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Ilustraverso: Gabriel Soares

Todo mundo ama uma boa capa, um mapa bem feito e ilustrações apaixonantes, sejam elas em livros, grafic novels, guias ilustrados, para usar de papel de parede ou pelo simples prazer de admirar. Porém nem todo mundo costuma dar a valor a pessoa por trás da arte, mas por sorte aqui é diferente. Quem sabe você não descobre aqui a pessoa que vai ser responsável por aquele presente diferenciado ou para concluir/iniciar aquele projeto que está engavetado: uma HQ ou a capa e ilustrações de um bom livro.
Na sessão Ilustraverso o artista e sua arte tem vez e reconhecimento. O artista da vez é um ilustrador manauara cujo a delicadeza do trabalho digital vai certamente te encantar: conheçam e apreciem o trabalho de Gabriel Soares!
Gabriel Soares é um ilustrador, character design e animador de Manaus, vivendo atualmente em São Paulo. Com sua afinidade com lápis de cor e papel desde pequeno, seus pais perceberam seu talento e ele logo ganhou um estojo de aquarela e entrou para um curso de artes.
Seus trabalhos chamam atenção pelo traço expressivo e detalhes na textura, que mesmo quando digitais, e assemelham a uma pintura. Além de trabalhos para livros e séries infantis, Gabriel possui uma série de fanarts de personagens da cultura pop, vindos de filmes, desenhos, livros e quadrinhos.
Você pode conferir uma amostra da arte aí embaixo, a galerias da artista no Behance e/ou seguí-lo no Facebook, e/ou no Instagram. Aos interessados em um contato profissional para alguma encomenda, isso pode ser feito pelo contato através do e-mail: gabriel.ilustrador@gmail.com


Multiverso X.:18 - Eduardo Spohr & A Batalha do Apocalipse








No episódio de hoje o capitão Ace Barros, o navegador Airechu, o piloto da Interlúdio Julio Barcellos e a imediata Hall-e, se juntaram para adentrar em um universos repleto de anjos, demônios e deuses antigos. A Batalha do Apocalipse pode não ser uma publicação recente, ou estar no ápice do seu hype, mas não existe momento errado para se falar sobre um bom livro!
Ouça e entenda um pouco sobre o autor e a publicação; descubra como chegamos até o livro e como foi a nossa leitura; saiba como a AVON salvou a vida literária de um dos participantes; alce vôos pelo Spohrverso e conheça quais são os pontos que mais nos agradaram e desagradaram durante a leitura; e o mais importante: porque recomendamos a leitura dessa obra 
Acompanhe-nos, estimado explorador de universos!

COMENTADOS NESTE EPISÓDIO:
Capas pelo Mundo: 1ª Edição - Nerdbooks - Verus - Holanda -  Portugal - Alemanha - Turquia
Ilustração da Edição Colecionador da Nerd Books em Detalhes: Frente - Verso
Leia os Primeiros Capítulos
Capítulos Excluidos: Atenas - O Rastro da Morte
Capítulos Ampliados: O Mestre do Fogo - Oásis Feiran
Capítulo Extra: MTRN
Textos de apoio: Castas e Céus - Cronologia Terrestre - Genealogia Humana - Hierarquia Celeste (antes da Queda) - Hierarquia Celeste (depois da Queda) - Hierarquia Infernal
Arquivos em áudio*: O Manuscrito Sagrado dos Malakins - Orion, o Rei Caído de Atlântida - Glosas sobre a Criação - A Proposta de Lúcifer - O Portador da Luz - Teaser 1 - Teaser 2 - Teaser 3
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O Incolor Tsukuro Tazaki e Seus Anos de Peregrinação

Haruki Murakami é um fenômeno. Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos no Japão na semana em que foi lançado, e atingindo o primeiro lugar das listas de mais vendidos ao redor do mundo, seu novo livro o coloca entre os grandes autores da atualidade.
Tsukuru Tazaki é um homem solitário, perseguido pelo passado. Na época da escola, morava com a família em Nagoya e tinha quatro amigos inseparáveis. Agora, vive em Tóquio, onde trabalha no projeto e na construção de estações de trem e namora uma mulher dois anos mais velha. Mas não se esquece de um trauma sofrido dezesseis anos antes: inexplicavelmente, foi expulso do grupo de amigos, e nunca mais os viu. Agora, ele decide revisitar o passado e reencontrá-los, para saber um pouco mais de cada um e de si mesmo. Sua jornada o levará a locais distantes, numa transformação espiritual na busca pela verdade.
O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação é um livro emocionante sobre a busca de identidade. É uma história sobre pessoas perdidas, que lutam para lidar com o desconhecido e aceitá-lo de algum modo. Como cada um de nós.
Título: O Incolor Tsukuro Tazaki e Seus Anos de Peregrinação
Título Original: Shikisai o motanai Tazaki Tsukuro to, kare no junrei no toshi
Editora: Alfaguara / Objetiva
Autor: Haruki Murakami
Tradução: Eunice Suenaga
Ano: 2014 / Páginas: 326

Haruki Murakami é um autor consagrado e conta com uma verdadeira legião de fãs tanto em meio ao grande público quanto entre a crítica especializada, já tendo sido indicado várias vezes desde 2011 ao Nobel de Literatura. O autor é famoso por sua capacidade de mesclar referências culturais japonesas e ocidentais numa prosa ágil com enredos fantasiosos e atualmente é um dos maiores best-seller mundiais já tendo livros traduzidos para mais de 50 idiomas diferentes. O Incolor Tsukuro Tazaki e Seus Anos de Peregrinação finalmente marca meu primeiro contato com a sua escrita e posso dizer que comecei muito bem!
Neste romance originalmente publicado em 2013 acompanhamos o protagonista Tsukuro Tazaki, um engenheiro de meia idade que leva uma vida comum e insossa em Tóquio, onde é responsável por projetar, reformar e construir estações de trem. Sua rotina consiste basicamente em casa e trabalho, mas ele tem uma namorada, Sara, com quem eventualmente se encontra e sai para jantar. Ela percebe algo estranho com Tsukuro, uma incapacidade de se abrir e se entregar totalmente ao relacionamento e com isso descobrimos um fato curioso sobre o seu passado, ocorrido há 16 anos, uma ferida cicatrizada mas que ainda o atormenta.
Naquela época, quando ainda morava e estudava em Nagoia, a sua cidade natal, ele integrava um grupo de cinco amigos com quem sempre se reunia e conversava enquanto desempenhavam um trabalho voluntário como parte das atividades extra curriculares do Ensino Médio. Os outros membros deste grupo tinham a particularidade de ter nos ideogramas japoneses dos seus sobrenomes, o nome de uma cor. As garotas Shirane (raiz branca) e Kurono (campo preto) e os rapazes Akamatsu (pinheiro vermelho) e Ômi (mar azul). Apenas Tsukuro Tazaki, cujo ideograma do sobrenome significa construir, fabricar, não partilhava dessa coincidência curiosa. Com o tempo eles passaram a se chamar pelas cores ao invés dos nomes, Branca, Preta, Vermelho e Azul e Tsukuro de Incolor. Isso não os impedia de manterem uma amizade sincera e de formarem uma unidade como um grupo no qual podiam se desenvolver, crescer e se expressar à vontade ajudando-se mutuamente.
Após a conclusão do Ensino Médio, Tsukuro se muda de Nagoia para estudar engenharia numa universidade em Tóquio, mas continua mantendo contato e visitando estes amigos sempre que possível nas férias. Isso até ele receber uma ligação na qual é avisado de que o grupo não quer mais vê-lo de forma alguma, comunicando desta forma a sua expulsão definitiva e unilateral por parte dos membros coloridos. O choque fora tal que Tsukuro não teve reação e não procurou saber o real motivo disso, ele entrou em uma depressão profunda, não suportando a rejeição daqueles em quem confiava e esteve a beira de cometer suicídio. Essa experiência obviamente deixou profundas marcas no Tsukuro de hoje, a agonia de não saber o porquê da exclusão ainda o persegue e ao saber dessa história, Sara incentiva que ele vá atrás desses antigos amigos e tente entender o que ocasionou a sua expulsão sumária do grupo. Então, esta jornada empreendida por Tsukuro em busca do seu próprio passado enquanto tenta compreender a si mesmo hoje é o mote principal do livro.
A prosa do Murakami é incrível, fluída e arrebatadora, com uma habilidade impecável ele alterna os tempos narrativos, passado e presente, os interlocutores dos diálogos e em poucos capítulos curtos e com uma dose de suspense criada em torno da expectativa com relação aos fatos que envolvem o grupo de amigos de Tsukuro, somos rapidamente capturados pela sua história.
Tsukuro é um personagem complexo, mas bastante confuso emocionalmente, não sabia o que esperar dele e até temi pelo que poderia descobrir enquanto lia. Não foi um personagem com o qual me apeguei logo de início, apesar de ficar comovido e muito incomodado com o seu drama pessoal, mas que ao longo do desenrolar dos fatos mostrou ser alguém muito mais digno da minha admiração do que de pena ou condescendência. Por meio dele e das reflexões propostas pelo autor na narrativa podemos também fazer uma busca por nossa própria identidade. É comum experimentarmos momentos de insegurança, e de falta de confiança em nós mesmos e em nossas capacidades, momentos nos quais nos sentimos vazios e incolores assim como Tsukuro. Enxergar isso já é um primeiro passo importante que pode aproximar leitor e personagem e foi justamente o que conseguiu despertar minha empatia e identificação com este protagonista. Afinal, o que mais ele era para aquele grupo além de o “incolor”?
Para mim os momentos cruciais, além da grande revelação, foram o início e o final do romance, onde somos respectivamente confrontados com o abismo da depressão e todo o amargor da rejeição, e posteriormente com a constante necessidade de continuar seguindo em frente buscando uma definição própria de nós mesmos ou o que quer que seja. O final é honesto e ainda que vago é bem construído e nos dá a liberdade de interpretar como seria a vida de Tsukuro após estes seus anos de peregrinação e o que ele descobre de si mesmo como indivíduo neles. O livro ainda consegue trabalhar de uma forma convincente temas comuns como a solidão, a necessidade de pertencimento aos grupos sociais e as dificuldades de adaptação a novas situações.
O Incolor Tsukuro Tazaki e Seus Anos de Peregrinação parte duma premissa simples, mas é carregado de significados profundos. Sua trama se vale de questionamentos filosóficos, de metáforas curiosas, de um pé no onírico e no erotismo de modo que vai muito além do drama realista, mas permanece leve e é bastante acessível a qualquer tipo de leitor. Meus receios iniciais com a literatura oriental, percebi, eram infundados e já estou disposto a conhecer mais de Haruki Murakami. O livro é recomendado tanto para o leitor novato quanto para aqueles que já o conhecem, Patti Smith, escritora e musicista, afirma que nele, Murakami nos traz uma faceta inédita diferente das dos seus romances anteriores, uma faceta que eu adorei ter conhecido e que recomendo a todos!


Crônicas da Tormenta - Volume 2




Prepare-se para uma jornada a Arton, o mundo de Tormenta, o maior universo de fantasia brasileiro.
Nascido nas páginas da revista Dragão Brasil, Tormenta é hoje lar de séries em quadrinhos, livros de RPG, romances e games. Neste volume, dezesseis autores, incluindo quatro dos criadores do cenário, irão conduzi-lo por histórias de vingança e aprendizado, ódio e amor, deuses e vilões, heróis e monstros. Acompanhe-os e descubra que, em Arton, nem mesmo a imaginação é o limite.



Título: Crônicas da Tormenta - Volume 2
Autores: Ana Cristina Rodrigues, Bruno Schlatter, Davide Di Benedetto, Douglas “Mago D’Zilla” Reis, Guilherme Dei Svaldi, Igor André Pereira dos Santos, José Roberto Vieira, Karen Soarele, Leonel Caldela, Leonel Domingos, Lucas Silva Borne, Marcelo Cassaro, Marlon Teske, Remo di Sconzi, Rogerio Saladino, Vagner Abreu
Editora: Jâmbo
Páginas:  336



Tormenta é  muito mais que um cenário de RPG. Para ser bem sincero: Tormenta é o cenário de fantasia mais amado do Brasil. São mais de 15 anos de história entre quadrinhos, jogos e literatura em um universo muito além do RPG. Se você nunca ouviu sobre nada disso basta ir até a tag Tormenta, onde estamos chegamos a dedicar um mês inteiro para falar sobre a história do cenário e resenhar alguns produtos. Agora se você quer conhecer esse universo mais a fundo, mas não se sente a vontade para encarar uma série de postagens, diferentes séries em quadrinhos ou mesmo uma trilogia de livros, talvez eu tenha o livro ideal para você entrar no clima que permeia o mundo de Arton.
O livro apresenta as várias faces do mundo Arton com contos que tratam de aventura, guerra, tragédia, magia, amor e traição. Somos agraciados com a chance de conhecer diversos tons de um mundo ao lado de paladinos, noviças, guerreiros, ladrões e até mesmo uma pedra. O que foi dito no volume anterior dessa antologia cabe perfeitamente para essa sequência: Nestas páginas há pequenas tragédias e vitórias, ao lado de grandes caçadas a monstros e guerras que mudam o destino do mundo. Seus protagonistas são crianças e deuses, guerreiros e artistas. Seus cenários são os salões da nobreza, as tavernas imundas, os campos de batalha sanguinolentos, as estradas empoeiradas, os mares bravios.
Por se tratar de um livro de contos contos e não um romance, Crônicas da Tormenta tem a vantagem de se poder ler os capítulos sem se preocupar com a continuidade ou mesmo lê-los em ordem, não há uma seqüência de eventos que te obrigue a ler os arquivos anteriores. Em contraponto a maior desvantagem - se é que podemos chamar dessa forma - seja despertar nos leitores aquela vontade de saber mais sobre aquelas histórias e personagens, ansiar por uma continuação ou mesmo um desenvolvimento posterior no espaço de um romance completo.
Pelo mesmíssimo motivo fica difícil comentar conto a conto sem tornar a postagem longa, mas não deixarei de falar sobre aqueles que me chamaram a atenção. A média dos contos se mantem em um bom nível de qualidade. Não tem nenhum deles que eu possa apontar como fraco, apenas uns me permitiram uma imersão maior e me conquistaram mais do que outros.
- O conto que mais me divertiu e me deixou alegre: A nova armadura de Katabrok, de Rogerio Saladino. Um conto com muito humor e aventura, bem inscrito, com personagens e tiradas engraçadas.
- O conto que mais gostei, e que me fez pensar: como um conto sobre uma pedra pode ser tão bacana? - O coração de Arton, de Lucas Silva Borne. Além de muito bem escrito e intrigante, a construção entorno do protagonista é muito bem feita. Quero mais textos do Borne!
- Os contos em que me senti mais imerso e curioso, que me ganharam por detalhes e pequenas facetas do mundo de Arton: Encontros & desencontros, de Leonel Domingos da Costa, Anábase, de Davide Di Benedetto, e Jogo de damas, de Remo Di Sconzi. Cada um deles mostrou como a fantasia pode ser trabalhada com outros elementos que não somente os básicos e clichês.
- Não posso deixar de destacar também as republicações dos contos Martelo pendente e A maior ambição, de Marcelo Cassaro, e A Companhia Rubra, de Leonel Caldela. Além de se tornarem mais acessíveis aos que não acompanham as publicações de RPG, ficaram mais fáceis de ler que em sua publicações anteriores - divididos em partes nas aberturas de capítulos - nessa reedição.
Os que já conhecem o cenário encontrarão locais e personagens que já conhecem - seja através dos contos reeditados e republicados na antologia ou por meio dos contos inéditos - e terão a chance de descobrir outras facetas deste mundo fascinante. Os recém-chegados irão se deparar com uma terra repleta de magia e maravilhas, mas que também apresenta diversas questões que precisam de solução e irão entender o que torna Arton tão interessante.
Crônicas de Tormenta garante boas horas de uma leitura de alto nível, com histórias para diferentes gostos e diferentes níveis, e em cada uma diferentes estilos de escrita; certamente um deles irá te agradarA cada conto fica visível não apenas a amplitude do cenário, mas também que Tormenta tem muito o que contar; seja isso feito através de romances, quadrinhos ou contos. Fica aqui até o meu desejo por mais antologias com narrativas ambientadas em Arton, ou quem sabe novos romances. 

Multiverso X.:17 - Oceanos, Detetives Holísticos e Planetes








No episódio de hoje o capitão Ace Barros, o navegador Airechu, o piloto da Interlúdio Julio Barcellos e a imediata Hall-e, se juntaram para mais um podcast de indicações. Dessa vez escolhas de universos bem distintos, tem livro, tem série e tem mangá.
Ouça e descubra o a infância de Gaiman tem a ver com sua obra e que mistérios escondem a mente infantil; fique tonto tentando entender o conceito de um detetive holístico e viaje por uma louca aventura com Selo Douglas Adams de Qualidade; conheça esse mangá sobre pessoas, exploração espacial e os problemas que ela acarreta, como o lixo espacial. 
Acompanhe-nos, estimado explorador de universos!

COMENTADOS NESTE EPISÓDIO:

O Oceano no Fim do Caminho
SKOOB - COMPARE & COMPRE - LOJA RECOMENDADA
Dirk Gently - Detetive Holístico
IMDB - NETFLIX
Planetes
SKOOB: VOL.1 - VOL.2 - VOL.3 - VOL.4

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Memórias do Subsolo

Nietzsche via em "Memórias do subsolo" a voz do sangue, enquanto para André Gide tratava-se do ponto culminante da carreira de Dostoiévski. George Steiner, por seu turno, qualificou-o de o mais dostoievskiano dos livros e como a suma da obra do escritor. Ao escrevê-las, em 1864, Fiódor Dostoiévski (1821-1881) abria a fase de sua produção que o consagraria como o autor russo mais conhecido fora de seu país, e um dos mais influentes do século XIX.
O vigor de Memórias do subsolo ecoaria não apenas nos grandes romances subsequentes do autor, como "Crime e castigo" e "Os irmãos Karamázov", mas também anteciparia os abismos e paradoxos da melhor literatura da modernidade, de Kafka a Beckett. Mergulho vertiginoso nas profundezas da alma, em que tiradas filosóficas e intrincados mecanismos mentais convivem com uma verve sarcástica e corrosiva, este monólogo de uma consciência atormentada por sua própria agudeza segue hoje provido de força e pertinência. - Irineu Franco Perpetuo Jornalista e tradutor
Título: Memórias do Subsolo
Título Original: Zapíski iz pódpol'ia (Записки из подполья)
Coleção: Folha Grandes Nomes Da Literatura (vol.07)
Editora: Folha de S.Paulo
Autor: Fiódor Dostoiévski
Tradução: Irineu Franco Perpétuo
Ano: 2016 / Páginas: 128


Memórias do Subsolo é minha segunda experiência com uma obra de Dostoiévski e por mais que esperasse por conflitos e provocações dos mais intensos e por uma história nada otimista, confesso que não estava nada preparado para o que encontrei aqui.
Este romance curto, mas pungente é dividido em duas partes com tons narrativos ligeiramente diferentes entre si. Na primeira, intitulada “O subsolo”, com onze capítulos, o narrador e também o protagonista que em momento algum é nomeado, expõe como que num desabafo muito de si e de sua forma de pensar a sociedade e a sua própria existência como indivíduo na mesma. Narrado do seu porão em São Petersburgo, num monólogo aflitivo e amargurado, ele discorre e reflete sobre questões de ordem existencialistas, sendo ora confuso e ora contraditório por um lado, mas também nos deixando intrigados com sua visão acerca de questões como a racionalidade, o livre-arbítrio, o romantismo e muito mais, não nos poupando de opiniões de moral questionável em favor duma verdade que almeja externalizar através de seu texto.
Na segunda, “A propósito da neve úmida” com mais dez capítulos, ele demonstra de forma concreta situações vividas que corroboram algumas das ideias apresentadas no início através do fluxo de consciência. É também aqui que descobrimos o motivo que o levou a reclusão, ao subsolo. Em sua juventude solitária e almejando alcançar um status social elevado ele acaba sendo humilhado por um antigo grupo de colegas pelos quais não era bem quisto e sofre novamente outra humilhação ao envolver-se com uma prostituta pela qual seus sentimentos conflitantes de atração e repulsa o levam a sucumbir ante as próprias convicções, afundando-se ainda mais no abismo que separa a sua alma e consciência daquilo que de fato vive e experiencia.
Ao contrário de Uma Criatura Dócil em que fiquei absolutamente vidrado na narrativa, em Memórias do Subsolo precisei tomar um fôlego extra para avançar na leitura. O fluxo de pensamento incessante, somado a minha pouca empatia com narrador que pouco faz para agradar (e se o fizesse contradizer-se-ia pois isso vai diretamente contra sua opinião acerca do belo e sublime tão enaltecidos e em voga pelo romantismo) e a quase onipresença da sua voz enfadonha em monólogo, sobretudo na primeira parte, exigiram demais de mim, de modo que lê-lo não foi uma experiência das mais prazerosas ou agradáveis.
No entanto não posso deixar de destacar algumas de suas qualidade e compreendo o fascínio que ele foi capaz de despertar em grandes pensadores, como o próprio Nietzsche citado na sinopse acima e tantos outros.
Entre elas, a forma vívida e perturbadora como o autor expõe através de seu protagonista e narrador aquilo que se poderia chamar de o nosso íntimo mais inescrutável, a camada logo abaixo do nosso próprio subsolo, abaixo da casca que apresentamos diariamente a fim de manter uma convivência social minimamente aceitável, desnudando a própria alma e a consciência expondo tudo aquilo em que ela verdadeiramente acredita, pensa, percebe, rejeita e reprime do mundo para além da sua superfície corpórea.
Além disso o próprio conflito entre esta consciência que se vê o tempo toda podada, sendo incapaz de transpor as barreiras do seu próprio subsolo ou o muro, e que se atormenta tanto por ter ciência desta sua limitação quanto por se descobrir incapaz de superá-la por mais que se force a fazê-lo contrariando algumas expectativas sociais é mostrada de forma desesperadora e angustiante. O narrador em tal ponto convence-se de que talvez o melhor seja não fazer nada, é inútil tentar livrar-se do fardo moral que ele mesmo carrega, e que não sendo um homem de ação, é inútil tentar encontrar um sentido na própria vida.
Tais pontos fazem com que esta obra seja considerada uma das precursoras do Existencialismo, escola filosófica cuja principal prerrogativa é a de que o pensamento filosófico começa com o sujeito humano, através das suas ações, sentimentos e vivência individual e não meramente do sujeito pensante. Algumas das ideias abordadas aqui também serviriam de inspiração para outros romances e personagens do próprio Dostoiévski no decorrer de sua carreira como escritor.
A edição da Folha de S. Paulo conta com uma nova tradução vertida diretamente do russo por Irineu Franco Perpétuo para a Coleção Grandes Nomes da Literatura. No Brasil ainda estão disponíveis as edições traduzidas por Boris Schnaiderman para a Editora 34 e Oleg de Almeida para a Martin Claret entre outras.
Além de divertir e entreter, também é papel da literatura incomodar, nos desestabilizar, nos botar mal e em dúvida e isso Memórias do Subsolo faz o tempo todo. É uma obra única, daquelas que dificilmente você vai se deparar novamente tão cedo, o que só corrobora a originalidade e genialidade do autor. Recomendo Memórias do Subsolo para quem se interessa por livros mais reflexivos e com forte inspiração filosófica, com personagens psicologicamente densos em cuja consciência podemos mergulhar profundamente, mas não esperar sair ilesos e também para quem se interessa por livros que se ocupam da condição humana como um todo, mas aqui partindo mais de um ponto de vista do indivíduo para o todo a sua volta.


Ilustraverso: Poliana Bittencourt

Todo mundo ama uma boa capa, um mapa bem feito e ilustrações apaixonantes, sejam elas em livros, grafic novels, guias ilustrados, para usar de papel de parede ou pelo simples prazer de admirar. Porém nem todo mundo costuma dar a valor a pessoa por trás da arte, mas por sorte aqui é diferente. Quem sabe você não descobre aqui a pessoa que vai ser responsável por aquele presente diferenciado ou para concluir/iniciar aquele projeto que está engavetado: uma HQ ou a capa e ilustrações de um bom livro.
Na sessão Ilustraverso o artista e sua arte tem vez e reconhecimento. O artista da vez é uma ilustradora paulista cujo o trabalho é uma fofura só: conheçam e apreciem o trabalho de Poliana Bittencourt!
Poliana Bittencourt é uma Ilustradora e designer gráfica, com base no estado de São Paulo. Formada em Publicidade e Propaganda. Poliana se considera uma curiosa, sempre buscando aprender e experimentar novos materiais. Apaixonada por animação, arte e publicidade.

Você pode conferir uma amostra da arte aí embaixo e as galerias da artista no Drawcrowd, DeviantArt, Behance e/ou seguí-la no Twitter, Facebook, e/ou no Instagram. Aos interessados em um contato profissional para alguma encomenda, isso pode ser feito pelo contato através do e-mail: