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Bernice Corta o Cabelo

Tudo que podemos fazer pelas pessoas é alimentá-las, diverti-las ou chocá-las. Essa frase, atribuída a Oscar Wilde, dá a tônica desta história de F. Scott Fitzgerald, de 1920, mas ainda atual, pertinente e necessária. Pela trama de Bernice e sua prima Marjorie em uma disputa por popularidade, pertencimento social, status e atenção de garotos, o leitor acompanha as peculiaridades e sutilezas do universo adolescente em seu máximo estado de tensão, com suas descobertas e frustrações.
Traduzido por Juliana Cunha e aqui apresentado em versão integral, com ilustrações de Mika Takahashi, Bernice Corta o Cabelo nos transporta a um momento da história marcado pelo jazz, pelos bailes e pelo dinheiro. O conto escancara o jogo das relações sociais de um grupo de adolescentes ricos: o ambiente em que cada um se encontra, onde são vistos, notados, e avaliados. Roupas, festas, cortes de cabelo e, enfim, palavras.
Título: Bernice Corta o Cabelo
Editora: Lote 42
Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradução: Juliana Cunha
Ano: 2016 / Número de páginas: 96

Uma mudança radical de visual, muitas vezes marcada por um novo corte de cabelo, não é exatamente algo novo na literatura sendo este um recurso de roteiro já amplamente explorado também em seriados e novelas. Num de seus muitos contos da era do jazz, Fitzgerald faz uso deste mote para mais uma vez destacar os modismos e a futilidade que permeava a alta sociedade americana em seu período de máxima extravagância nos loucos anos 1920, mas debruçando-se agora sobre a juventude rica daquele tempo.
Em Bernice Corta o Cabelo, lançado recentemente pela editora independente Lote 42 com uma nova tradução e em projeto gráfico diferenciado, Fitzgerald trata da disputa por atenção e popularidade entre duas primas ao passo que escancara o jogo das relações sociais de um grupo de adolescentes ricos. No conto, Bernice, uma jovem interiorana de Eau Claire, Wisconsin visita a sua prima Marjorie nas férias de Agosto. Marjorie logo percebe a falta de jeito e o provincianismo de Bernice para conversar e dançar com os rapazes e a dificuldade da prima para se enturmar em seu círculo social. Ela teme que a inadequação da prima possa vir a ser um empecilho e uma ameaça para a sua escalada por popularidade nestes eventos sociais. Nenhum dos garotos, mesmo os menos populares, consegue ficar muito tempo na presença de Bernice e não querem dançar com ela nos bailes e festas de jeito nenhum chegando a fazer chacotas da jovem que consideram extremamente chata.
Voltando de uma destas festas, Bernice acaba ouvindo uma conversa particular entre Marjorie e a mãe dela, onde a prima acusa-a de ser socialmente inútil. Extremamente ofendida, Bernice ameaça deixar a cidade no dia seguinte, mas Marjorie se mantém impassível conservando sua opinião sobre a prima. Bernice então cede, concordando em receber dicas de Marjorie de como se tornar uma garota socialmente bem sucedida, popular e bem-quista nos bailes assim como a prima. Marjorie dá dicas de como flertar com os rapazes, de como manter conversas interessantes, como se vestir e como dançar, mesmo com os rapazes menos populares ou atraentes a fim de parecer mais desejável aos olhos dos outros. Tudo isso sem nenhuma pedagogia e em verdades dolorosas que Bernice ouve e acaba aceitando. Com a simples mudança de atitude, a nova Bernice passa a fazer muito sucesso entre os garotos da cidade, inclusive conquistando a atenção de Warren, um dos pretendentes que Marjorie desprezava. Bernice logo se torna o centro das atenções masculinas, sobretudo com a estratégia de declarar para todos a sua intenção de cortar em breve o seu longo e belo cabelo. Este gesto na época era algo transgressor, praticado apenas por mulheres muito conscientes da própria independência e sem medo do julgamento alheio, daí o impacto e admiração que a simples menção do corte por Bernice era capaz de causar. Quando Marjorie percebe que o interesse que Warren mantinha por ela foi transferido para sua prima, ela por ciúmes, força Bernice a cumprir a promessa e como o título do conto já denuncia, Bernice corta o cabelo. O que acontece a partir daí vocês só vão saber se lerem. :P
É curioso notar como os adultos mostrados no conto percebem o mundo adolescente com estranhamento e surpresa, escandalizados e mantendo um certo distanciamento, como se aqueles problemas de aceitação e autoafirmação vivenciados pelos jovens flutuassem numa bolha à parte do todo, num mundo particular com suas próprias regras.
Pesam sobre Bernice e Marjorie a carga social das mudanças ocorridas na maior potência econômica nas primeiras décadas do século XX. O movimento feminista ganhava força, curiosamente no mesmo ano em que o conto fora publicado o sufrágio feminino era aprovado, e o conto destaca um contraste pouco óbvio entre os modos conservadores e liberais e entre o foco de interesse social das protagonistas. Enquanto Marjorie, aparentemente mais liberal e vanguardista queria ser popular para servir e entreter os homens dos quais era carente incessantemente de atenção, Bernice, mais conservadora e recatada almejava construir relações mais duradouras e vínculos de amizade genuína entre as mulheres, considerando o casamento e os homens algo secundário.
O tom geral do conto é muito bem humorado e foi difícil não associá-lo com um dramalhão mexicano, embora em momento algum o autor peque nas críticas que se propôs a fazer. Chega a ser hilária e também absurda a forma convicta com que Marjorie busca aperfeiçoar Bernice para os jogos sociais. Sobra hedonismo e falta senso crítico, mas quem pode culpar estes jovens de serem eles mesmos, ainda que vazios em seu interior mascarado pelo contexto de prosperidade no qual estão inseridos.
A tradução de Juliana Cunha é impecável e primou pela alta fidelidade ao texto original. Algo que já havia notado em minhas leituras anteriores é o fato de Fitzgerald ser um autor clássico bem acessível. Seu texto não é rebuscado e sua prosa, mesmo rica em metáforas e ironias, está longe de ser prolixa. Juliana Cunha ainda é autora dum excelente Posfácio em que analisa o conto sob diversos aspectos, comentando trechos e passagens de interesse, que numa leitura rápida poderiam passar batidos, principalmente destacando a relação conflituosa dos papéis femininos e modelos de feminilidade presentes nas mulheres daquele contexto personificados na figura das duas primas.
O livro conta ainda com belas ilustrações de Mika Takahashi que destacam momentos chave do conto e captam com maestria as descrições e mudanças narradas no texto. É curioso notar que após o famigerado corte, mechas de cabelo de Bernice se espalham por todas as últimas páginas do conto e também como boa parte das composições já se focam nos cabelos e penteados dos personagens mesmo antes da mudança radical de Bernice. O projeto gráfico elaborado, marca da Lote 42 cujo catálogo inclui os ousados Lululux e Indiscotíveis, é de autoria de Daniel Justi e incluiu um marcador em formato de fitilho que remete aos cabelos de Bernice e tentam o leitor a também promover um corte.
Bernice Corta o Cabelo foi pensado para o público jovem, com o qual, pela temática, vai dialogar muito bem e é uma boa pedida para uma leitura rápida e casual e também uma ótima porta de entrada para quem almeja conhecer a obra de Fitzgerald, autor que como poucos soube retratar a sua época e também refletir sobre ela sem nenhuma complacência. Intrigas, vaidades e conflitos surgem como aspectos perversos da juventude carregados de significado no texto de alguém que amargou os grandes dramas, mas também soube apreciar intensamente o melhor da vida. Vale a leitura!


Financiamento Coletivo: A Samurai - Yorimichi


Titulo: A Samurai - Yorimichi
Produtora: Manjericcão Estúdio
Criação: Mylle Silva
Artitas: Vencys Lao, Gustavo Borges, Herbert Berbert, Bianca Pinheiro, Mika Takahashi, Leonardo Maciel, Guilherme Match e Yoshi Itice
Tipo: Literatura


HQ A Samurai: Yorimichi – últimos dias para fazer parte do exército de apoiadores do projeto


Você tem apenas até dia 30 de Agosto para apoiar a HQ A Samurai: Yorimichi. O projeto, que está no Catarse desde o dia 1º de Julho, já reuniu cerca de 200 apoiadores e precisa da ajuda de todos para se tornar realidade. A Samurai: Yorimichi, é o segundo volume da história de Michiko, uma mulher que se tornou guerreira para lutar pelos seus sonhos e pelo seu propósito de vida. 
A Samurai é um projeto iniciado por Mylle Silva em 2015, que elaborou o roteiro da HQ e reuniu oito talentosos quadrinistas para ilustrar cada um dos capítulos da história. Após a ótima aceitação do público, Mylle decidiu dar continuidade a história, que já está em fase de produção. Confira a sinopse:

Depois dos acontecimentos do primeiro volume da HQ, Michiko e Yamada atravessam o portal e voltam 20 anos no tempo. Separada de Yamada, Michiko se torna uma samurai sem memórias ou objetivos, que apenas luta para salvar pessoas sem saber o porquê. Com a cabeça à prêmio e vivendo como uma fugitiva, seu caminho se cruza com o de Yamada, que vive o dilema de revelar-lhe ou não sua verdadeira identidade. Juntos, eles trilharão caminhos tortuosos em busca de seus propósitos e reencontrarão alguns de seus entes mais queridos.
A Samurai: Yorimichi é uma HQ ambientada no período Edo (1603-1868), época em que senhores feudais brigavam entre si por mais terras e poder. Em um ambiente dominado pelos homens, A Samurai terá que enfrentar o daimyou Nobuhiro para mostrar que seu papel na sociedade vai muito além de pertencer a um senhor feudal.

Mesmo sendo uma continuação direta da primeira HQ, A Samurai: Yorimichi é uma história que funciona de maneira independente. O enredo é carregado de protagonismo feminino, ao retratar uma heroína forte, determinada e nem um pouco sensualizada. Ao ter contato com A Samurai: Yorimichi, o leitor encontrará uma personagem principal cujas qualidades ressaltadas são perseverança, respeito, força de vontade e determinação - sendo que, em nenhum momento suas qualidades físicas ficam em primeiro plano.
A estrutura da história em quadrinhos continuará a mesma: dividida em oito capítulos, cada qual com uma cor predominante e sob a responsabilidade de um artista diferente (Vencys Lao, Gustavo Borges, Herbert Berbert, Bianca Pinheiro, Mika Takahashi, Leonardo Maciel, Guilherme Match e Yoshi Itice), tornando assim a leitura em uma experiência sensorial.

Para quem não conhece (ou não acompanha as postagens que fazemos sobre FCs), o funcionamento de um financiamento coletivo é simples: os objetivos são esclarecidos na página da campanha e as recompensas são apresentadas, o apoiador escolhe entre as possibilidades com quanto irá contribuir já sabendo qual será a sua recompensa. Quando a meta não é alcançada o dinheiro é devolvido, e em algumas campanhas quando o valor estipulado é ultrapassado metas extras bonificam aqueles que contribuíram (não necessariamente todos, isso varia de recompensa para recompensa e de campanha para campanha).
Para participar do financiamento de A Samurai: Yorimichi, basta escolher um dos pacotes de recompensas disponíveis, com valores entre R$10 e R$ 1000, que dão direito a recompensas variadas como agradecimentos, exemplar do volume 1 e 2, adesivos, camiseta, caneca, página original até sua marca estampada na capa como patrocinador. Basta escolher o apoio que contemple aquilo que seja do seu interesse e caiba no seu bolso.
A campanha ficará disponível por mais 7 dias no Catarse (a contar de 23/08) e tem entrega de recompensas prevista para Setembro de 2016. Agora que você já está por dentro de tudo confira a página do projeto no Catarse (https://www.catarse.me/asamurai2) e descubra mais informações sobre o livro: quais exatamente são as recompensas, detalhes sobre como seu dinheiro será investido, artes, etc.
Apoie, divulgue, e ajude A Samaurai a alcançar o seu objetivo!



Draco na Bienal SP + Lançamentos



Saudações nobres exploradores de universos! Preparados para serem banhados por uma enxurrada de lançamentos pela Editora Draco?
Ainda não?
Não tem problema, vou apresentar os lançamentos da editora por partes, mas antes preciso passar outro aviso importante: A Editora Draco estará presente na 24ª Bienal Internacional do Livro São Paulo, no Estande N070, com todo o catálogo de livros e quadrinhos, além de vários lançamentos! Você pode conferir toda a agenda da Draco e seus autores no site da editora!

Agora vamos conferir alguns dos novos lançamentos que você poderá encontrar lá!


Metrópole – Despertar, Melissa de Sá
Após o Grande Caos, Metrópole se ergueu sobre os escombros da civilização humana. Andrella é apenas mais uma adolescente que busca a excelência intelectual no meio dessa sociedade que preza a perfeição e o controle acima de tudo. Mesmo tendo sido criada pelo excêntrico Argorio, tudo que Andrella deseja é ser uma Metropolitana exemplar e viver do jeito que esperam que viva.
Mas quando o próprio Argorio é vítima de um crime que não acontece em Metrópole há mais de vinte anos, Andrella começa a perceber que talvez o Conselho da cidade queira seus segredos bem escondidos. Agora ela puxará os fios de uma teia que oculta uma verdade terrível não apenas sobre a cidade, mas também sobre si mesma. Afinal, o que há além das fronteiras de Metrópole? Estariam lá as respostas sobre quem Andrella realmente é?
Metrópole – Despertar, de Melissa de Sá, é uma distopia que culmina em uma trama de violência, poeira e perseguições em que nada é o que parece. Tensão, suspense e romance estarão presentes para aqueles que ousarem ler nas entrelinhas. E você? Está pronto para descobrir o que está por trás dos muros das aparências?
Jornada para Far Lands – uma aventura não oficial de Minecraft
Para cruzar o Nether e chegar a Far Lands, é preciso muito mais que ferramentas e habilidade!
Davi tem certeza de duas coisas: ele ama jogar Minecraft e detesta aquela tal de Minako, a menina mais irritante da sua classe.
Mina também sabe de duas coisas: Minecraft é seu jogo preferido e ela não aguenta mais Davi, aquele menino insuportável que vive para atormentar sua vida na escola.
O que os dois não sabem é que vão acabar presos dentro do game e precisarão unir forças para lutar contra inimigos, sobreviver aos perigos do Nether e chegar à misteriosa Far Lands. Com coragem, um pouquinho de paciência e uma boa dose de amizade, juntos tentarão desvendar o grande segredo do servidor mais sinistro de Minecraft!
Jornada para Far Lands é uma aventura não oficial de Minecraft por Karen Alvares. Uma história bem contada por quem adora games e vai levar os fãs por uma viagem inesquecível. Mas atenção! Depois dessa missão, eles nunca mais serão os mesmos. Pressione start e comece a ler agora mesmo!
Dinossauros, org. Gerson Lodi-Ribeiro
Eles estão extintos, mas continuam a abrir trilhas pelas selvas profundas do imaginário popular. Do cinema à literatura fantástica, dos games aos quadrinhos, a maioria das histórias abordou esses gigantes queridos do passado como monstros desajeitados e pouco inteligentes, meros troféus obtidos em safáris mesozoicos.
Não neste livro. Aqui não faltará imaginação para recriar esses animais de misteriosa fisiologia.
Dinossauros é uma antologia de ficção científica organizada por Gerson Lodi-Ribeiro em que ele participa com contos ao lado de Sid Castro, Bruno Anselmi Matangrano, J. M. Beraldo, Nuno Almeida, Roberta Spindler, Cirilo S. Lemos, J. R. R. Santos, Priscila Barone, Felix Alba, Rodrigo van Kampen, A. Z. Cordenonsi, Simone Saueressig, Flávio Medeiros Jr. e Antonio Luiz M. C. Costa.
Uma garota educada por selenossauros é a primeira crononauta terrígena. Nos tempos do Brasil Colônia, bandeirantes cruzam um portal e regressam a um passado repleto de bichos estranhos. Uma expedição humana explora ilha habitada por dinossauros homeotérmicos, emplumados e racionais. Invasores alienígenas sauriformes transformam os humanos em escravos de cama e mesa. Dinos inteligentes sobrevivem como favelados num Rio de Janeiro vitoriano. Acidentes em cronolaboratórios. Galinhas malévolas. Uma espécie de Barney homicida. Estranhos animais de estimação. Dinossauros.
Vista seu melhor traje de explorador e embrenhe-se nas selvas, cidades e laboratórios dessas páginas. Mas leve um rifle, só por garantia. Afinal os dinos parecem sempre estar com fome.
A Rainha Sombria, Vivianne Fair
Jade é uma jovem universitária que perdeu a memória aos doze anos de idade. Até aí tudo bem, mas a cada dia que passa sente-se mais agressiva enquanto coisas estranhas acontecem ao seu redor. Desejos de vingança, frascos de ácido que explodem, superforça. Não pode ser só a puberdade, afinal nem todo adolescente tem tanta força assim, certo?
Quando retorna à biblioteca onde foi encontrada ferida há muitos anos, a cena se repete, mas desta vez Jade é sugada para dentro de um mundo que parece ter saído de um conto de fadas.
Lá um feiticeiro explica que há uma rainha vivendo dentro dela. Mas é uma rainha cruel e muitos virão tentar matá‑la. Tentando conviver com o mal dentro de si, Jade sai em jornada para descobrir como se libertar, tentando não morrer no processo. Mas ela terá a ajuda de heróis, então provavelmente vai dar tudo certo.
A Rainha Sombria é uma divertida aventura de Vivianne Fair, autora da série A Caçadora. Quando a definição do que é ser bom ou mau está em jogo, Jade descobrirá coisas sobre a Rainha Sombria que ninguém mais sabe. Então deverá tomar uma difícil decisão – e nessa hora é você quem vai escolher o final da história.
Dezoito de Escorpião, Alexey Dodsworth
Fim do século XX. Um astrofísico brasileiro descobre que uma pálida estrela da Constelação do Escorpião é uma gêmea perfeita de nosso Sol. Segunda década do século XXI. Vários adolescentes brasileiros entram em surto psicótico ao mesmo tempo, durante uma explosão solar.
Como podem eventos tão distintos ameaçar um mesmo segredo? De que forma esses fatos podem afetar uma vila no coração da selva? A Vila Muhipu, resguardada por índios da etnia Tukano, é um paraíso onde o sofrimento não passa de lembrança. Uma utopia que deve ser mantida escondida a todo custo, e o doutor Ravi Chandrasekhar não poupará esforços nesse sentido.
Em Dezoito de Escorpião, romance vencedor do Prêmio Argos 2015, Alexey Dodsworth (de O Esplendor) se apropria de fatos científicos reais e os recria, compondo uma trama que se debruça sobre a mais intrigante questão: estamos sós no Universo? Descubra por sua conta e risco.
Mistérios do Mal – contos de horror, Carlos Orsi
A humanidade sempre acreditou que eles fossem deuses ou demônios, mas ninguém imaginava que essas são criaturas que habitam dimensões infinitas onde pesadelos indescritíveis se tornam reais.
Mas há aqueles que insistem em chamar a atenção desses Grandes Antigos. Quando isso acontece, a busca pelo conhecimento levará os seres humanos a entrar em contato com os Mistérios do Mal.
Nesta coletânea, Carlos Orsi (Tempos de Fúria e Guerra Justa) conduzirá o leitor por horríveis caminhos traçados pela curiosidade humana. Encontre um mago do Terceiro Reich escondido na Mata Atlântica. Conheça monumentos soterrados nas areias marcianas. Assista a uma montagem da peça maldita O Rei Amarelo nos anos de chumbo da ditadura militar. Presencie o preço pago quando tecnologia alienígena for posta a serviço do capitalismo mais selvagem. E, por fim, descubra por que o autor é considerado uma das mentes mais afiadas da literatura fantástica brasileira. Isso é, se você conseguir despertar.
Seres das trevas – histórias de terror, Alex Mir e Alex Genaro
Pegue um punhado do espírito dos monstros clássicos do cinema, uma pitada de quadrinhos da cripta, acrescente doses generosas de horror brasileiro bem apimentado e leve a um forno pré-aquecido com chamas infernais. Essa é a receita de Alex Mir para criar seus apavorantes e surpreendentes contos, na melhor tradição das antigas publicações da literatura de terror.
Aqui vagam hordas de zumbi. Máquinas transportadoras de almas. Um lobisomem atrás de uma porta de aço. Vampiros na noite paulista. Navegadores portugueses que se deparam com tribos sanguinárias. Crianças que recebem ordens sinistras de um bicho de pelúcia. Rituais de feitiçaria que não saem como o previsto. O Boto e o Saci brigando por uma bela mulher. A convocação do Anhangá. Experiências extraterrestres.
Com texto de Alex Mir e ilustrações de Alex Genaro, Seres das trevas – histórias de terror conduz o leitor de volta para o tempo em que ficava até tarde no sofá da sala, assistindo a filmes que gelavam a espinha e faziam cada ruído se transformar em uma deliciosa fonte de medo. Antes de começar a ler, porém, verifique se a porta está trancada e se não há nada debaixo da cama. Será que aquela sombra é apenas uma sombra?
O despertar de Cthulhu em quadrinhos, org. Raphael Fernandes
A cultuada obra de H. P. Lovecraft é a principal inspiração dessa coletânea com oito HQs que transportarão a imaginação para o lado mais obscuro da mente humana, um horror cósmico em preto, branco e verde.
São 168 páginas desesperadoras onde criaturas tão antigas quanto o universo são capazes de corromper a alma humana apenas com sua presença. Onde a doença, a loucura e a perversão são pano de fundo para histórias que vão testar os limites de sua sanidade.
A organização do álbum envolveu Raphael Fernandes, que maculou a alma do time de quadrinistas formado por Dudu Torres, Antonio Tadeu, LuCas Chewie, Airton Marinho, Fabrício Bohrer, Caiuã Araújo, Marcio de Castro, Lucas Pereira, Samuel Bono, Jun Sugiyama, Daniel Bretas, Hilton P. Rocha, Bárbara Garcia e Elias Aquino. Todos perdidos em uma enigmática capa de João Pirolla.
O despertar de Cthulhu em Quadrinhos é o horror que não pode ser pronunciado, perca-se em imagens e histórias que não deveriam ter sido concebidas. Agora não há mais volta para os envolvidos pelos tentáculos do desespero, é hora de acordar para uma realidade decadente e tingida em apenas duas cores.

Ufa! É muita coisa boa, difícil agora vai ser conseguir ler todos. Mas e aí, já sabe por onde começar? Conta aí pra nós! 

A Redoma de Vidro

Único romance de Sylvia Plath (1932-1963), que se suicidou um mês após sua publicação, A redoma de vidro é um misto de ficção e autobiografia. Como a autora, também a protagonista é depressiva e suicida, embora sua história e personalidade sejam diferentes. Por isso mesmo, o romance é também uma representação simbólica de mulheres de classe média que, na década de 1950, tinham pouco acesso a informações, a rupturas sociais e morais e à liberdade sexual, causando, entre outras coisas, estados de transtorno mental. O tratamento com choques elétricos, recebido por Esther Greenwood, é só uma das faces do problema, ainda atual, de enfrentamento dos distúrbios psiquiátricos.
Com humor, coloquialidade, ironia e agilidade, acompanhamos a jornada de uma escritora jovem e bonita, convidada a passar um mês como correspondente de uma revista de moda em Nova York, em meio a jantares fúteis, festas de coluna social e amizades fugazes, entre as quais ela se sente inútil e amplamente deslocada. Conhecida como poeta, Sylvia Plath revela-se aqui como uma romancista que faz com que o leitor, como se ele também submetido a uma redoma de vidro, perca o fôlego e se sinta tão aprisionado quanto a própria Esther Greenwood.
Título: A Redoma de Vidro
Coleção: Folha Grandes Nomes da Literatura # 22
Editora: Folha de S. Paulo
Autor: Sylvia Plath
Tradução: Chico Mattoso
Número de páginas: 240


Gosto de livros e histórias que conseguem me tirar do lugar comum, que me fazem pensar no impensável e que despertam em mim as mais diversas sensações não importando se vão ser as mais nobres, belas e altruístas ou as mais viscerais, sujas e incômodas. Talvez tenha sido por isso que A Redoma de Vidro entrou no meu radar de leituras, logo após ter sido tema de um clube do livro do movimento Leia Mulheres, ainda no ano passado e prometendo render bons debates e reflexões sobre a depressão e outros transtornos psicológicos.
A Redoma de Vidro vai contar a história de vida de Esther Greenwood sobre o seu próprio ponto de vista. Ela, uma jovem de dezenove anos, saída dos subúrbios de Boston e recém formada numa prestigiada universidade para moças, atualmente é correspondente na redação de uma revista de moda em Nova York. Com uma carreira promissora pela frente e intensas atividades sociais que incluem jantares glamourosos e festas da alta classe, preenchendo sua agenda de compromissos noite após noite, ela não imaginaria que logo seria acometida por uma crise emocional que a abalaria profundamente levando-a à internação numa clínica psiquiátrica em seu momento mais crítico.
Embora já carregue essa forte carga depressiva desde o início, o livro e a vida de Esther parecem se dividir em duas partes distintas, sendo a primeira um pouco mais leve do que a segunda, e chega a causar um choque no leitor em como a transição entre elas é feita de forma sutil, quase imperceptível. De repente nos damos conta que Esther não se cuida mais, não toma banho, está apática e alheia para o que acontece ao seu redor, totalmente fechada em sua redoma de vidro e sendo constantemente atormentada por pensamentos suicidas e em alguns momentos colocando-os em prática. Tudo o que ela poderia vir a ser e que nos é apresentado no início do livro, é logo subvertido para um quadro de decadência e ela se vê incapaz de seguir adiante para alcançar quaisquer que fossem seus objetivos primários.
A narrativa vai intercalando o presente da personagem com flashbacks que nos mostram que alguns dos sintomas e questionamentos que ela tem e se faz hoje, já estavam presentes em seu passado, desde a adolescência e a vida no colegial. Fica evidente o contraste entre o que era esperado de Esther pela sociedade, em que as mulheres passavam a conquistar cada vez mais um espaço maior no mercado de trabalho e consequentemente a sua própria independência nos EUA do pós-guerra, e o que era esperado dela pela sua própria família mais conservadora, que queria vê-la bem casada e tendo filhos o quanto antes. Não fica muito claro até que ponto tudo isto contribuiu com o quadro de transtorno da personagem, mas não é difícil supor que essas rápidas mudanças experimentadas nos anos 1950 tenham tido influência e agravado o seu estado. Além disto a perda da oportunidade de emprego, os sucessivos fracassos amorosos, as dúvidas e incertezas naturais de quem acaba de ingressar na vida adulta e a incompreensão daqueles que a cercavam acerca da sua condição são outros fatores determinantes e muito bem explorados neste contexto.
A Redoma de Vidro foi originalmente publicado em 1963 sob o pseudônimo de Victoria Lucas, usado para preservar alguns nomes e lugares, uma vez que o livro é uma espécie de relato autobiográfico de Sylvia Plath, que assim como a sua protagonista também sofria com um grave quadro de depressão. A crise e a internação relatadas no livro encontram paralelo na biografia da autora, que certamente baseou-se em sua própria experiência para narrá-las, emboras muitos outros aspectos das histórias de vida de Sylvia e Esther sejam completamente diferentes. Infelizmente Sylvia Plath cometeu suicídio cerca de um mês após a publicação deste livro e é impossível não lamentar a perda precoce desta talentosa escritora e poetisa. A edição que li é o vigésimo segundo volume da Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura e possui a mesma tradução de Chico Mattoso presente na edição de 2014 da Biblioteca Azul, um selo editorial da editora Globo.
O livro mescla toda essa carga psicológica pesada com um certo humor irônico e ácido, que de certo modo ajuda a aliviar a tensão durante a leitura. Confesso que me identifiquei menos do que esperava com a protagonista e a sua situação, talvez por já conhecer de antemão toda a temática do livro e ter me blindado para encará-lo ou simplesmente por ter escolhido lê-lo num momento mais tranquilo da minha vida. No entanto, é impossível sair incólume duma leitura como esta e não pude deixar de sentir toda a carga emocional que transborda em suas páginas, de respirar o mesmo ar sufocante e viciado de Esther presa em sua própria redoma de vidro, de sentir sua angústia, sua insegurança e partilhar dos seus medos. A narrativa intimista em primeira pessoa e o fato dele ser autobiográfico colaboram ainda mais para potencializar essa atmosfera opressiva com uma sensibilidade e intensidade tal que me deixam sem palavras para descrever. Foi uma leitura extremamente satisfatória, daquelas que dificilmente serão superadas e do tipo que certamente me acompanhará em reflexões e introspecção ainda por um bom tempo.
A Redoma de Vidro é a prova de que em sempre os nossos maiores desafios estarão nas insondáveis fronteiras do universo ou em reinos fantásticos desconhecidos, às vezes, basta apenas olhar para dentro de nós mesmos para encontrá-los. Livros como este propiciam esta visão interna e nos ajudam a enxergar e compreender melhor um pouco dos nossos dramas e medos mais profundos, ao passo que também nos dão um fio de esperança para buscarmos ajuda e apoio nos momentos mais críticos e não ceder às armadilhas sedutoras duma doença tão perversa quanto a depressão. Ler ou não ler é uma escolha individual e não quero soar paternalista, mas pela sua carga angustiante não recomendo a leitura para quem não esteja passando por um bom momento na vida. No mais, A Redoma de Vidro é uma obra prima da Literatura, um desabafo pungente e um alento necessário para reerguer-se, capaz de tocar e incomodar o leitor em seu âmago duma forma única, impressionante e comovente!



Review: Aljubarrota/ Millions



A postagem de hoje será um pouco diferente e não falo só no que tange a organização. Recebemos da Sherlock S.A. uma cópia de seus dois próximos lançamentos, que já estão em pré-venda, para testarmos e produzirmos um review. Como ambos são jogos rápidos e foram criados pelo mesmo gamedesigner, o português David Mendes, resolvi falar sobre eles em uma única postagem: primeiro de forma separada e por fim uma analise mais conjunta.
Agora vamos ao que interessa:


Titulo: Aljubarrota - A Batalha Real
Produtora: Joyco (Internacional)/ Sherlock S.A (Edição Nacional)
Criação: David Mendes - Arte: Eduardo Porto, Daniel Souto
Tipo: Card Game - Educacional




Inspirado em uma batalha histórica pouco conhecida em terras brasileira, o jogo põe dois jogadores no papel do rei de Portugal D. João I e do rei de Castela D. Juan I em meio ao confronto que definiu o detentor da coroa Portuguesa, a Batalha de Aljubarrota.
Trata-se de um jogo onde cada jogador deverá testar a tua destreza mental e rapidez de raciocínio para garantir a seu reino a vitória. O vencedor é o primeiro jogador a descartar as cartas do seu baralho no campo de batalha, contudo o descarte não acontece de forma desordenada: duas cartas abertas previamente indicam número, cor ou desenho onde e como você pode descartar as cartas em sua posse. Caso um desses elementos combine você segue descartando, em qualquer uma das dias pilhas, e em caso negativo ela retorna a sua mão e uma nova carta é tirada. 
Apesar do jogo possuir uma mecânica simples é possível desfrutar de partidas disputadas. Não adianta apenas ser rápido no descarte, é preciso ter atenção aos elementos para não passar uma carta para trás na hora errada. 
Por conta do lado histórico e de sua arte caricata o jogo possui um forte teor lúdico e educativo, e sua simplicidade permite que possa ser facilmente jogado por crianças. Apesar de ser um jogo para duas pessoas, Aljubarrota não é um jogo excludente. As partidas são rápidas, com duração média de 5 minutos, e facilitam a possibilidade de campeonatos e disputas entre grupos.
Para um melhor entendimento das regras e mais informações históricas sobre a batalha, você pode consultar o manual de regras linkado acima.


Titulo: Millions - O Último Soldado
Produtora: Pythagoras (Internacional)/ Sherlock S.A (Edição Nacional)
Criação: David Mendes - Arte: David Mendes , Daniel Souto
Tipo: Card Game - Educacional

Tal qual o Aljubarrota, Millions também é influenciado por um fato histórico pouco conhecido no Brasil. Neste jogo temos de ajudar o Soldado Milhões, um herói português da Primeira Guerra Mundial a sobreviver a uma luta divertida contra o piloto alemão Manfred von Richtofen, o lendário Barão Vermelho.
Apesar do tempero histórico e a temática de auxílio ao herói de guerra, Millions é um jogo de cartas competitivo com gestão de mão que pode ser jogado de dois a cinco jogadores. Cada pessoa recebe um deck de cartas, um baralho, com carta com valores de 1 a 12, e deve disputar cartas de premiação de valores diferenciados. A cada rodada abre-se o prêmio da vez e todos os jogadores escolhem uma das suas cartas para revelar simultaneamente com seus adversários; se o prêmio aberto em disputa for positivo, ganha a carta de maior valor único, se for negativo, leva quem colocou a menor valor único. Então é bom ficar atento ao que seus adversários estão usando a cada rodada, pois o empate também pode ser decisivo! O objetivo do jogo é ganhar as cartas de pontos positivos e fazer com que os adversários fiquem com os pontos negativos. O jogador que somar mais pontos no final das 12 rodadas é o vencedor. 
Assim com o no jogo anterior, o lado histórico e arte caricata dão a Millions um forte teor lúdico e educativo, e sua simplicidade permite que possa ser facilmente jogado por crianças. As partidas também são curtas, com duração média de 20 minutos, e o número maior de jogadores e possibilidade de estratégias permite partidas bastante competitivas e amarradas.
Para um melhor entendimento das regras e mais informações históricas sobre a batalha, você pode consultar o manual de regras linkado acima.




Levei ambos os jogos para algumas mesas para poder testar com públicos com diversos níveis de experiências com jogos de tabuleiro, e em sua maioria eles foram bem recebidos. Ambos são jogos extremamente descomplicados, e até dá pra dizer que simples, o que pode desagradar jogadores mais interessados em quebrar a cabeça em jogos mais complexos. Porém para mim ambos tem seu valor.
Posso dizer que a mecânica simplista de Aljubarrota me agradou, ele é leve e divertido, bem competitivo, com um misto de destreza, atenção e estratégia. Se restringir a dois jogadores em uma mesa com mais pessoas é algo ruim, mas por ser ágil isso acaba não atrapalhando tanto. Acabei jogando com uma alteração na regra pra adicionar maior dificuldade à partida, cada jogador podendo utilizar apenas uma das duas pilhas.
Já Millions eu gostei bem mais. É evidente que é um pouco mais trabalhado em mecânica que o "irmão", e o fato de precisar usar estratégia e atenção para abrir mão dos valores baixos para lutar pelos maiores me agradou bastante. Por conta do número de jogadores ele é mais inclusivo, as regras são muito simples e divertidas, jogamos uma partida após a outra sem cansar.
As temáticas e a ambientação de ambos jogos para nós não tem tanta força para nós brasileiros, é verdade. Daria até pra trocar a cara deles que não faria tanta diferença. MAS como são jogos pouco complexos não exigem lá uma imersão profunda, estão bons desse jeito. Além disso acabam servido de oportunidade para descobrirmos mais peculiaridades sobre a história do mundo que acabam ocultas de nós.
Deixo claro que tratam-se de dois Fillers, aqueles jogos ideais pra serem jogados entre uma partida e outra de jogos maiores ou mesmo como aquecimento, mas podem proporcionar jogatinas agradáveis e disputas acirradas. Tudo dependera do seu grupo de jogo, mas guardadas as devidas proporções, ambos jogos tem potencial para agradar jogadores experientes e - principalmente - jogadores de ocasião. Ambos tem boa re-jogabilidade e indicaria se ter na coleção, mesmo que não sejam os pratos principais do banquete.
Ficou interessado(a) e quer saber mais sobre os jogos? Quer conferir como é o gameplay, ou seja, ver na prática como os jogos funcionam na mesa? Você pode conferir os vídeos produzidos pelo pessoa do Covil dos Jogos sobre ALJUBARROTA e também sobre MILLIONS. Já se você se interessou pelos jogos apenas pelo nosso singelo review (mas indico que assista os vídeos listados acima) pode adquirir ambos os jogos na pré-venda por um valor especial de R$ 99,90. Pois é, isso que você entendeu: Combo Aljubarrota - A Batalha Real e Millions - O Último Soldado por R$ 99,90.


Fullmetal Alchemist

Fullmetal Alchemist, obra máxima de Hiromu Arakawa, está de volta em uma Edição Especial de Colecionador! Edward e Alphonse Elric são jovens alquimistas que estão em busca da lendária Pedra Filosofal para recuperarem os seus corpos. Ouvindo rumores sobre ela, os irmãos Elric vão para uma cidade profundamente devota ao seu Deus e àquele que divulga sua fé, o Pai Cornello. Este religioso tem praticado atos milagrosos que mais se parecem com transmutações alquímicas, e investigando a origem de tais milagres eles conhecem Rose, uma garota que busca na religião a esperança de rever seu amado. A jornada dos irmãos Elric que desafiará os limites da fé e da ciência começa aqui!
Título: Fullmetal Alchemist
Autora: Hiromu Arakawa
Tradutor: Luiz Octavio Kobayashi
Editora: JBC / Ano 2016
Acabamento: 13,5 x 20,5 cm, papel offset, tankobon, 192 págs



Se você, assim como eu, consome um mínimo que seja de produtos culturais japoneses certamente já teve contato com Fullmetal Alchemist em algum momento. O mangá de Hiromu Arakawa há tempos transpôs as fronteiras nipônicas, consolidando-se como uma franquia de sucesso mundial sendo adaptado para as mais diversas mídias, do anime, às produções cinematográficas e aos games e mais recentemente para um ainda vindouro filme em live-action. O mangá teve o primeiro de seus 108 capítulos publicado na revista Monthly Shōnen Gangan em julho de 2001, encerrando-se nove anos depois, em julho de 2010, e enfim sendo compilado e lançado em formato tankobon em 27 volumes no Japão pela editora Square Enix. Neste meio tempo a série foi contemplada na categoria melhor shonen no 49º Prêmio Shogakukan de Mangá em 2004. No Brasil ele foi publicado pela primeira vez em 2007 pela JBC no formato meio-tanko e agora, em 2016, retorna, num muito aguardado relançamento e em edição especial. Por mais que conhecesse a série de nome, referências e como um sinônimo de qualidade entre os fãs de mangá, esta é a primeira vez que tenho contato direto com ela.
Fullmetal Alchemist é ambientado num universo ficcional de fantasia inspirado no período pós-Revolução Industrial europeu no qual a alquimia é uma das técnicas científicas mais avançadas e conhecidas pela humanidade. A trama é centrada na dupla de irmãos alquimistas, Edward e Alphonse Elric, que estão numa jornada em busca da Pedra Filosofal, um poderoso e lendário objeto alquímico, com o objetivo de restaurarem os seus corpos. Descobrimos que Edward perdeu sua perna esquerda e seu braço direito substituindo-os mais tarde por próteses de aço (chamadas automails) enquanto Alphonse perdeu o seu corpo inteiro acabando com sua alma presa numa enorme armadura. Tudo isso como consequência duma malsucedida tentativa de trazer sua mãe de volta à vida com o uso de técnicas alquímicas proibidas. O primeiro volume traz quatro capítulos e há pequenos flashbacks que nos contextualizam sobre este passado dos protagonistas, no entanto o foco principal e imediato da trama é outro. Isso me remeteu um pouco às pequenas missões, tão comuns em jogos de RPGs, que precisam ser cumpridas antes que os heróis avancem rumo ao seu objetivo principal.
Encontramos os protagonistas no presente, seguindo rumores sobre atos milagrosos que lembram transmutações alquímicas, Ed e Alphonse chegam numa cidade devotada a expressar sua religiosidade no Deus-Sol Leto e naquele que propaga a sua palavra através de programas de rádio e dos tais milagres, o Pai Cornello. Lá eles conhecem Rose, uma garota esperançosa de um dia poder rever seu amado e a convencem a levá-los até a presença do religioso. Ao testemunharem um dos milagres sendo feito em público, a dupla de irmãos deduz que tudo não passa de um uso bem feito de alquimia, porém eles não conseguem identificar como Cornello faz tais façanhas sem pagar o preço devido à altura das transmutações realizadas. Conforme é explicado por Edward, esta é a lei básica da alquimia, a Lei da Troca Equivalente, cujo enunciado diz que para se ganhar alguma coisa, é necessário sacrificar alguma outra do mesmo valor. Na alquimia, criar coisas do nada é impossível e apenas a Pedra Filosofal seria capaz de ignorar essa lei. Estaria ela em poder de Cornello?
Este é apenas o mote do primeiro capítulo, mas o mangá abre inúmeras possibilidades conforme avança e se aprofunda naquele cenário e no desenvolvimento dos personagens. Chama logo a atenção a diferença entre as personalidades dos irmãos Elric. Enquanto Edward é irascível, teimoso e irritadiço, Alphonse se mostra mais paciente, emotivo e até um tanto ingênuo. Essas diferenças acrescentam muita cor às interações entre os dois que estão sempre discutindo como resolver da melhor forma os problemas que surgem, e engana-se quem pensa que eles se odeiem por isso. Ao contrário, o laço familiar que os une e o sentimento de fraternidade e prontidão caso um precise se sacrificar pelo outro é muito forte e logo fica evidente.
A arte é ágil, expressiva e objetiva e traz um ar steampunk marcante nos designs das armas e partes mecânicas de alguns personagens. A quadrinização varia conforme as exigências de cada cena, sendo muito competente em transmitir o movimento e a ação nas cenas de luta. Há também muitas gags visuais e a autora faz bastante uso do recurso de super deformed (sd), trazendo leveza e comicidade ao enredo, que num tom geral é bastante fluido e divertido, e sem a incômoda e desnecessária presença de “fanservice”. Não notei quaisquer erros gráficos ou de revisão durante a leitura e a edição segue o padrão habitual dos demais mangás da editora, em papel offset de boa qualidade. Na compra do primeiro volume, de 27 que serão publicados mensalmente pela JBC, os assinantes e clientes de lojas especializadas ganham como brinde especial e limitado uma sobrecapa em papel mais firme que também pode ser retirada e usada como poster.
A aparente simplicidade da trama, ao menos nestes capítulos iniciais, esconde uma certa profundidade ao explorar temas como o conflito entre ciência e religião, técnica e fé. A própria lei da troca equivalente, um dos princípios fundamentais da alquimia neste mundo, é outra que por si só já geraria discussões acaloradas e é o grande motor que impulsiona a aventura dos protagonistas. De fato, a primeira página do mangá já traz de forma explícita o conceito desta lei: “Ensinamentos obtidos sem sofrimentos são desprovidos de valor. Pois as pessoas jamais podem adquirir algo sem sacrifício.” Tal como os irmãos Elric, nem sempre nos damos conta do preço que podemos vir a pagar por cada ato ou decisão que tomamos e aqui vemos que por mais nobres que eles possam ser, não estamos isentos das suas consequências, nada vem de graça ou sem sacrifícios. Assim é a vida e cabe a cada um de nós aprender a lidar diariamente com as consequências das nossas ações.
Este relançamento da JBC é uma ótima oportunidade para quem não pode acompanhar a série anteriormente e para quem, assim como eu, vai conhecer o universo de Fullmetal Alchemist pela primeira vez. É um mangá extremamente divertido, com uma forte pegada cômica, sem apelações (fazia tempos que eu não ria tanto com um primeiro volume!), mas que não deixa também de emocionar o leitor com sua história sobre seguir em frente por aquilo em que acreditamos e pelas pessoas que amamos e se aprofundar em questões mais filosóficas como os limites tênues entre religiosidade, ciência e misticismo. Para quem curte tramas de aventura e fantasia num cenário original, com personagens simpáticos e carismáticos, Fullmetal Alchemist é uma excelente pedida!

Deadpool - Dog Park

Em Deadpool: Dog Park somos apresentados a Wade Wilson, o Deadpool, um dos personagens mais inusitados do Universo Marvel. Neste romance, inédito no Brasil, o Mercenário Tagarela tem uma missão tragicômica: salvar a humanidade de terríveis filhotinhos de cachorro. Ok, falando assim pode até não parecer tão terrível, mas é preciso mencionar que esses fofinhos têm uma tendência um pouco incômoda de transformar-se em monstros gigantes.
A Deadpool cabe descobrir quem está por trás desse plano maligno. De preferência, com todos os seus órgãos intactos. Ao leitor cabe deleitar-se com o humor ácido e escrachado de Stefan Petrucha (autor de Jack, o estripador, em Nova York), de preferência sozinho, para não ser flagrado em ataques súbitos de riso.
Título: Deadpool - Dog Park
Título Original: Deadpool - Paws
Editora: Novo Século - Série Marvel #10
Autor: Stefan Petrucha
Número de páginas: 288

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O "Mercenário Tagarela" nunca esteve tão na moda. Seu humor escrachado, sua loucura patética - Como assim patética? Quem esse Ace pensa que é? - e sua capacidade de quebrar a quarta parede para se comunicar com o público se tornaram armas de conquista, principalmente do público mais jovem. Em pouco mais de 20 anos o anti-herói, criado originalmente como vilão, passou de uma piada para um dos mais amados e vendáveis personagens da Marvel. O número de revistas estreladas por ele cresceram, suas aparições em outros times se tornaram contantes - O Wade oficialmente é um Vingador. De carteirinha e tudo, Sr. "eu posso fazer uma resenha". - seu filme fez bastante sucesso e isso não iria ficar longe da literatura também...
Deadpool: Dog Park segue a linha de alguns dos outros livros da Série Marvel e funciona como um romance autônomo – não acontece dentro de nenhum período específico dos quadrinhos e nem precisa deles para ser compreendido – e tem como Deadpool o seu grande astro. A trama se apresenta de forma bem simples: a S.H.I.E.L.D contrata o mercenário como agente especial para uma específica e importante missão silenciosa de caça a monstros assassinos. - Ué, não é bem assim não, hein! Hey, cara! Seja mais honesto! - Ok! Para ser mais preciso: Deadpool precisa capturar cachorrinhos geneticamente modificados que se transformam em monstros sanguinários a qualquer momento. O problema é que esses filhotes modificados foram vendidos junto com uma leva de outros fofos e totalmente normais, e não dá pra diferenciá-los até que a transformação aconteça. A ideia da trama parece bem simples - E ela é! Bem simples, na verdade! - mas lembre-se que essa é uma história do Deadpool e com ele por perto nada transcorre da forma mais simples e natural. 
Stefan Petrucha transporta para as páginas de seu livro toda a essência do personagem dos quadrinhos. A já citada mente caótica do mercenário, sua alucinações, as piadas infames e a quebra da quarta parede, tudo isso é fundamental para que livro vá além da trama principal. Por mais ação que exista no livro, é o humor o ponto mais forte da obra, e a história ser contada pelo ponto de vista de um homem louco que tem noção que está dentro de um livro é apenas uma amostra disso. O controle da trama está basicamente nas mãos do próprio personagem que chega a discutir com o autor em determinada parte. Apesar de aparentar confusão a narrativa é fácil de ser acompanhada, e não é difícil entrar no clima para aproveitar a leitura fácil.
Dois detalhes bacanas de se notar são as participações (e citações) a outros personagens do universo Marvel e as diversas referências feitas pelo protagonista. Deadpool extrapola os recordes de referências a TV, Cinema, Literatura, e se você não estiver atento perderá esse plus - Mas se perder isso não vai ficar sem entender a trama. Exatamente! Não atrapalha em nada. 
Deadpool talvez tenha sido o livro Marvel que exigiu da Novo Século - do tradutor a aprovação - uma maior atenção aos detalhes gráficos. Não digo isso por se tratar do volume com mais ilustrações ou dos mais belos detalhes gráficos nas divisões de capítulos, mas por todo o cuidado com a tradução e as piadas visuais mantidas. Um exemplo disso, algo pensado pelo autor, é a forma como as vozes da cabeça do Deadpool se apresentam durante seus diálogos internos tradicionais dos quadrinhos. A voz nº 1 é representada pelo negrito enquanto a voz nº 2 é representada pelo itálico. Pensa que é fácil lidar com a loucura do Deadpool? - Com certeza não é! Com toda certeza! - Todo a projeto gráfico do livro ficou muito bacana, capa e diagramação merecem os parabéns, mas a saída para mudança do título foi louvável: para que não sabe o título original, Deadpool: Paws (Deadpool: Patas), faz referência direta a Jaws (o filme Tubarão, no Brasil) mas visto que a piada se perderia tanto na tradução literal quanto no uso do título brasileiro do filme, optaram por modificar a referência cinematográfica e funcionou muito bem.
Se você chegou até Deadpool: Dog Park procurando um livro profundo e com uma trama surpreendente, pode ter certeza que provavelmente deve ter pego o caminho errado em alguma prateleira da livraria. Agora se você está buscando um livro para ler se divertir  e dar algumas risadas, essa é uma boa indicação. Com muita ação, bastante humor, batalhas contra monstros gigantes - E as vozes! Não esqueça das vozes!- e muita, mas muita loucura, Deadpool é uma jornada certa para a diversão!