso, é uma mistura das duas coisas.
Sim, exatamente aquele tipo de livro que falei na postagem Livros-Jogos - Para Conhecer Vá Para Pág. 42. Fique tranquilo! Não irei forçá-lo a ir lá e ler tudo para entender essa postagem; vou usar a explicação resumida produzida pelo pessoal da Jambô: Um livro-jogo é exatamente o que o nome sugere: uma mistura de romance com aventura, na qual você lê uma história, mas, em vez de apenas acompanhar o protagonista, toma as decisões por ele.  E em Ataque a Khalifor, uma vez que você pegue o livro, estas decisões decidirão o futuro de Arton! 
Na trama, um espião moribundo alerta que a Aliança Negra — um poderoso exército de criaturas malignas — está prestes a atacar o Reinado, o Barão Rulyn envia um herói aventureiro, em um plano ousado. Invadir a cidade-fortaleza de Khalifor, o coração da horda, e descobrir o plano de ataque dela. Apenas com essa informação o Exército do Reinado terá uma chance na batalha que está por vir. O destino de todos está nas mãos e um único herói.
E esse herói… é você!

Ataque a Khalifor tem texto de Guilherme Dei Svaldi, ilustrações de Estevan Silveira, projeto gráfico e diagramação de Daielyn Cris, capa de Caio Monteiro e edição de Leonel Caldela. E se você estiver preocupado com o fato de não conhecer o mundo de Arton e/ou nada sobre RPG, abandone essa problema e foque em salvar o mundo. Além disso ele possui um sistema simplificado de regras para ajudar a manter a ordem e manter as coisas mais interessantes, afinal qual seria a graça da aventura sem desafios e um pouco de sorte. Você pode ser um personagem pré-montado ou criar o seu próprio, escolhendo entre sete raças (humano, anão, elfo, goblin, halfling, minotauro ou qareen), quatro classes (guerreiro, ladino, mago ou clérigo) e um grupo de habilidades. Tudo que você precisa conhecer para aproveitar a aventura está no próprio livro, fora isso basta ter uma folha de papel em branco e um par de dados.
Esse poderia ser apenas mais um livro interativo ou outro bom livro-jogo, como os da série Fighting Fantasy, mas Dei Svaldi entregou para nós uma aventura digna da grandeza de Tormenta. Para vocês terem uma ideia de tal dimensão digo que com todo conteúdo apresentado no que diz respeito à trama Ataque a Khalifor poderia ser um romance emocionante, daqueles extasiantes! Agora imagine toda essa possibilidade de emoção sendo você o protagonista? Aqui você não será um herói qualquer, mas um personagem personalizado que a cada passo mudará os rumos da trama. Não estou sendo exagerado, é literalmente "a cada escolha uma renúncia". A escolha da raça e classe, a seleção de poderes, comprar ou não um item, avançar pelo caminho mais longo ou pelo atalho, ser altruísta ou egoísta, ser sociável ou não, um sucesso ou falha em um teste de Força ou Habilidade, tudo é importante para deixar você mais perto de salvar a civilização ou de uma morte horrenda.
Não ache que é fácil chegar ao final derradeiro! Ah, mas não é mesmo! Tentar decorar as melhores escolhas para seguir com um novo personagem não irá facilitar as coisas, digo por experiência própria. A cada tentativa o livro te oferece uma nova possibilidade, seja pela chance de novas escolhas ou pela sorte nos dados. Fui guerreiro anão combativo, malandro sorrateiro especialista em crime, Qareen - um meio-gênio - clérigo e especialista em magias arcanas e divinas, e cada uma dessas coisas me levou a detalhes completamente diferentes da história e foi muito bom ver como os pequenos detalhes colhidos no caminho preenchiam as lacunas da trama. São várias as surpresas escondidas!
Como toda em boa história coadjuvantes e antagonistas também aparecem e ganham destaque em Ataque a Khalifor. Seja por suas ações diretas ou por conta de sua influência vários deles vão galgando espaço em sua história e ganham importância, mas contar mais do que isso entregaria spoilers e interferiria em suas escolhas. O cenário é vivo e é possível sentir a cada mudança durante a jornada, tanto descritivamente quanto pelos eventos que a cercam. Campos abertos são nitidamente diferentes de florestas, que por sua vez são diferentes de cidades e calabouços, deixando tudo ainda mais rico.
Pelas páginas mostradas acima e capa que pode ser vista mais abaixo, nem preciso falar que a parte do livro é impecável, né? Toda a equipe envolvida merece parabéns. Tanto faz a versão que escolha possuir, física ou digital, certamente irá se impressionar com os detalhes.
Ataque a Khalifor é ao mesmo tempo uma introdução ao cenário de Tormenta, servindo de porta de entrada para os outros produtos ligados à linha (os já citados quadrinhos, romances e RPG), uma aventura solo para os fãs e um épico que irá garantir boas horas de diversão despretensiosa com uma trama agradável, personagens cativantes e uma boa dose de ação e aventura para o leitor/jogador de primeira viagem. :)
E você, o que está esperando para atender ao chamado do Barão Rulyn e salvar o Reinado?