BEM-VINDO VIAJANTE! O QUE BUSCA NO MULTIVERSO?

Crítica | Veja por Mim

Imagem do filme. Mostra a protagonista, Sophie, uma mulher de pele branca, loira, pequena, andando com um celular com a laterna ligada por um corredor mal iluminado, com portas à esquerda dela.

Uma cat sitter cega. Um aplicativo de celular chamado Veja por Mim. Uma mansão isolada. Um grupo de bandidos em busca de um cofre. Uma mistura que te deixa um pouco confuso, acompanhada de um trailer que te faz ter dúvida sobre o que filme vai te entregar (e se o fará bem).
Na trama, acompanhamos a história de Sophie (Skyler Davenport), uma esquiadora que ficou cega após um acidente e carrega alguns rancores em relação ao modo com que a tratam desde então. Ela trabalha como cat sitter, e o filme começa com sua chegada em uma mansão isolada. Seu trabalho é simples, cuidar do felino, passar o dia, e ir embora. Mas durante a noite acaba se envolvendo com um plano de um grupo de assaltantes que quer o conteúdo de um cofre na mansão. Em seu auxílio, um aplicativo chamado Veja por Mim, que conecta pessoas que tem algum tipo de deficiência visual a voluntários que ajudam a resolver alguma situação. Kelly (Jessica Parker Kennedy) é essa voluntária, uma veterana do exército que tem por hábito jogar jogos de tiro em primeira pessoa.
Eu fiquei bastante intrigada quando li a sinopse e vi o trailer. Ambos não me chamaram tanto a atenção, mas quando fui atrás de resenhas sobre o filme, resenhas bastante positivas (era um mix bem 8 ou 80, ou eram positivas ou eram terríveis, o que adicionou tempero ao quebra-cabeças que era Veja por Mim), fiquei refletindo sobre o que esse filme teria para oferecer que não me convenceu antes. Ele tem cara de filme B. Então comecei a assistir a obra com esse mistério a resolver: seria um filme B de Bom ou B de Bem mais ou menos?
Cena do filme em que vemos Kelly, uma mulher de pele de cor bege claro, cabelos lisos escuros, ela está olhando preocupada para alguma coisa fora do cenário. Está num ambiente escuro iluminado por leds e com um headset com microfone encaixado em sua cabeça.
O filme começa bem silencioso, vemos a rotina de Sophie, ela arrumando suas malas, uma competição de esqui na tv, uma relação conturbada dela com a mãe, e sua partida para o trabalho. E aí que começa um detalhe muito interessante: nossa protagonista não é exatamente legal. Nem boazinha. Somos apresentados a uma personagem que tem uma construção complexa, que tem questões a resolver consigo e com os outros. Que odeia profundamente ser encarada como incapaz. E que tem uma moral extremamente cinza. É essa personagem que terá de lidar com assaltantes bem canastrões e uma veterana do exército que, por sua vez, também tem uma moral tão cinza quanto ela.
Somos apresentados a como ela lida com suas relações sociais e seu dilema de aceitar ajuda. O modo como ela encara um antigo parceiro de esporte. E como ela lida com seu trabalho (o que é um ponto ali nessa bússola moral que desanda para o lado... complicado). O filme te lança vários pontos que serão trabalhados e te entrega uma resolução boa de vários deles. Várias arminhas de Tchekhov, todas engatilhadas, e a gente só aguarda o som dos tiros.
Algo que funciona muito bem, e que poderia dar errado, é a nossa relação com personagens que não são muito gostáveis à primeira vista. É sempre arriscado posicionar personagens com dualidades morais tão grandes, e eu particularmente gosto bastante quando isso é bem executado. Além de uma química incrível trabalhada apenas com uma cena entre Kelly, a voluntária, e Sophie. Em uma troca de diálogo, em uma única ajuda, acreditamos na relação entre as duas e numa cumplicidade superimportante para seguir acreditando na trama do filme.
Sendo um thriller de ação, esperamos sim que tenham alguns clichês, mas tudo corre de maneira que entretém, não tem nada muito inovador, mas tem um filme que te entrega o que promete, te fornece um desenvolvimento de personagem pé no chão, personagens que conseguem te conquistar (apenas um dos bandidos tem uma atuação que me deixou aflita, mas abençoadamente dura pouco), e a direção de Randall Okita que te deixa tenso, na expectativa, e satisfeito.
Nessa imagem do filme, Sophie, segura um celular num ambiente bem iluminado, cheio de janelas de vidro grandes ao fundo. Ela está sorrindo de leve enquanto segura o celular na altura do rosto, como se mostrando o cenário com a câmera para alguém.

Uma questão bem interessante de ressaltar é o fato de termos uma protagonista cega, que é retratada com camadas, rotinas, também interpretada por uma pessoa atriz cega. Skyler Davenport tem uma extensa carreira com dublagem, e entrega uma atuação impecável, que te faz acreditar nas escolhas da personagem (e evita aqueles momentos em que você grita com a tela quando alguém faz uma escolha absurda em filmes de terror ou suspense). 
Analisando depois de assistir, fica a sensação de que algumas propostas não foram bem recebidas por algumas pessoas, daí também essa mistura de resenhas positivas e negativas. Ele merece sim uma audiência maior pelo que conseguiu entregar em uma hora e meia de história.
Veja por Mim foi uma surpresa agradável! Um filme que vale assistir com a expectativa ajustada para um thriller que envolve invasão de casas, sobreviver à noite e te entrega personagens verossímeis, tensão, redondinho para o que propõe e que me entreteve do início a fim. Um filme B de Bom!

Texto escrito por Camila Loricchio
a convite do Multiverso X


Título: Veja Por Mim
Título Original: See for Me
Lançamento/Duração: 2022 - 1h33min
Gênero: Suspense/Thriller
Direção: Randall Okita
Roteiro: Adam Yorke, Tommy Gushue

IMDB - FILMOW


Crítica | Lightyear

Em Toy Story– Um Mundo de Aventuras (1995) Andy se vê encantando com um novo brinquedo que recebeu de presente. Era Buzz Lightyear, o Patrulheiro Estelar, personagem de um filme então fictício que havia encantado o garoto e se tornado seu filme favorito. Vinte e sete anos depois, chegou a vez de nós encararmos o filme por nós mesmos.
Lightyear (2022) chega aos cinemas com uma árdua tarefa agregada: expandir o universo ao redor da franquia Toy Story, fazer jus a carga que — intencionalmente ou não — carrega, e provar que funciona por si só enquanto filme. Obviamente, por todo o retrospecto, confiar no trabalho realizado pela Disney e Pixar não é assim tão difícil, mas será que Lightyear encantará o público tanto quando conquistou o garoto Andy?
Na trama, uma nave de exploração do Comando Estelar acaba presa em um planeta hostil, sem perspectiva de retorno ao espaço após um grave dano em sua principal célula de combustível para a viagem em dobra espacial. O capitão Buzz Lightyear se culpa por prender todas aquelas pessoas naquele terrível lugar cheio de insetos gigantes e cipós vorazes e está disposto a tudo para o reparar e salvar sua tripulação. 
Essa determinação leva Buzz a se tornar piloto de testes do novo combustível e em uma dessas viagens acaba avançando para um futuro onde uma estranha nave ameça a sua colônia, e apenas um grupo de desajustados pode ajudá-lo a resolver a situação para, enfim, poder voltar para casa. Mas para isso, Buzz precisa aprender a lidar e superar suas falhas, aceitar suas limitações e confiar nas pessoas, pois nem mesmo ele consegue resolver os problemas do mundo sozinho.
Lightyear entrega uma obra com boas doses de drama, reflexões e desbundes visuais, que  apesar de suavizadas questões físicas para atingir todos os públicos, a animação não fica devendo a outras grandes obras do gênero. A animação traz uma boa ficção científica, a explorando em um ritmo mais lento, embora com doses de ação, e é difícil não lembrar de Star Trek ou Interstellar em alguns momentos.
Como uma boa obra do gênero, a ficção científica, é apenas um meio para se falar sobre o ser humano e tecer críticas e questionamentos. A determinação de Buzz em reparar sua falha o torna alheio ao mundo ao seu redor a ponto de perder a oportunidade de viver e aproveitar aqueles que o cercam. O astronauta, solitário em sua culpa, confiante apenas si e até arrogante, precisa reaprender a dividir não apenas o peso da responsabilidade e as tarefas, mas também os bons momentos com os que o cercam. Zurg, o grande vilão, acrescenta em sua grande revelação doses ainda maiores para o aprendizado do herói em sua jornada.
Tão importantes quanto o protagonista nessa história são suas relações que acrescentam diversas camadas ao filme. Os coadjuvantes têm suas próprias jornadas e características que vão além da tarefa de ajudar Buzz a cumprir sua missão. Os maiores destaques ficam certamente para Alisha Hawthorne, melhor amiga e comandante de Lightyear, e sua neta, Izzy, cujas relações e papéis se tornam peça fundamental para que a trama funcione, e para o gato-robô Sox, que rouba a cena cada vez que aparece e deixa parte do público desejoso por brinquedos e spin-offs do personagem.


No Brasil, o longa também chamou atenção e dividiu opiniões por outro motivo: a escolha de Marcos Mion como star talent convidado para dublar Buzz Lightyear. A mudança de voz já era esperada, visto ser um movimento que aconteceu também na versão original em inglês no intuito de afastar o boneco Buzz do astronauta Buzz, e também trazer um novo público.
Para além de toda a questão que atinge o emocional de algumas gerações que cresceram e se identificaram com o Buzz de Guilherme Briggs, muitos questionaram o fato do trailer e materiais promocionais iniciais trazerem a voz de Duda Espinoza como intérprete do protagonista, uma correlação direta por o dublador emprestar sua voz para outros personas interpretados por Chris Evans, a voz original do Buzz neste longa. Então estaria Mion preparado para o desafio, não apenas tendo comparações com a voz americana, mas também com nomes de peso da dublagem brasileira? 
O filme traz então uma resposta positiva para a pergunta. Superando o estranhamento inicial causado nos trailers, o resultado mostra que Mion se empenhou em se encaixar às necessidades do personagem, sem vaidades, e a performance do apresentador certamente calará a boca de muitos dos críticos. 
Lightyear não tem o mesmo brilho característico de seus antecessores, mas certamente possui alma e entrega particularidades que o tornam bastante divertido e cativante, principalmente enquanto obra de entrada no mundo da ficção científica. Com boas referências e reflexões — como um bom filme da Pixar deve ter — Lightyear nos mostra a importância de aproveitar o hoje, nos desprendermos do passado, e aprender com nossos erros para, enfim, irmos ao infinito e além.

Título: Lightyear
Título Original: Lightyear
Lançamento/Duração: 2022 - 1h 40min
Gênero: Aventura/Ação/Ficção Científica/Animação
Direção: 
Angus MacLane
Roteiro: 
Angus MacLane e Jason Headley

IMDB - FILMOW


#ClubedoMultiverso.:29 | É assim que se perde a Guerra do Tempo

Imagem retangular de divulgação do episódio traz do lado esquerdo uma cena ilustrada de um pequeno astronauta flutuando na ponte de comando de uma nave espacial, onde é possível ver livros flutuando ao redor e em meio a máquinas, onde da parte superior à frente  um estranho computador anexo a uma mangueira retrátil debate com ele a leitura. Na cena é possível ver ao fundo uma ampla janela de vidro que mostra o espaço e um planeta distante, e um pequeno etê acenando entre os computadores.
Sobreposta a essa imagem, no canto superior esquerdo a logo identifica esta como uma produção do Multiverso X, enquanto um grande retângulo azulado na parte inferior indica se tratar do episódio 29 do Clube de Leitura do Multiverso sobre É assim que se perde a Guerra do Tempo, de Amal El-Mohtar e Max Gladstone.
Na parte direita da imagem, sobre uma meia circunferência branca, uma imagem da capa do livro aparece para reforçar o tema do conteúdo.

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Está no ar mais um #ClubedoMultiverso. Aqui, junto com nossos leitores e ouvintes, entregamos o resultado dos debates sobre a leitura conjunta de uma determinada obra, realizada em nossa comunidade no Discord no mês anterior. Em nossa leitura coletiva de Maio de 2022, acompanhamos a disputa entre duas agentes atrás vez do tempo e do espaço para garantir o futuro ideal de suas agências e a descoberta de um amor em meio a guerra, pois É assim que se perde a Guerra do Tempo! Nesse episódio, junto do Capitão Ace Barros, estão Airechu e Camila Loricchio.
Ouça e descubra o que achamos dessa leitura; entenda porque a ajustar a expectativa é o melhor caminho para aproveitar a leitura; acompanhe o vai e vem nas linhas do tempo e as mais criativas formas de comunicação; permita-se envolver pelos sentimentos maiores que a guerra, se apaixone, e viaje conosco.
Acompanhe-nos, estimados Exploradores de Universos!

DURAÇÃO: 54 Minutos 48 Segundos

COMENTADOS NO PODCAST:

Livro | É assim que se perde a Guerra do Tempo, de Amal El-Mohtar e Max Gladstone - Skoob - Amazon
Livro de Junho | Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, de Benjamin Alire Saenz - Skoob - Amazon
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Arte da capa | Elementos em vetor criados por @upklyak disponibilizados em freepik.com 
Identidade visual e composição | Ace Barros 
Edição e Mixagem | Ace Barros (de novo)

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Crítica | Jurassic World: Domínio

Desde o lançamento e sucesso estrondoso de Jurassic Park em 1993, Hollywood tenta replicar o encanto causado pela obra a cada nova sequência. Jurassic World: Domínio, capítulo final da trilogia iniciada por Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros, encara o desafio unindo o elenco clássico com o novo em uma corrida contra o tempo para salvar o equilíbrio do mundo.
Uma aposta na ação e na nostalgia que teria tudo para ser a tão sonhada sequência perfeita. Isso é claro, se estivéssemos falando de um roteiro mais coeso e um pouco mais inteligente.
Quatro anos após a destruição da Ilha Nublar, em Jurassic World: Reino Ameaçado, e dando sequência aos acontecimentos do longa, os dinossauros agora vivem ao lado de humanos em todo o mundo. Essa convivência nem sempre é harmoniosa, trazendo problemas graves e levantando questões sobre os limites dessa relação e como ela afetará o futuro das espécies em nosso planeta. Em especial, a humanidade.
Contudo, para além da sinopse oficial, o maior conflito de um filme sobre dinossauros não envolve diretamente os dinossauros. Uma nuvem de gafanhotos geneticamente modificados coloca em perigo a produção agrícola de todo o mundo e todos os indícios apontam para uma empresa que se apresenta para o mundo com uma fonte de soluções e dona de um local perfeito para a questão dos dinossauros. Essa questão leva Ellie Sattler (Laura Dern), Allan Grant (Sam Neill) e Ian Malcolm (Jeff Goldblum) a se unir novamente para investigar o caso. Em paralelo, Claire (Bryce Dallas Howard) e Owen (Chris Pratt) se envolvem em uma trama particular de resgate quando sua filha Maise (Isabella Sermon)e de um bebê raptor, surpreendentemente sequestrados pela mesma empresa.
Em um vai e vem de espionagem, buscas por verdade e por filhos, sequências de ação bem executadas, referências e brincadeiras, e apelo a nostalgia, o roteiro de Jurassic World: Domínio acaba por se perder ao trazer um excesso de conflitos e questões, deixando de lado muitas vezes os seus principais astros: os dinossauros. Não seria implicância ou exagero afirmar que toda a questão dos dinossauros em convívio com seres humanos tem a profundidade de um pires e é apresentada de forma secundária. Há um exotismo, uma exploração e venda ilegal, e só.

Embora dito tudo isso, ainda é possível se divertir com o filme e aproveitar os reencontros, desde que a expectativa esteja regulada. Sim, o vilão CEO de uma empresa com desejos maquiavélicos é genérico e esquecível, mas o retorno e entrosamento do elenco original com o novo compensam a questão. É genuinamente delicioso ver Dern, Neill e Goldblum juntos novamente em tela, novos personagens secundários acrescentam bastante nas partes de ação elaboradas e repletas de set pieces, e o design de novos dinossauros, principalmente os com penas, também é bacana.
Mesmo sendo superior a seus antecessores, trazendo certo frescor, e tendo pontos positivos, Jurassic World: Domínio tristemente conclui sua jornada com uma sensação último suspiro para franquia que merece um bom descanso para livrá-la de uma possível extinção por desgaste. O longa é com certeza um filme divertido que vale o show que se propõe, mas com roteiro pouco inspirado e sem alma, o que é sempre uma pena se tratando de uma franquia tão amada.

Título: Jurassic World: Domínio
Título Original: Jurassic World Dominion
Lançamento/Duração: 2022 - 2h 26min
Gênero: Aventura/Ação/Ficção Científica
Direção: 
Colin Trevorrow
Roteiro: Emily Carmichael, Colin Trevorrow, Derek Connolly

IMDB - FILMOW


Review | É assim que se perde a Guerra do Tempo




Que delícia de livro.
Minha nossa.
Eu nem sei como começar de outra forma que não assim.
“Notas, contas e máquinas novas ficam para trás. Eles levam pessoas e arte. A matemática vai queimar, as máquinas vão derreter, os arcos, se desintegrar.”

É assim que se perde a guerra do tempo, Amal El-Mohtar e Max Gladstone. Tradução de Natalia Borges Polesso.
Cara pessoa leitora, como escrever uma carta para você envolvendo uma miríade de metáforas, vivências alienígenas (no sentido de estranhas à nossa existência), e um romance completamente levado aos extremos?
Sairia este livro. E com a tradução da Natalia Borges Polesso que quase fico como Blue criticando as limitações e abstrações que escolher palavras traz.
“Eu estava leve, oca, faminta. O sol nasceu. Não houve revelação.”

É assim que se perde a guerra do tempo, Amal El-Mohtar e Max Gladstone. Tradução de Natalia Borges Polesso.
O livro acompanha Red e Blue, em capítulos revezados, com as cartas de cada uma ao final deles. São capítulos curtos de duas personagens que estão em lados opostos de uma guerra, uma guerra de princípios (Jardim e Agência tem visões de mundo que talvez sejam opostas, talvez sejam a mesma, só mudam de cor, dá pra passar uma tarde inteira refletindo sobre isso), uma guerra de objetivos (o mesmo na verdade, ambas querem controle e estabilidade, estabilidade essa que varia de acordo com o ponto de vista), através do tempo. A gente acompanha a relação das duas ao longo de anos, décadas, meses, segundos, o tempo é algo muito relativo nesse livro, e algo a ser navegado, não usado para mensurar.
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As duas tem personalidades muito bem marcadas e o modo como a relação das duas é construída, e vamos preenchendo as lacunas através das cartas e das voltas e idas, ah, é um livro gostoso de ler.
“Você me pergunta sobre fome.
Você pergunta, particularmente, sobre a minha fome.
A resposta curta: não.
A resposta longa: eu acho que não?”

É assim que se perde a guerra do tempo, Amal El-Mohtar e Max Gladstone. Tradução de Natalia Borges Polesso.
Mas não acho que seja um livro para todos os tipos de leitores. Tem uma certa poesia muito específica, uma falta de ordem, uma falta de preenchimento, que penso que possa incomodar algumas pessoas. Ele é um livro pra mim. Certamente. Me diverti e fui colhendo aos poucos as palavras, as relações, os dramas, as migalhas que foram entregues pelos autores, os pedacinhos de mundos, os filamentos de tempo, as visões de mundo, de corpos, de conceitos de sociedade, mas é isso que são no final das contas: migalhas. Eu gosto desse tipo de proposta, meio quebrada, meio diferente, meio mágica, você entrega algo de si ao ler esse tipo de livro. Mas é algo que demanda um gosto específico.
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Ele é até que curto, os capítulos são lidos muito rapidamente, são trechinhos. Mas, mesmo assim, eu parava logo depois de ler um pra poder fazer durar mais.
“E quando a Comandante me encontrou, deslizou para dentro de mim e disse: ‘há trabalho para pessoas como você’, me perguntei se todos os agentes eram como eu. Não eram – descobri isso mais tarde. Mas somos todos desviantes de maneiras distintas.”

É assim que se perde a guerra do tempo, Amal El-Mohtar e Max Gladstone. Tradução de Natalia Borges Polesso.
É assim que se perde a guerra do tempo e se ganha tanta coisa.


Resenha escrita por Camila Loricchio. Siga no twitter: @camiaetria

Para quem estiver lendo esta postagem entre os dias 23 e 29 de Maio de 2022, fica aqui um convite especial: se você já fez essa leitura e gostaria de debater com outras pessoas e trocar ideias, no 29 de Maio às 20h acontece a nossa última reunião do #ClubedoMultiverso. Basta apenas estrar em nosso canal do Discord e interagir!
Título: É assim que se perde a guerra do tempo | Editora: Editora Suma
Autora: Amal El-Mohtar e Max Gladstone | Tradução: Natalia Borges Polesso
Ano: 2019 | Gênero: Romance, Ficção Científica, LGBTQ+

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#ClubedoMultiverso.:28 | Persuasão

Imagem retangular de divulgação do episódio traz do lado esquerdo uma cena ilustrada de um pequeno astronauta flutuando na ponte de comando de uma nave espacial, onde é possível ver livros flutuando ao redor e em meio a máquinas, onde da parte superior à frente  um estranho computador anexo a uma mangueira retrátil debate com ele a leitura. Na cena é possível ver ao fundo uma ampla janela de vidro que mostra o espaço e um planeta distante, e um pequeno etê acenando entre os computadores.
Sobreposta a essa imagem, no canto superior esquerdo a logo identifica esta como uma produção do Multiverso X, enquanto um grande retângulo azulado na parte inferior indica se tratar do episódio 28 do Clube de Leitura do Multiverso sobre Persuasão, de Jane Austen.
Na parte direita da imagem, sobre uma meia circunferência branca, uma imagem da capa do livro aparece para reforçar o tema do conteúdo.

Reproduzir Em Uma Nova Aba - Faça o Download - Arquivo Zip
 
Está no ar mais um #ClubedoMultiverso. Aqui, junto com nossos leitores e ouvintes, entregamos o resultado dos debates sobre a leitura conjunta de uma determinada obra, realizada em nossa comunidade no Discord no mês anterior. Em nossa leitura coletiva de Abril de 2022, acompanhamos uma sequência de visitas entre famílias na Inglaterra, o retorno de um noivo abandonado, a retomada de uma paixão e uma série de pequenas doses de persuasão na obra homônima de Jane Austen. Nesse episódio, junto do Capitão Ace Barros, estão Airechu, Camila Loricchio, e Patrícia Souza.
Ouça e descubra o que achamos dessa leitura; entenda o que aconteceu para de boa parte dos participantes entrassem na leitura com expectativas equivocadas; acompanhe o vai e vem de visitas no interior da Inglaterra, suas frivolidades e malícias; se deixe envolver e ser persuadido por discursos de defesa, tanto de si mesmos quanto da própria obra, e viaje conosco.
Acompanhe-nos, estimados Exploradores de Universos!

DURAÇÃO: 1 Hora 23 Minutos 06 Segundos

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Arte da capa | Elementos em vetor criados por @upklyak disponibilizados em freepik.com 
Identidade visual e composição | Ace Barros 
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Crítica | O Peso do Talento

Nicolas Cage é um astro de renome internacional, conhecido por suas facetas e papéis, extremamente popular por suas caras e bocas, e definitivamente um ícone marcado entre gerações de espectadores de várias idades.  No entanto,  para o bem e para o mal, o extenso currículo do ator está marcado também por participações em qualquer tipo de produção que lhe pagar o mínimo, e muitos se questionam se Cage já não se tornou um personagem de si mesmo.
Se antes esta era apenas uma pergunta retórica, alguém esqueceu de avisar ao ator... 
Em O Peso do Talento, Nicolas Cage é... Nicolas Cage. Na trama, Cage está caminhando para uma ruína financeira, com problemas familiares, e desanimado com os rumos que sua carreira em Hollywood estão tomando. Em meio a crises, ele aceita a oferta de 1 milhão de dólares para marcar presença na festa de aniversário Javi Gutierrez, um fã apaixonado interpretado por Pedro Pascal, em sua mansão em Maiorca, Espanha. De maneira inesperada, os dois constroem uma bela amizade, e Javi ajuda Cage a repensar sobre sua vida. Contudo, as coisas tomam um rumo ainda mais inesperado quando Cage é recrutado por uma agente da CIA (Tiffany Haddish) e forçado a investigar seu maior fã, supostamente, um perigoso traficante internacional de armas. Cage precisa viver de acordo com a sua própria lenda, canalizando os seus personagens mais icônicos e amados do cinema para salvar a si mesmo e aqueles que ama. 
A obra dirigida por Tom Gormican, que também assina o roteiro ao lado de Kevin Etten, mistura elementos reais vividos por Cage durante os anos com doses de ficção a fim de criar uma comédia semi-biográfica, referências a extensa carreira do ator, que, em simultâneo, nos recorda todo seu carisma que o alçaram ao estrelato quanto o seu lado mais humano. O Peso do Talento acerta em não se levar a sério e em mostrar que apesar de alvo de críticas, Nicolas Cage consegue rir de si mesmo e se aproveitar disso.
A trama de ação embora clichê, é assertiva em diversos momento e garante a diversão, embora quem busque a obra esperando encontrar algo mais profundo possa se frustrar. Ainda sim, o filme aproveita de boas doses de metalinguagem para também trabalhar outras camadas que aparecem de maneira ora sutil, ora não, como críticas ao mercado cinematográfico, escolha de carreira e vida pessoal do ator. Não é necessário conhecer a fundo todos os trabalhos de Cage ou sua vida pessoal — embora seja um bom extra reconhecer citações, referências e papeis icônicos — pois a própria estrutura narrativa e atuação do ator nos transportam para questões e angústias que parecem palpáveis.
Porém, sem a menor sombra de dúvidas, um dos pontos de maior destaque do longa está na relação entre Nicolas Cage e Javi. Pedro Pascal, que por vezes rouba a cena, traz em seu personagem uma energia bem-humorada, caótica e impõe um ritmo que tanto ajuda no desenvolvimento humano de Cage, quanto na parte cômica da obra.  É divertido acompanhar o desenrolar daquela amizade sincera entre dois homens de meia-idade um tanto perdidos, que encontram apoio um no outro, e no amor compartilhado pelo cinema. A maravilhosa química entre os atores nos deixa desejosos por mais trabalhos conjuntos da dupla e dificulta a tarefa de escolher qual deles é seu favorito e quem está mais a vontade no papel.
Embora tenha suas falhas, em especial nos clichês apresentados no terceiro ato, o filme é certamente uma boa e divertida comédia de ação, com momentos memoráveis, marcada por ótimas atuações de Nicolas Cage e Pedro Pascal. Mas mais do que isso, O Peso do Talento é uma despretensiosa celebração e homenagem a Cage, sua carreira e ao insuportável peso de um enorme e inegável talento.

Título: O Peso do Talento
Título Original: The Unbearable Weight of Massive Talent
Lançamento/Duração: 2022 - 1h 47min
Gênero: Comédia/Ação/Policial
Direção: 
Tom Gormican
Roteiro: 
Tom Gormican e Kevin Etten

IMDB - FILMOW