BEM-VINDO VIAJANTE! O QUE BUSCA NO MULTIVERSO?

Mutantes e Minotauros estão chegando!

Antes tarde do que nunca! A Jambô Editora deu inicio aos trabalhos do ano de 2018, e segundo o cronograma de publicações, muita coisa boa vem por aí nas linhas de literatura, quadrinhos, livros-jogos e, é claro, RPG.
Os primeiros lançamentos já foram anunciados e já estão em pré-venda. Confira!
A Jambô Editora tem o orgulho de anunciar a chegada nas estantes e mesas brasileiras de Mutantes & Malfeitores - Terceira Edição.
O livro básico do melhor e mais completo RPG de super-heróis está agora em sua nova edição, com regras aprimoradas e revisadas, que permitem aos jogadores e mestres criarem qualquer tipo de super-herói (ou vilão), com mecânicas detalhadas para qualquer tipo de superpoderes ou habilidades especiais.
Mutantes e Malfeitores é o mais elogiado e querido RPG de super-heróis está de volta em sua melhor versão (mas sem crises ou reboots infinitos) e o novo livro básico é tudo que o jogador (e mestre) precisa para começar suas campanhas super-heroicas do seu estilo preferido, podendo passar para a mesa de jogo qualquer saga inspirada pelos quadrinhos, animações, séries ou filmes. Basta só escolher os personagens e os poderes e se preparar para combater o crime.
A versão brasileira do livro segue fielmente original americano, com páginas internas coloridas e papel de qualidade, tudo num preço acessível para todos os fãs de RPG e de supers.
Seja detendo uma invasão alienígena, salvando o universo de um vilão insano ou enfrentando uma gangue de zumbis nazistas ciborgues, Mutantes e Malfeitores – Terceira Edição é a melhor opção em RPG de super-heróis!
Mutantes e Malfeitores - Terceira Edição tem 224 páginas coloridas e capa cartão (no formato 18,5 x 27,5 cm).
Tapista é o reino dos minotauros de Arton. Uma nação autoritarista e militarista, que ainda mantém a escravidão como uma das bases de sua cultura, revoltando os reinos vizinhos. Um império que dá mais valor para a força do que a vida. E é nesse reino cruel que um escravo tem a chance de ganhar a liberdade, de receber de volta a própria vida! Mas, para isso, ele precisa sobreviver ao Labirinto de Tapista, uma construção imensa que separa o reino do resto do mundo, uma muralha da espessura de uma cidade, que segue a lógica errática dos minotauros, sendo o maior labirinto do mundo.
E nesse livro-jogo, o leitor assume o papel do escravo em busca da liberdade em uma aventura cheia de enigmas e ameaças, enfrentando não apenas corredores ziguezagueantes, mas também perigos que jamais imaginou que existia! Um lançamento da Jambo Editora que revela mais do reino onde a piedade é um artigo raro e a vida é tratada como uma posse.
O Labirinto de Tapista é o terceiro livro-jogo ambientado no mundo de Arton, produto oficial de Tormenta, que além de mostrar a cultura do reino dos minotauros, traz mecânicas inéditas para tornar a experiência do leitor cada vez mais emocionante.
Um fantástico livro aventura, escrito por Lucas Borne, com arte interna de Adriano Batista, Leonel Domingos e Walter Pax, com capa de Ursula Dorada.
O Labirinto de Tapista tem 240 páginas (formato 21 x 25 cm, preto e branco).
Se quiser saber mais, ou garantir o seu exemplar, aproveite que até o dia 29/06 tanto Mutantes & Malfeitores 3ª Edição quanto O Labirinto de Tapista estão com valores promocionais para as versões Física, Digital e Combo. Que a aventura comece!

Financiamento Coletivo: Araruama - O Livro das Raízes



Titulo: Araruama - O Livro das Raízes
Editora: Moinhos
Autores: Ian Frase
Tipo: Literatura 


Que tal esquecer as fantasias repletas de elfos, anões e os tradicionais dragões e embarcar em uma nova experiência de literatura fantástica baseada nas culturas sulamericanas pré-colonização? Em tempos de valorização cultural e reconhecimento de identidade, chega a nós via financiamento coletivo a sequencia de uma saga instigante. Trata-se de Araruama - O Livro das Raízes!
Em Araruama, você irá encontrar outros tipos de seres fantásticos, todos inspirados nas culturas e mitologias nos povos sul e mesoamericanos. Mapinguarís, Quetzalcoatl, Anhangüeras, entre outros, permeiam esse universo singular. Nessa reimaginação da América do Sul, ao olhar para os céus, dependendo de sua sorte (ou azar), você não verá dragões, mas poderá encontrar Aráybaca, a gigantesca arara azul, e do chão, dos abismos mais escuros da terra, o Taturanaruxu pode emergir.
Um mundo completamente novo, repleto de segredos e mistérios, aguarda por você.
O livro terá cerca de 300 páginas e inclui nome ilustrações do artista Paulo Torinno e terá o trabalho de edição da Editora Moinhos. Confira um pouco sobre a trama:
O Turunã está aqui. Kaluanã, Batarra Cotuba, Izel Pachacutec, Apoema, Kurumã, Eçaí, Najoch Su’uk, Urquchillay Ch’aska e Ook Séeb devem mostrar toda a força de suas luzes e todos os conhecimentos que aprenderam durante seus anos de sementes. A mata se apresenta como um mistério a ser desvendado; feras andam nas sombras, apenas aguardando o momento certo para atacar; a fome e a sede acompanham cada passo dado; e, no horizonte do amanhã, há uma ameaça amarela que incomoda os pulmões e a vida das sete tribos.
No centro da trama, dois grupos de aprendizes que desbravam as matas da Ibi em busca dos seus eçapira, o presente que um receberá de Majé Ceci no fim do Turunã – só então eles poderão bater a mão no peito e gritar eu sou guariní. O primeiro grupo é liderado por Izel Pachacutec, conhecida por todos pela alcunha Guarapyrupã, a matadora de guarás. Dona de um espírito forte, Izel encontra dificuldades ao lidar com Kaluanã, homem destinado a ser o líder das sete tribos e que não faz questão alguma de controlar a sua língua. Lutando para manter a paz entre os dois está Batarra Cotuba, o gigante de Buiagu, e Urquchillay Ch’aska, uma mitanguariní de Mboitatikal.
Após um trágico combate, Apoema se vê obrigada a assumir a liderança de seu grupo, fardo que ela nunca desejou. Controlar os exanhé desafiadores de Ook Séeb e Eçaí irá colocar seus talentos à prova. A mulher, no entanto, pode contar com o apoio e amizade de Opira, amiga de longa data, e Najoch Su’uk, nativa de Tucuruí e dona de palavras sábias.
Desgarrado de todo o mundo conhecido, Obiru vive os perigos e as maravilhas da vida como um teçá. Renegado da convivência tribal, o capanema se vê obrigado a aprender a sobreviver sozinho, desbravando lugares e sentimentos que ele jamais acreditou conhecer. Seu tempo de vida escorre rapidamente com a aproximação de seu aman paba, mas o jovem sabe que ele ainda tem um grande papel a exercer sobre a Ibi.
Longe da vida no Turunã, as tribos da Ibi se veem em uma crescente tensão. As repercussões do ataque a Buiagu incendeiam os ânimos dos abaetê; os filhos de Aram e os filhos de Airequecê estão caminhando para uma guerra e o horizonte é uma promessa vermelha.
Você pode ainda não conhecer o autor, mas não falta reconhecimento ao trabalho deste conterrâneo. Nascido em Salvador, Bahia, Ian Fraser é formado em Cinema & Vídeo e fundador do canal Teclado Disléxico no youtube. Seu primeiro romance, O Sangue É Agreste, venceu o Prêmio Jovem Autor Inédito pelo Selo João Ubaldo Ribeiro, criado pela Prefeitura de Salvador. Ian Fraser também escreveu e produziu a peça “A Máquina Que Dobra o Nada”, sucesso de crítica e vencedor do Prêmio Braskem de Teatro, a maior premiação do teatro baiano, na categoria Melhor Espetáculo Infantojuvenil. Por fim, teve uma campanha muito bem sucedida durante o financiamento do primeiro volume da série.
Caso ainda esteja em dúvida sobre apoiar ou não o projeto, você pode conferir a opinião de alguns nomes conhecidos entre os booktubers - os youtubers literários - sobre o volume anterior dessa série obra, como Tatiana FeltrinVictor Almeida, do Geek Freak, JotapluftJu Cirqueira, do Nuvem Literária. Além disso, é claro, você pode conferir a nossa resenha de Araruama: O Livro das Sementes.
Para quem não conhece, o funcionamento de um financiamento coletivo é simples: os objetivos são esclarecidos na página da campanha e as recompensas são apresentadas, o apoiador escolhe entre as possibilidades com quanto irá contribuir já sabendo qual será a sua recompensa. Quando a meta não é alcançada o dinheiro é devolvido, e em algumas campanhas quando o valor estipulado é ultrapassado metas extras bonificam aqueles que contribuíram (não necessariamente todos, isso varia de recompensa para recompensa e de campanha para campanha).
Para participar do financiamento de Araruama - O Livro das Raízes, basta escolher um dos pacotes de recompensas disponíveis, com valores entre R$15 e R$ 1.500, que dão direito a recompensas variadas como exemplar digital da obra, livro físico, artbook, calendário, aventura de RPG até uma estatueta exclusiva e a marca da sua empresa estampada no produto. Basta escolher o apoio que contemple aquilo que seja do seu interesse e caiba no seu bolso.
A campanha ficará disponível por mais 59 dias no Catarse (a contar de 22/06) e tem entrega de recompensas prevista para Outubro de 2018. Agora que você já está por dentro de tudo confira a página do projeto no Catarse (https://www.catarse.me/araruama2) e descubra mais informações: quais exatamente são as recompensas, detalhes sobre como seu dinheiro será investido, artes etc.
Apoie, divulgue, e ajude a Araruama - O Livro das Raízes a alcançar o seu objetivo!

Araruama - O Livro das Sementes


Em Araruama, o momento do nascimento é um ritual sagrado. Monâ, a mãe do tempo e de todas as coisas, costura a duração de vida dentro do corpo de cada criança. Ao som das palavras de Majé Ceci após o parto, cada destino é selado: Kaluanã, nascido para uma vida mais longa que os números podem dar conta; Obiru, o capanema que morrerá jovem, destinado a descascar mandioca sob o olhar de desgosto do pai; Apoema, a que vê além e sonha em voar.
Em O Livro das Sementes, o primeiro volume da série, o leitor é transportado para uma realidade dura e encantada, onde as palavras são magia, a floresta é o mundo e forças determinam o equilíbrio da Ibi, a terra. A harmonia se baseia nas regras dos deuses, onde morte e vida, caça e caçador convivem até que a luz se apague.
Mas este ciclo tão familiar pode estar com os dias contados, pois sobre a Ibi se espalha um sentimento novo e incômodo: uma “fome sem apetite”, uma paixão pelas pedras derretidas. É o anúncio de que tempos sombrios estão por vir, sob formas nunca vistas antes – e os destinos das crianças de Araruama estão tão entrelaçados como raízes retorcidas.
Título: Araruama - O Livro das Sementes
Autor: Ian Fraser
Editora: Moinhos
Páginas: 228


As vezes uma história pode ser maior que as páginas que a contem. Assim é com Araruama - O Livro das Sementes, obra do conterrâneo soteropolitano Ian Fraser.
Em um tempo encantado onde as coisas tinham outros nomes e as histórias eram passadas às gerações através da oralidade, quando deuses não eram só lendas e as sete tribos dos homens habitavam a Ibi em harmonia, uma nova história começou a ser construída.
Nesse tempo fantástico e ainda cru, todas as crianças das tribos passam pelo ritual do amam paba ao nascer. As Majé, às sábias curandeiras agraciadas por Monâ, conseguem dizer o tempo natural de vida de cada recém-nascido. O aman paba é a base para toda a sociedade, e ajuda a estabelecer os papéis nas tribos: quem tem o maior aman paba está destinado a grandezas enquanto os de menor aman paba não são dignos de receber qualquer aprendizado.
Quando os ventos da mudança sopram com força trazendo consigo uma sombra e sentimentos ainda sem nome, acompanhamos o crescimento e desenvolvimento de crianças de tribos e posições distintas, que terão que provar sua honra e força enquanto o mundo esta prestes a mudar. As sementes da criação daquilo que um dia será Araruama.

Com uma narrativa por vezes bela e poética, Ian Fraser cria em Araruama um universo fantástico e original profundamente rico em detalhes e descrições, com raízes cravadas na cultura dos povos indígenas, fauna e flora das Américas. Ao mesmo tempo em que somos apresentados a um cenário novo e cativante, a obra traz uma gostosa sensação de proximidade, e consegue despertar o interesse pelas culturas que o inspiraram.
A escrita do autor é envolvente e encantadora, e, apesar da dificuldade causada pelo vocabulário próprio presente na obra, nos enreda e nos transporta para a história daqueles jovens, especialmente os cinco que ganham maior destaque através dos capítulos que os acompanham. Fraser consegue fazer um excelente uso de uma obra tão curta, pouco mais de duzentas páginas, ao entregar diversas histórias, cada qual com a sua característica particular, desenvolvendo todos os elementos de forma satisfatória, e nos deixar instigados por mais.
Durante a leitura, fui conquistado por cada detalhe dessa construção de mundo bem executada, pela originalidade e fuga da fantasia de ares europeus, pela poesia e paixão transmitidas através das palavras, mas também pelos personagens que guiam a trama e as reflexões trazidas em seu desenvolvimento. Obiru, Apoema, Kaluanã, Eçaí e Batarra Cotuba, e também aqueles coadjuvantes que os cercam, são personagens muito bem trabalhados e é difícil não se conectar com ao menos um deles em algum nível durante suas jornadas particulares.
A capa e ilustrações de Paulo Torinno, bem como os elementos internos do trabalho gráfico, reforçam o tom fantástico e característico da obra.
Ultrapassada a barreira do estranhamento inicial, Araruama: O Livro das Sementes se mostra uma obra de fantasia singular e primorosa, que supera seus problemas menores e se destaca não apenas por sua proposta, mas pela qualidade do que é entregue. Uma leitura muito mais do que recomendada, em especial a todo bom amante da fantasia, e o inicio de uma auspiciosa jornada.

A Insustentável Leveza do Ser

Sobre este romance, Italo Calvino escreveu: "O peso da vida, para Kundera, está em toda forma de opressão. O romance nos mostra como, na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela leveza acaba bem cedo se revelando de um peso insustentável. Apenas, talvez, a vivacidade e a mobilidade da inteligência escapam à condenação - as qualidades de que se compõe o romance e que pertencem a um universo que não é mais aquele do viver" (Seis propostas para o próximo milênio). O livro, de 1982, tem quatro protagonistas: Tereza e Tomas, Sabina e Franz. Por força de suas escolhas ou por interferência do acaso, cada um deles experimenta, à sua maneira, o peso insustentável que baliza a vida, esse permanente exercício de reconhecer a opressão e de tentar amenizá-la.

Título: A Insustentável Leveza do Ser
Título Original: Nesnesitelná lehkost bytí
Autor: Milan Kundera
Tradução: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017 / Páginas: 344


Fazendo do existencialismo o seu grande tema neste romance com ares de crônica, o escritor tcheco Milan Kundera nos leva por uma trama em que as vidas de quatro personagens entrelaçam-se tanto pelas suas próprias escolhas quanto pelo mais puro acaso com suas idas e vindas amorosas servindo de ponto de união e também de extrapolação para diversas metáforas filosóficas num estilo que me lembrou Dostoiévski e Goethe.
Escrito em 1982, A Insustentável Leveza do Ser se tornaria o trabalho mais popular de Kundera, na época exilado de seu país natal (após a ocupação Russa na Tchecoslováquia e por oposição ao totalitarismo soviético ao qual era um crítico ferrenho) e residindo na França. Este livro traz muito deste contexto histórico e político pela trama se passar justamente entre as cidades de Praga e Zurique, com eventos partindo do ano de 1968 e atravessando boa parte dos anos de Guerra Fria na Europa até o começo dos anos 1980.
Nele conhecemos Tomas um cirurgião e intelectual checo afeito a aventuras amorosas por quem a jovem Tereza apaixona-se e logo se casa, abandonando a vida de garçonete e passando a trabalhar como fotógrafa para uma revista. Também somos apresentados a Sabina, uma artista plástica devotada a arte, mas emocionalmente desconectada dos outros apesar de manter um relacionamento esporádico com Tomas e Franz, um professor e idealista político de Genebra. As idas e vindas destes quatro protagonistas ao longo de anos e em meio ao clima de tensão política daqueles dias dão corpo ao enredo, que na verdade é um mero pano de fundo, uma metáfora humana para o autor demonstrar entre outras coisas as ideias de como a vida é um rascunho de si mesma, jamais podendo ser vivida por inteiro, de que o eterno retorno é um mito impossível, e de que conceitos humanos tais como o amor, a liberdade e destino são frágeis.
Todos os personagens são um tanto egoístas, anseiam por coisas bem diferentes em suas vidas e tem visões de mundo paradoxais as quais se apegam de modo a criar para si mesmos um modelo de mundo compreensível e no qual possam avançar. Algumas vezes fica difícil entender como personalidades tão diferentes podem compartilhar tantos anos juntos ao passo que é fácil entender como o amor idealizado nutrido por alguns deles pode facilmente ser corroído pelas arestas do relacionamento nestas condições. Amar e sofrer são dois lados da questão ambivalente da leveza e do peso presente em toda obra. Contrastes que precisam um do outro para serem eles mesmos e magnificamente demonstrados na trama ainda que não concordemos ou aceitemos de pronto algumas atitudes e concessões dos personagens, mas que se pensarmos bem só reproduzem o caos e a ambiguidade da própria realidade e da vida cotidiana de todos nós em maior ou menor grau.
Recorrendo a figuras como Parmênides e Nietzsche, Kundera aborda sobretudo três grandes temas filosóficos enquanto narra a vida de seus personagens: a dualidade do peso e da leveza, a questão do eterno retorno e uma análise aprofundada da compaixão humana. Os pontos mais incômodos de ler foram as passagens relacionadas à invasão russa na Tchecoslováquia, demasiadamente arrastados em comparação às outras, mas que são de fundamental importância para o desenrolar da trama e desenvolvimentos dos personagens e cujos problemas dela oriundos infelizmente ainda encontram assustadores paralelos com o mundo atual.
Estruturalmente este é um romance não linear dividido em sete capítulos sendo cada um deles focado em um (ou em alguns casos mais de um) personagem. O autor reconta alguns fatos e eventos da vida deles diversas vezes, mas com perspectivas diferentes, adicionando novos elementos ou contextos a cenas já conhecidas. Isso não apenas exige um ótimo domínio da narrativa e dos personagens como também proporciona uma maior complexidade psicológica a todos eles. O narrador interrompe a trama para discutir alguns pormenores interessantes sobre os próprios personagens, relembrando-nos, leitores, de que aquelas não são pessoas reais, são personagens, apenas para logo em seguida retomar com a história, e ele faz isso de forma curiosamente bem natural! No Brasil os livros de Milan Kundera são publicados pela Companhia das Letras e este ganhou recentemente uma nova edição em capa-dura e um novo projeto gráfico pela editora.
Seja pelos seus personagens imperfeitamente humanos, críveis e profundamente complexos, seja pelo indissociável pano de fundo filosófico que permeia as vidas dos mesmos, ou pela escrita simples, mas contundente, A Insustentável Leveza do Ser merece ser lido e degustado em detalhes e com atenção. Entre os temas principais, além dos relacionamentos amorosos merecem destaque a arte, a política e a própria condição do ser e do existir humano, bem como as dualidades opostas e contrastantes que em certas ocasiões se tocam de forma insustentável, tal como o peso e a leveza já expressos poética e metaforicamente no título. Acima de tudo este é também um romance sobre desilusões. Seja na arte, na política, no amor, no trabalho e nas aspirações e filosofias de vida de cada um dos personagens e também de nós mesmos. Ninguém escapa do fardo insustentável que é ser a si próprio por mais leve e sublime que sejam os poucos momentos que passamos na Terra.

Um Planeta em Seu Giro Veloz


Um unicórnio, um menino e o vento, juntos em uma só velocidade!
Quando Charles Wallace Murry, agora com quinze anos, grita em desespero a invocação de uma antiga runa para afastar a escuridão, uma criatura radiante aparece. É Gaudior, unicórnio e viajante do tempo. Charles Wallace e Gaudior devem viajar até o passado através dos ventos do tempo e tentar encontrar um Pode-Ter-Sido, um momento do passado em que todos os eventos que se seguiram até o presente podem ser mudados, e o futuro da Terra – esse pequeno planeta em seu giro veloz – pode ser salvo.

Título: Um Planeta em Seu Giro Veloz - Uma Dobra No Tempo #3
Título original: A Swiftly Tilting Planet - Time Quintet #3
Autora: Madeleine L’Engle
Ano: 2018
Editora: Harper Collins
Páginas: 272


Após trabalhar com conceitos de ruptura espacial para longas distâncias e relativizar sobre as dimensões e grandezas do universo, Madeleine L’Engle nos transporta através dos não mais dos Ondes, mas dos Quandos, ao romper abarreira do tempo na nova aventura dos Murry. 
Cerca de 10 anos depois dos eventos de um Um Vento à Porta, voltamos encontrar aqueles personagens que conhecemos, porém obviamente algumas coisas mudaram nesse tempo. Meg Murry já não é mais uma garotinha, a adolescência já a deixou a algum tempo e as dúvidas dessa fase também. Agora é uma mulher segura de si, casada com Calvin O'Keefe e está nas últimas semanas de gestação de sua primeira gravidez. Assim como seus irmãos Sandy e Dennys, agora na faculdade, Meg está de volta ao lar para o jantar de Ação de Graças com a família; como seu marido está em Londres para apresentar um seminário, sua sogra irá ao jantar também.
É durante a reunião que o Sr. Murry recebe um telefonema do presidente dos Estados Unidos avisando-o sobre um possível ataque nuclear e o que era pra ser uma noite tranquila se torna uma noite de apreensão. Haverá um mundo amanhã para a criança de Meg nascer?
No que depender do jovem Charles Wallace Murry, agora com 15 anos, seu sobrinho ou sobrinha irá nascer com saúde em mundo sem problemas. Após receber da Sra. O'Keefe a runa de São Patrício capaz de afastar a escuridão, o garoto encontra o unicórdio Guadior e juntos devem viajar no tempo para mudar os rumos da história ao encontrar o Pode-Ter-Sido.
Como de praxe, uma louca viagem quase sem explicação tem início. Para impedir esse grande mal, será preciso superar suas limitações, reforçar suas conexões e aprender que uma mínima ação é capaz de mudar todo o futuro.
Com um ar renovado e um pouco menos confuso, Um Planeta em Seu Giro Veloz, apresenta uma trama mais madura que seus antecessores, trazendo um clima tenso e sombrio, mas sem abandonar a fantasia e espiritualidade comuns a série.
Por sinal, apesar de trabalhar com a temática de viagens no tempo, Madeleine L’Engle abraça muito mais o seu lado fantástico para conduzir sua narrativa do que o científico, mesmo o principal conflito da obra sendo a possibilidade de um extermínio fruto de um ataque nuclear. Como um padrão, a linguagem do texto se mantém simples e clara, e mais uma vez entrega uma narrativa ágil e envolvente. Porém, apesar de todo avanço técnico da autora, ainda se faz necessário o máximo de atenção aos detalhes para não se perder entre as explicações mirabolantes e também na falta delas. Nem tudo é, e nem tem a intenção de ser explicado. 
A obra se mostra mais madura também no trabalho com ambientação e personagens, acrescentando um pouco mais de detalhes, mesmo que rapidamente, sobre os coadjuvantes. Mesmo distantes, a ligação entre Meg e Charles Wallace é muito bem explorada através de recursos fundamentais para o desenvolvimento da trama, fazendo-os se ora personagens ativos ora passivos acompanhando os diversos passados e seus personagens. A escolha por vezes torna o protagonismo dos Murry um pouco diluído, mais valoriza a trama em sua variedade de pontos de vista e mistérios.
A influência do momento histórico em que vivia a autora, visto de forma mais sutil e indireta nos volumes anteriores, aqui é referenciado de forma mais direta com a situação que gera o conflito principal. É fácil traçar paralelos com o clima de tensão da guerra fria e a crise dos misseis de Cuba, e entender um pouco melhor a importância das mensagens de esperança presentes na obra mesmo frente a tempos nebulosos. 
Para não perder o cortume, vale ressaltar que a edição da Harper Collins Brasil mantém seu padrão de qualidade e beleza, desde a capas e aos mínimos detalhes do acabamento, arte interna das divisões de capítulos e diagramação. A beleza salta aos olhos e praticamente vendem a obra ao primeiro contato.
Um Planeta em Seu Giro Veloz é um salto em relação a seus antecessores, consegue adicionar um pouco mais de peso a aventura mágica dos Murry, sem esquecer do cerne carregado de mensagens relevantes e conceitos extraordinários. Ao fim, é bem provável que assim como eu, o leitor se veja curioso com os novos rumos que as aventuras tomam, e se sinta empolgado a conhecer os outros volumes dessa série. 

Um Vento À Porta

Charles Wallace está em perigo. E o mundo todo também.
Quando a família Murry pensava que os problemas haviam terminado, um novo desafio surge. Charles Wallace agora tem seis anos de idade e na escola o menino se tornou um problema. Sofrendo bullying constante, Meg acha que o novo diretor da escola deveria ser responsável pelo menino, mas Charles Wallace fica terrivelmente doente antes que ela possa ajudá-lo.
Mas há algo estranho acontecendo. Charles Wallace diz a Meg que há dragões no quintal de casa e ela descobre que os dragões na verdade são Proginoskes, querubins feitos de asas, vento e chamas. E mais uma vez este é só o começo de uma nova aventura, onde Meg e seu amigo Calvin precisam correr contra o tempo para salvar seu irmãozinho. E, para fazer isso, eles devem partir em uma viagem para dentro do corpo do menino e lutar para restaurar a brilhante harmonia do universo.
Junte-se a Meg, Calvin e Charles Wallace nesta nova aventura repleta de seres incomuns, mundos novos e muitos heróis que precisam ultrapassar seus medos para salvar o mundo!
Título: Um Vento À Porta - Uma Dobra No Tempo #2
Título original: A Wind in the Door - Time Quintet #2
Autora: Madeleine L’Engle
Ano: 2018
Editora: Harper Collins
Páginas: 224


Os Murry estão de volta em um livro tão confuso, complexo e encantador quanto o anterior. Não há porque começar de outra forma ou tentar negar algo que, ao que tudo indica, é intrínseco a série. Acredite, isso não é nem de longe um problema, principalmente se entendidas todas as questões ligadas a essas obras. Eu explico melhor adiante.
A trama narrada em Um Vento à Porta nos traz para a vida de Margaret Murry um ano após os eventos narrados em Uma Dobra no Tempo. Agora com 13 anos, Meg já não enfrenta todos aqueles problemas para se encaixar e se encontrar, as dificuldades na escola estão menores e agora ela tem a companhia de Calvin O'Keefe lhe dando mais firmeza, porém uma coisa ainda a preocupa: o pequeno Charles Wallace, seu irmão mais novo.
Agora na escola, Charles Wallace anda enfrentando alguns problemas. Ser um garoto de QI elevado no meio de uma pequena escola em uma comunidade rural não o ajuda, ainda mais quando até os professores não entendem bem suas histórias sobre células, mitocôndrias e farandolas. O garoto é alvo constante de bullying e ninguém parece se importar com aquilo tanto quanto Meg, que culpa a direção da escola e sua não intervenção. Além de tudo isso, Charles vem apresentando sinais de cansaço repentinos que vem deixando sua mãe preocupada.
Enquanto tenta provar para a irmã que os dragões que viu no quintal não são fruto de sua imaginação ou doença alguma, Charles, Meg e Calvin se deparam com coisas ainda mais surpreendentes. Em primeiro lugar os dragões são na verdade um Querubim feito de asas e chamas chamado Proginoskes que está aqui para aprender e ajudá-los. Segundo, seres malignos chamados Ectroi estão colocando em risco todo o universo, e deixando Charles Wallace doente. 
E assim, mais uma vez, como uma louca viagem quase sem explicação, a aventura desse destemido trio começa. Para impedir esse grande mal, será preciso superar suas limitações e aprender que a grandeza do universo reside até mesmo das menores partes de uma célula. Mesmo que essa célula esteja dentro de Charles Wallace...
É muito difícil falar sobre Um Vento à Porta sem repetir algumas coisas que foram ditas na resenha de Uma Dobra no Tempo. É evidente um amadurecimento na narrativa da autora e na forma de trabalhar seus conceitos, mas ainda é necessário entender que trata-se de uma obra carregada de fantasia, encantos e um ar infantil - não que isso o torne menos complexo - até mesmo para poder aproveitá-la devidamente. 
Novamente, Madeleine L’Engle trabalha bem conceitos científicos e os mescla com a fantasia e a espiritualidade durante a narrativa para criar uma aventura interessante e trazer mensagens positivas importantes para os jovens. Algo que reforça o ar de fábula moderna à série. A linguagem do texto é simples e clara, e mais uma vez entrega uma narrativa ágil e, apesar de alguns percalços, envolvente. Contudo, por mais evidente que o avanço técnico da autora esteja, algumas descrições permanecem confusas e demandam atenção maior, e a falta de explicações mais aprofundadas de algumas questões ainda incomoda. 
A ambientação ganhe mais atenção, L'engle foge do macro para o micro e acerta ao encarar o mundano e ao reforçar que o fantástico e científico na sua criação de mundo. As personagens principais mostram aqui um pouco mais de desenvolvimento e exploram suas características de forma que evidencie sua evolução sem perder a essência, para bem ou para o mal. E não se assuste se não encontrar alguns dos personagens presentes em Uma Dobra no Tempo. Apesar de comporem uma série e trazerem os Murry como protagonistas, cada história tem a intenção de ser independente com uma aventura fechada em si, apresentado todos seus elementos fundamentais e permitindo inclusive que leitura possa ser feita em qualquer ordem.
Porém acredito que o grande trunfo da obra, bem como da série, não resida na trama e nem mesmo em seus elementos base, mas sim nas mensagens e ensinamentos presentes na narrativa e a forma sensível a qual são trabalhados. Lições sobre o respeito a individualidade alheia, sobre a importância da união para qualquer progresso, sobre o amor ao próximo e o diálogo com resposta primária e não como uma opção destacável frente a qualquer conflito mínimo. Lições que trazer excelentes reflexões sobre o ser humano e mundo em que vivemos.
A edições da Harper Collins Brasil mantém seu padrão de qualidade e beleza desde a capas e aos mínimos detalhes do acabamento, arte interna das divisões de capítulos e diagramação.A beleza salta aos olhos e praticamente vendem a obra ao primeiro contato.
No somar dos pontos, Um Vento à Porta sai com um saldo positivo e executa com sucesso a tarefa de entregar, assim como seu antecessor, uma aventura mágica e despretensiosa, repleta de mensagens relevantes e conceitos extraordinários. Assim, mais uma vez, me vi envolvido e convidado a seguir com leitura da série para acompanhar e entender mais este universo e seus personagens. 

Multiverso X.:34 - O Fundo do Céu, A Louca e O Cavaleiro



Reproduzir Em Uma Nova Aba - Faça o Download - Arquivo Zip
 
No episódio de hoje o capitão Ace Barros, Airechu, Camila Loricchio, Julio Barcellos e Hall-e, se juntam para mais um podcast de indicações. Dessa vez nossos destemidos exploradores se enveredam pelo universo da literatura e trazem das páginas três indicações: O Fundo do Céu, A Louca da Casa e Le Chevalier.
Ouça e tente entender com o Airechu como poliamor, ficção científica que não é ficção científica e o deslocamento temporal estão interligados; descubra um pouco mais sobre a escrita, a vida de um autor e quantos M a autora conheceu com a Camila; embarque para uma frança vapor com mico metálico em seu ombro,  desvende mistérios e una-se ao bureau com o Ace. 
Acompanhe-nos, estimado explorador de universos!

DURAÇÃO: 1 hora 08 Minutos 11 Segundos

ABORDADOS NO CAST:

(52 seg) O Fundo do Céu - Skoob - Goodreads - Compre na Amazon 
(22min 41seg) A Louca da Casa - Skoob - Goodreads - Compre na Amazon
(42min 53seg) Le Chevalier e a Exposição Universal - Skoob - Goodreads - Compre na Amazon - AVEC Editora
Le Chevalier: Arquivos Secretos Vol. 1 - Skoob - Goodreads - Compre na Amazon - AVEC Editora

NOSSA CONVIDADA:

Camila Loricchio
Site - Twitter: @camiaetria - Instagram: @castelodecartas - Facebook - Livros: Trilogia Castelo de Cartas

A TRIPULAÇÃO NAS REDES:

Twitter: @MultiversoX @CapAceBarros - @_Airechu - @JulioBarcellos - @id_diogo
Instagram: @multiversox - @_airechu @juliobarcellos @id_diogo
Facebook: Multiverso X

QUER O FEED PARA ADICIONAR NO SEU AGREGADOR FAVORITO?

Assine o nosso feed: feeds.feedburner.com/multiversox/podcast

SUGESTÕES, CRÍTICAS E DÚVIDAS:

Envie e-mails para: contato@multiversox.com.br


Livros-Jogos - Para conhecer vá para a página 46





Parte romance, parte jogo, total diversão! Clássicos escritos por Ian Livingstone e Steve Jackson, parte da série Fighting Fantasy ou não, os Livros-Jogos são romances interativos onde você - o leitor - é quem, literalmente, vai guiar os rumos da trama.
Se você for um pouco mais velho e tenha vivido sua infância e adolescência nos anos 90, provavelmente já os conhece. Os Livros-Jogos figuraram como uma das principais portas de entrada para o mundo do RPG e formou uma boa leva de jogadores naquela época. Com simplicidade, alto fator de diversão e a emocionante oportunidade de fazer parte da aventura, os volumes introduziam com sutileza e facilidade os principais conceitos das mecânicas de regras. Além de tudo, era possível jogar sozinho e em qualquer lugar!
Um Livro-Jogo é único, pois oferece ao leitor a chance de abandonar a postura tradicionalmente passiva das leituras dos romances normais e assumir o papel do protagonista, participando dos eventos da narrativa. São suas escolhas que o levarão à etapa seguinte e assim por diante podendo chegar a finais variados ou destinos cruéis. Dentro de um livro-jogo VOCÊ é o herói!
Para quem ainda não entendeu bem, vou tentar explicar. Os livros-jogos misturam a emoção de uma boa leitura com a liberdade dos jogos de RPG, com o diferencial que pode ser lido/jogado sozinho e sem toda interpretação que envolve um RPG convencional. O que você prefere: entrar pela porta da esquerda ou da direita? Enfrentar aquele esqueleto que impede sua passagem ou tentar se esgueirar por um alçapão? Opções serão dadas através do uso de referências numeradas, mas a escolha de qual caminho seguir é toda sua. No fim de cada referência há uma lista de opções e são suas escolhas que o levarão a etapa seguinte e assim por diante podendo chegar a finais variados.
Além do livro, lápis e borracha são tudo de que você precisa para embarcar em uma emocionante aventura. Para não ficar perdido e solto demais na imaginação existe um sistema de combate e uma ficha de aventuras para anotar seus valores de características, além de suas vitórias e derrotas. E para auxiliá-lo com tudo isso, precisará de um dado. Não! Não é necessário ter um dado com você sempre que estiver lendo, para isso existem regras alternativas tão simples de serem seguidas quanto as anteriores.
Onde fica a parte do romance? Ora, mais que pergunta! Nenhuma trama se desenvolve apenas na base de conflitos e é nesse espaço que os livros aproveitam para enriquecer e aprofundar o enredo, apresentar coadjuvantes, sejam aliados ou antagonistas, trabalhar cenário e envolver o leitor. Por mais breve que seja a jornada, uma boa ambientação é fundamental.

Como já citado, a Jambô vêm trazendo de volta esta linha clássica já há algum tempo, com diversos lançamentos que você pode conferir e comprar na LOJA ONLINE da Editora ou procurar na sua livraria de preferência, pois eles estão disponíveis "nas melhores casas do ramo". Além disso, as novidades não param por aí. A editora tem investido em  produtos nacionais e o mais famoso cenário de RPG do Brasil - Tormenta - vai ganhar em breve o seu primeiro Livro-Jogo, mas sobre isso falaremos na próxima postagem...