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Alerta de Risco: Contos e Perturbações

É com palavras assim que Neil Gaiman apresenta Alerta de risco, uma rica coletânea de histórias de terror e de fantasmas, ficção científica e conto de fadas, fábula e poesia que exploram o poder da imaginação.
Em “História de aventura”, Gaiman pondera sobre a morte e sobre como, ao morrer, as pessoas levam consigo suas histórias. No suspense “Caso de morte e mel”, ele nos presenteia com sua versão do mundo de Sherlock Holmes. Em “A Bela e a Adormecida”, duas conhecidas personagens de contos de fadas têm suas histórias entrelaçadas em uma releitura bastante original. “Hora nenhuma” é um conto muito especial sobre Doctor Who, escrita para o quinquagésimo aniversário da série de tevê, em 2013. E há também um conto escrito exclusivamente para esta coletânea: “Cão negro”, que revisita o mundo de Deuses americanos ao narrar um episódio que envolve Shadow Moon em um bar durante seu retorno aos Estados Unidos.
Um escritor sofisticado cujo gênio criativo não tem paralelos, Gaiman hipnotiza com sua alquimia literária e nos transporta para as profundezas de uma terra desconhecida em que o fantástico se torna real e o cotidiano resplandece. Repleto de estranheza e terror, surpresa e diversão, Alerta de risco é um tesouro que conquista a mente e agita o coração do leitor.
Título: Alerta de Risco: Contos e Perturbações
Título Original: Trigger Warning: Short Fictions and Disturbances
Editora: Intrínseca
Autor: Neil Gaiman
Tradução: Augusto Calil
Ano: 2016 / Páginas: 304


Imagino que leitores de resenhas de livros sejam pessoas que assim como eu gostam de saber onde estão se metendo antes de embarcar imprudentemente em certos tipos de leituras pelos mais variados motivos. Talvez queiramos saber quais temas o autor aborda, se sua escrita é acessível, se o investimento em tempo e dinheiro e a jornada valem a pena, se vamos nos emocionar e ser tocados no percurso. De certa forma, ler resenhas é uma forma de nos prepararmos para o que nos espera a seguir, afinal alguns livros são difíceis, outros são chocantes demais, outros simplesmente não vão valer o nosso esforço ou não vão nos interessar e assim por diante.
Na internet, quando um determinado conteúdo se mostra capaz de incomodar alguns tipos de público mais sensíveis é comum que ele venha precedido com um aviso, um trigger warning, na expressão em inglês, de que aquilo pode perturbar, causar nojo, medo, pânico e até desencadear reações físicas involuntárias. Assim cabe ao usuário avaliar se ele quer ou não prosseguir e se responsabilizar pelas consequências de sua escolha.
Em Alerta de Risco: Contos e Perturbações, Neil Gaiman se inspira nesta ideia dos trigger warnings para compilar alguns de seus textos mais recentes, outrora publicados de forma avulsa em diversos outros lugares, na forma duma coletânea de contos. Enquanto escrevo sobre ele me pergunto se esta resenha não seriam uma espécie de trigger warning para o livro, talvez sim, talvez não, mas deixo a resposta a cargo de você, leitor.
Como é comum nas coletâneas de Neil Gaiman, Alerta de Risco se inicia com uma generosa Introdução na qual ele além de nos alertar sobre os riscos envolvidos na leitura a seguir, também nos conta deliciosos detalhes de produção dos contos, que vão desde a motivação inicial, passando pelas influências, e até em quem ou no que ele se inspirou para escrevê-los. Ao todo são 24 textos diferentes, que variam amplamente na forma, extensão, gênero, estilo e voz de modo que a antologia em si constitui uma excelente amostragem da inventividade e da variedade de temas com que Gaiman costuma trabalhar em suas outras obras. Disse ali acima que gosto de ir preparado para novas leituras, mas isso nem sempre é verdade, aqui eu ignorei solenemente os alertas de risco do autor e dei um salto de fé, partindo logo para a leitura dos contos simplesmente por confiar nele e voltei mais tarde para pegar tais detalhes como um extra na Introdução. Aliás há tantos extras na Introdução que você vai até encontrar um conto extra escondido por lá! Mas comentemos logo sobre alguns daqueles que considero como os melhores contos da coletânea:
- "Um labirinto lunar" um homem e um guia escalam uma montanha rumo a um antigo labirinto que servia de ponto de peregrinação e culto de uma cidade do interior numa noite de lua cheia. Este nos fisga pela curiosidade do que vamos encontrar ao chegar lá e é de arrepiar!
- "Detalhes de Cassandra" é sobre um pintor que tinha uma namorada imaginária na adolescência, mas parece que ela não era tão imaginária assim... O desfecho é surpreendente, é mágico, quase lírico, mas ele vale também pela construção alternando passado e presente, adolescência e vida adulta.
- "As profundezas de um mar sem sol" escrita a convite pelo jornal The Guardian para o Dia Mundial da Água traz uma história trágica da perda de um filho na forma de um desabafo materno às margens do Tâmisa poluído numa tarde de chuva torrencial! Fiquei chocado com a carga emocional do desfecho, a frase que encerra o conto ainda ecoa na minha cabeça.
- "Laranja" é a história de uma menina que por dado motivo místico/químico fica laranja e em dado momento... é abduzida por aliens. A criativa história da cor, e da menina que virou cor, nos chega através das resposta dadas por sua irmã a um questionário de interrogatório. Me surpreendi com a forma original escolhida por Gaiman para contar e em como o conto ficou bom desta forma.
- "Um calendário de contos" doze pequenas histórias escritas com base em sugestões criativas dadas por usuários do Twitter em respostas a perguntas de Gaiman. De Janeiro à Dezembro tem de tudo aqui: foi pra rir, chorar, amar e emocionar!
- "Terminações femininas" é uma carta de amor arrepiante escrita por uma estátua para a mulher por quem ela se apaixonara louca e perdidamente. Embora o conto seja bem anterior, há fortes paralelos entre ele e o relacionamento de Gaiman e Amanda Palmer.
- "A volta do magro Duque branco" aqui um duque entediado parte em busca de algo que lhe devolva a capacidade de se importar com o mundo e novos motivos para viver. O conto inspirado numa canção de David Bowie é uma mistura inusitada de conto de fadas com ficção científica que traz algumas belas metáforas sobre a monstruosidade da alma humana e de como o amor conforta a nossa existência.
- "Cão Negro" é um conto inédito e traz Shadow Moon, protagonista de Deuses Americanos, numa excelente aventura solo de volta aos EUA com cães e gatos e emparedamentos sinistros. Trazendo a excelente mistura dos hábitos americanos, do poder da crença em novos e antigos deuses, é o conto que encerra a coletânea e faz jus ao título da mesma sendo talvez o mais pesado, violento e adulto de todo o livro.
Além destes revisitei os já conhecidos “A Verdade é Uma Caverna nas Montanhas Negras”, um conto soturno sobre vingança e busca pela verdade na paisagem sombria e montanhosa da Escócia, que ganhou uma versão ilustrada por Eddie Campbell e “A Bela e a Adormecida”, uma releitura de dois contos de fadas populares dando um papel mais ativo às princesas protagonistas e que também recebeu uma versão ilustrada, por Chris Riddell. Merecem menção também o emocionante "O homem que esqueceu Ray Bradbury", que também possui uma versão em quadrinhos e "Hora Nenhuma" conto comemorativo ambientado no universo da série Doctor Who.
A edição nacional da Intrínseca possui um acabamento gráfico simples, mas muito bem cuidado em todos os aspectos: fonte e espaçamentos confortáveis para a leitura, revisão impecável, tradução com boa fluidez, contos separados por páginas cinzas e sempre começando nas páginas ímpares com uma bela ilustração duma árvores com pássaros decorando o título dos mesmos. Surpreende notar que tantos contos caibam numa edição de apenas 300 páginas.
A variedade de estilos, narradores, personagens, gêneros e temáticas é um ponto positivo do livro, mas também pode ser algo incômodo para alguns leitores. Poesia, contos reflexivos, místicos, mitológicos, cartas de amor e demonstrações de amor em forma de homenagens, drama de amor adolescente e o drama do fim do universo, contos de fada à moda antiga e também com ares de modernidade, sem falar em terror e em ficção científica... há de tudo em Alerta de Risco! Saí satisfeito da leitura da maioria deles, mas não posso dizer que todos sejam marcantes ou impactantes como o título sugere embora nenhum tenda ao banal e tragam em si um pouco das muitas facetas de Gaiman. Talvez o maior mérito dessa antologia seja justamente a sua diversidade de histórias, fruto criativo de uma mente inventiva capaz de nos levar a universos fantásticos com poucas palavras. Alerta de Risco é ideal para intercalar leituras maiores ou para aqueles momentos de pressa do dia a dia em que você não quer abrir mão da magia e de atravessar o limiar da realidade rumo ao desconhecido.

Mestre das Chamas

Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas.
 Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto.
O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus.
Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera.
 Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança.
Título: Mestre das Chamas
Autor (a): Joe Hill
Editora: Editora Arqueiro
Número de páginas: 592


Dramas, suspenses e distopias muitas vezes nos fazem pensar sobre a natureza do ser humano. Mestre das Chamas é um perfeito exemplo disso. Em meu primeiro contato com a obra do escritor Joe Hill, deparo-me com um drama em um cenário de crise mundial, quase pós-apocalíptico, onde uma doença mortal se alastra e pessoas morrem em autocombustão; a esperança é cada vez mais escassa e a ciência parece ineficaz, junto com a doença outra crise se alastra facilmente o desespero. E todos nós sabemos que são nos momentos mais difíceis que conhecemos o melhor e o pior do homem...
No meio de todo esse inferno acompanhamos Harper Grayson, uma enfermeira infantil que tem sua vida virada de cabeça pra baixo quando um fungo apelidado de Escama de Dragão surge misteriosamente se espalhando, infectando milhares de pessoas, e levando-as a casos de combustão espontânea. Por mais que a ciência investigue, nada se sabe sobre a origem do fungo e uma cura parece longe de ser encontrada; contudo algumas pessoas se esforçam para manter a normalidade e ajudar ao próximo, mesmo que ele possa virar um corpo carbonizado ao seu lado segundos depois. É assim, trabalhando para ajudar quem precisa, que Harper é infectada, e como desgraça nunca vem só, descobre que está grávida. O que fazer quando a morte parece certa pra todos infectados? Manter uma gravidez contando com a chance da criança não nascer infectada é uma possibilidade remota, mas será que não valeria a pena? Estaria ela salvando a criança ou condenando-a a ser cozida ainda no útero? Por via das dúvidas, seu marido Jakob - após abandoná-la - decide que a morte era a melhor solução. Não apenas um aborto, mas um romântico suicídio antes que a doença matasse a todos.
Pesado, não? E esse é apenas o inicio da jornada. Harper precisa lutar com unhas e dentes para sobreviver aos nove meses da gestação para dar a seu filho uma chance de viver longe da infecção e não faltarão percalços no caminho como o Homem de Malboro, as patrulhas do governo, os esquadrões de cremação e tantos outros. A enfermeira se vê sem saída, até que com a ajuda da misteriosa figura do Bombeiro - um homem capaz de controlar as chamar - descobre uma colônia, onde pessoas infectadas vivem livremente, com as escamas controladas e teoricamente, sem riscos de entrar em combustão. Mas seria essa uma chance para ter seu filho em paz ou apenas um lugar onde novos problemas irão aparecer?
Cínico, cru e direto, Joe Hill se esforça para mostrar em Mestre das Chamas uma sociedade em ruínas que mesmo com um quê de fantástica consegue ser palpável e crível, não apenas pela riqueza de detalhes e vida empregue em cada referência e citação, mas também pela assustadora verosimilhança com algumas temáticas abordadas. Questões que vão desde relacionamentos abusivos, aborto, discriminação com pessoas infectadas com algumas doenças, comportamento de manada até o discurso de ódio e ondas de violência onde "supremacistas" prazerosamente matam pessoas "pelo bem da sociedade".
O texto da obra, embora detalhado, é de simples leitura e a narrativa é fluida. A linguagem coloquial e crua auxilia a sensação de proximidade - afinal no nosso dia a dia as pessoas usam palavrões - e reforçam o peso das cenas. Hill não poupa detalhes em suas descrições e nem escolhe as palavras pomposas e floreios para contar-nos sua história. Contudo, apesar das qualidades, há momentos em que esse excesso de zelo tornam a leitura cansativa e muitas vezes me fizeram questionar se havia necessidade da história se prolongar tanto.
O já destacado ponto alto da obra - as questões humanas - fica destacado a partir dos personagens que o autor constrói com maestria e das relações entre eles. É fácil gostar e torcer pela forte e determinada enfermeira Harper, pelo garoto mudo Nick e sua irmã adolescente rebelde Allie, e odiar o marido chauvinista Jakob e o Homem de Malboro, bem como outros personagens que aparecem no avançar da história. As situações extremas expõe a chama da esperança entre as cinzas, e também a mesquinha chama que a tudo quer destruir, presentes do ser humano; emocionando e chocando o leitor por diversas vezes.
Mestre das Chamas é um excelente drama, com ótimos personagens, embora desnecessariamente grande e por vezes cansativo. É preciso o leitor estar preparado para esse tipo de leitura, mas feito isso existem muitas boas discussões e reflexões para se absorver, e bela jornada para se acompanhar. Apesar de ter sido o primeiro contato com o autor, o balanço dos pontos positivos e negativos garantem a certeza de que não será o último.


Multiverso X.:24 - O Bruxo: Jogos, Literatura e O Último Desejo






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Recentemente o Capitão Ace Barros fez a leitura dos primeiros livros da série The Witcher ou A Saga do Bruxo Geralt de Rívia e encantou-se com aquele cenário. Consequentemente resolveu que seria bom indicá-lo a outras pessoas. Então convenceu o navegador Airechu, o piloto Julio Barcellos, a imediata Hall-e, e o especialista em realidades simuladas Diogo Fernandes a ajudá-lo nessa empreitada.Ouça e descubra como foi a experiência de cada um de nós; conheça um pouco sobre a famosa série de jogos; entenda a ordem de lançamento e leitura da série de livros; E decida se vale a pena ou não ler O Último Desejo.
Acompanhe-nos, estimado explorador de universos! 

COMENTADOS NESTE EPISÓDIO:

A Saga do Bruxo - Os Livros
Wiki - WikiTheWitcher - Publicação Nacional
O Último Desejo - A Saga do Bruxo Geralt de Rívia: Livro 1
Skoob - Compare & Compre - Loja Recomendada
The Witcher - Os Jogos
Wiki - The Witcher 1 - TW 2: Assassins of Kings - TW 3: Wild Hunt
Cinematics Trailers
The Witcher - TW 2: Assassins of Kings - TW 3: Wild Hunt - Gwent
Podcasts sobre os jogos 
99 Vidas 200: The Witcher 3 - Meia Lua 135: The Witcher 3 - Overkill 65: A Série The Witcher
Podcasts sobre o livro O Último Desejo
Covil de Livros 23 - Caixa de História 50 - O Drone Saltitante 62

DURAÇÃO

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Este Lado do Paraíso



Primeiro romance do autor, Este lado do paraíso retrata uma época - a década de 1920 nos Estados Unidos, de prosperidade e modernização - e também um momento de transição na cultura americana: a passagem do ascetismo religioso focado no trabalho para um momento em que se torna possível gozar sem culpa os bens materiais por ele gerados.
Amory Blaine, o protagonista do livro, é um jovem com aspirações literárias e obcecado por prestígio social. Não tem compromisso com qualquer esteio de ordem moral e promove a celebração de um egoísmo aristocrático que, ao menos até 1929, encontrou nos EUA terreno fértil para se desenvolver.
Este livro integra a coleção Portátil. O design dos livros da coleção foi pensado nos mínimos detalhes para que seja especial e inovador, como nas demais edições da Cosac Naify. As capas, com relevo exclusivo, trazem cores fluorescentes em uma disposição geométrica que varia a cada título. Os livros, em brochura, têm uma encadernação desenvolvida especialmente para garantir maior flexibilidade ao folhear. Todo o volume é impresso em munchen; a textura e cor agradáveis deste papel, aliadas ao tamanho e espaçamento das linhas e das letras garantem uma leitura confortável
Título: Este Lado do Paraíso
Título Original: The Side of Paradise
Coleção: Cosac Naify Portátil #22
Editora: Cosac Naify
Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradução: Carlos Eugênio Marcondes de Moura
Ano: 2013 / Páginas: 416


Confesso que ler Fitzgerald é um dos meus maiores prazeres. Desde que descobri o autor não canso de me encantar com o brilhantismo e a contundência dos seus textos. Por trás de tramas simples, envolvendo pessoas não tão admiráveis pela índole ele nos provoca e inquieta ao expor em palavras o âmago da mais pura vaidade e futilidade e faz isso duma forma tão sutil que quase nem percebemos até ser tarde demais e nos vermos também um pouco espelhados em seus personagens.
Este Lado do Paraíso é o primeiro romance de Fitzgerald, é o livro que lhe abriu as portas para uma carreira de sucesso como escritor e o transformou instantaneamente numa celebridade, o que também possibilitou que ele obtivesse a mão de Zelda Sayre com quem logo se casou.
A trama de Este Lado do Paraíso, cujo título é trecho de uma epígrafe de Rupert Brooke é centrada em Amory Blaine e como é comum em romances de formação acompanhamos a história de vida deste personagem desde a infância até a maturidade, enquanto vivenciamos junto a ele os momentos mais marcantes e significativos de sua biografia. Amory é filho de uma família abastada e recebeu uma educação quase aristocrática da mãe, Beatrice, que o mimava desde sempre. Amory cresceu com a mais plena convicção de seu potencial, de sua importância e relevância e seus maiores anseios eram sempre os de ser notado, de ter seu talento inato e brilho estupendos reconhecidos por todos. Ele era de fato muito bonito, inteligente, extrovertido e rico, o que poderia dar errado?
Na juventude fora admitido em Princeton, uma das mais prestigiadas Universidades do País, mas não bastava simplesmente estar lá, era preciso ser admirado, notado e invejado pelos colegas. Com um faro impecável para os dispositivos de distinção social ele buscou ingressar e ser aceito entre os diversos clubes que compunham o corpo estudantil e tendo aspirações literárias passou a colaborar para uma revista especializada. Também tornou-se um atleta, entrando para o time de futebol americano da Universidade, mas devido a uma lesão teve que se afastar precocemente do esporte. Tudo isso com o único fim de ascender na hierarquia do prestígio.
Amory também apaixonou-se e desiludiu-se várias vezes em sua vida, mas nenhum relacionamento lhe afetou tanto quanto o que viria a ter com Rosalind a quem amava com muita intensidade, mas que o trocou por outro por um motivo egoísta e fútil, ainda que também o amasse verdadeiramente. Este é apenas um, mas há no romance vários momentos de quebra e desconstrução da personalidade egocêntrica de seu protagonista. Fica claro o quanto Amory é alguém perturbado por seus próprios anseios. Toda a sua história de vida é também uma história de renúncia, de perdas e sobretudo de desilusões, consigo, com seu círculo social, com seus amores e com o mundo em si. Vamos da soberba inicial à penúria, do esplendor fútil à sarjeta, testemunhamos o lento desmoronar de um projeto de vida tão bem definido na juventude até a mais completa ruína com o peso do destino.
Amory é um personagem que imediatamente desperta nossa antipatia, mimado desde a infância ele é soberbo, arrogante e egocêntrico. De início não percebemos nada de nobre em sua conduta e pensamentos e esse contato com sua faceta mais mesquinha é também o que nos faz encará-lo com um pouco mais de crítica e seriedade. Ele apenas é o que é e não se envergonha disso, ao contrário, orgulha-se e muito. A nós, seus defeitos são tão evidentes que de certa forma nos vemos refletidos neles, talvez por termos ciência de nossas próprias limitações num rápido exercício de autocrítica. Mas conforme a narrativa avança, criamos um forte laço de intimidade com o personagem, nos afeiçoamos a ele e conforme vemos infortúnios e as desilusões pelas quais ele passa nos sentimos ora vingados e ora aflitos pois Amory alcança sempre bem menos do que almeja em todas as esferas de sua vida, a universidade, a literatura, os relacionamentos, os negócios que herda da família, tudo parece desmoronar e se esvair rapidamente com o tempo e a maturidade lhe chega a duras penas.
Ao comparar o personagem do início com o final percebemos o quanto ele mudou sem entretanto deixar de ser a si mesmo, mas abandonando aos poucos as várias personas com as quais se revestia, os vários personagens que tentou ser com autêntica convicção e não foi. Perceber sua inquietação final ao fazer um balanço de tudo que almejava viver e conquistar e não viveu, e muito pouco conquistou nos comove e entristece. A Amory o único consolo que resta, em suas próprias palavras “medíocre”, é o de se conhecer e isso é tudo.
Estruturalmente o livro se divide em duas grandes partes separadas por um curto Interlúdio que demarca os anos de conflito da Primeira Guerra Mundial. À narrativa romanceada principal somam-se inúmeras outras formas textuais de modo que ela é permeada por trechos de cartas, poemas e até uma peça teatral, forma brilhante na qual é mostrado o encontro de Amory e Rosalind, um dos vários, e talvez o seu grande amor. Em português se encontram disponíveis duas traduções, a de Brenno da Silveira é a mais antiga e atualmente é publicada pelo selo Best Bolso da editora Record e a mais recente, de 2003, é a de Carlos Eugênio Marcondes de Moura para a Cosac Naify. A edição que li é parte da coleção Portátil desta editora e segue o padrão gráfico dos demais títulos. Exceto por um texto ao final sobre a biografia do autor não traz maiores extras.
Assim como outras obras de Fitzgerald, Este Lado do Paraíso também carrega consigo algumas de suas características mais marcantes. A primeira é a forte presença de elementos autobiográficos na trama, Fitzgerald e Amory têm muito em comum tanto em suas histórias de vida quanto nos traços característicos de suas personalidades. O segundo é ser um retrato histórico e social fiel da própria geração do autor, que viveu dias de verdadeira opulência e extravagância num jovem país que já despontava como grande potência econômica no período entre guerras. Ainda hoje ele é considerado como a melhor representação na literatura do sistema de clubes e irmandades das universidades americanas por meio do qual os seus membros buscam galgar prestígio e reconhecimento.
Este Lado do Paraíso essencialmente é um livro sobre aquilo que poderia ter sido e não foi, é o retrato da vaidade de toda uma geração e também reflexo da vida de seu autor. Expectativas irreais, sonhos impossíveis, ilusões vãs e a consequente desilusão consigo e com o mundo lhe dão a tônica numa amplitude de outros temas variados dentro daquele contexto histórico. É um excelente primeiro livro e já trazia em si sinais claros da qualidade literária de Fitzgerald que mais tarde culminaria em diversos contos e romances da dimensão de O Grande Gatsby, sua grande obra prima. Nele partimos duma soberba fantasia juvenil e avançamos rapidamente por cenas sucessivas da típica vida da privilegiada juventude americana do início do século passado até a apoteose dum caso de amor mais sério que transformaria para sempre a índole do jovem Amory. Tudo isso com uma vivacidade narrativa incomum, num texto que não nos poupa da crítica social ao seu tempo e nem do convívio com personagens imaturos e por vezes chatos, mas que exatamente por isso são também tão profundos e interessantes! Vale a leitura!


A Joia da Alma: O novo romance de Tormenta!

A Jambô Editora tem o prazer de anunciar seu mais novo lançamento - A Joia da Alma - e nós temos o prazer de anunciar que o livro é escrito por uma parceira de longa data do Multiverso X.
Escrito por Karen Soarele, este é o primeiro romance com uma história inédita ambientada no mundo de Arton desde a aclamada Trilogia de Tormenta, de Leonel Caldela.
A primeira autora a publicar um romance no mundo de Tormenta (o cenário de RPG mais conhecido e mais jogado do Brasil), Karen nos apresenta Christian, um herói experiente, preste a se aposentar de suas aventuras, mas que por conta de uma sombra de seu passado, tem que atravessar o Reinado atrás de um poderoso artefato, antes que ele caia nas mãos de um grupo concorrente de aventureiros.
Uma história inédita, com personagens complexos e envolventes e uma trama emocionante, imperdível para os fãs, e também para os novos leitores, de Tormenta, o maior cenário nacional de fantasia. confira a sinopse:
Nada pode apagar o passado.
Um aventureiro veterano, Christian está prestes a completar uma última jornada, que lhe permitirá se aposentar em paz. Mas tudo dá errado quando o passado volta para assombrá-lo.
Agora, Christian e seus companheiros, um mago aberrante e uma menina selvagem, terão que cruzar o Reinado de Arton em busca de um poderoso artefato. Mas eles não são os únicos nessa jornada: Verônica e seu grupo se mostram rivais à altura e parecem estar sempre um passo à frente.
Chegou o momento de revirar o passado e abrir antigas feridas. Afinal, fugir de si mesmo é negar os próprios deuses. Não que Christian ligue para isso.
A Joia da Alma é o mais novo romance de Tormenta, o maior universo de fantasia do Brasil. Uma história sobre heróis relutantes, erros do passado e busca pela redenção. E sobre uma ameaça que pode destruir todo o mundo de Arton.
Karen Soarele (Assaí-PR, Brasil, 10 de junho de 1988) é ilustradora, publicitária, empresária e autora de livros infanto-juvenis. Karen é graduada em Publicidade e Propaganda e pós-graduada em Comunicação: linguagens, construção textual e literatura.
Acredita no poder que a leitura tem de enriquecer a cultura, o senso crítico e a vida cotidiana das pessoas. Atualmente, trabalha como ilustradora no estúdio Panda Vermelho e escreve os livros da série Crônicas de Myríade e dos Pergaminhos de Myríade.

Publicações de Karen (com link para as devidas resenhas):

Línguas de Fogo (romance infantojuvenil) – Cubo Mágico Editora
Tempestade de Areia (romance infantojuvenil) – Cubo Mágico Editora
A Rainha da Primavera (romance curto infantojuvenil) – Cubo Mágico Editora
A Canção das Estrelas (romance curto infantojuvenil) – Cubo Mágico Editora
Crônicas de Tormenta vol. 2 (conto – A Última Noite em Lenórienn), Jambô Editora.

Site oficial da autora: http://www.karensoarele.com.br/
Canal no youtube (com Papo de Autor, Papo Pop): https://www.youtube.com/user/kasoares
Página das Crônicas de Myriade: http://www.cronicasdemyriade.com.br/
Wiki das Crônicas de Myríade: http://wiki.cronicasdemyriade.com.br/

A Joia da Alma será lançado na Bienal do Livro do Rio, que começa dia 31 de agosto. No mesmo dia, o livro estará disponível na Nerdz, para quem não puder participar do evento. A autora Karen Soarele estará na book tour de lançamento de A Joia da Alma, passando por Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Campo Grande! Anote as datas e locais:

 Rio de Janeiro
9 de setembro, às 15h, no estande da Jambô na Bienal do Livro do Rio.
 São Paulo
12 de setembro, às 19h, na Geek.etc.br do Conjunto Nacional (Avenida Paulista, 2.073).
 Curitiba
13 de setembro, às 19h, na Nerdz (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 900).
 Porto Alegre
15 de setembro, às 18h, na Nerdz (Rua Sarmento Leite, 627).
 Campo Grande
18 de setembro, às 19h, na Leitura (Shopping Campo Grande).

A Samurai: Primeira Batalha


Titulo: A Samurai - Primeira Batalha
Produtora: Manjericcão Estúdio
Criação: Mylle Silva
Artitas: Mylle Silva, Renata Nolasco, Mary Cagnin, Chairim Arrais, Má Matiazi e Jéssica Lang
Tipo: Literatura/Quadrinho



Michiko está de volta para mais uma aventura, e mais uma vez precisa da sua ajuda. Trata-se de A Samurai: Primeira Batalha um spin-off da história principal da protagonista Michiko, uma moça que treina para se tornar samurai e lutar pelos seus sonhos.
A Samurai é um projeto iniciado por Mylle Silva em 2015, que elaborou o roteiro da HQ e reuniu oito talentosos quadrinistas para ilustrar cada um dos capítulos da história. Após a ótima aceitação do público, Mylle decidiu dar continuidade a história, que já está em fase de produção. Confira a sinopse:

Michiko é uma jovem que foi vendida ainda bebê para o okiya (a casa das gueixas) para ser treinada como uma delas. No entanto, seu maior sonho é encontrar a verdadeira família e, para realizá-lo, ela decide quebrar as regras da sociedade japonesa, estratificada e machista, para tornar-se uma samurai.
Em sua primeira batalha, encontraremos uma Michiko adolescente e inexperiente, que acabou de ingressar para o exército do daimyou (senhor feudal) Toyotomi. E, antes mesmo que ela pudesse refletir sobre como agir, a samurai iniciante é colocada em uma arriscada batalha que trará consequências irreversíveis para a sua vida.

Em 2015, Mylle Silva começou a trabalhar na HQ A Samurai, seu primeiro trabalho como roteirista de HQ. O projeto foi viabilizado através de financiamento coletivo, foi bem recebido pelo público e distribuído para todo o Brasil através de uma parceria com a Tambor Quadrinhos.
A história de Michiko ganhou uma continuação, a HQ A Samurai: Yorimichi, também viabilizada por crowndfunding. O projeto foi idealizado por Mylle Silva, roteirista da HQ. Nessas duas publicações, Mylle trabalhou com o seguinte time de artistas: Vencys Lao, Gustavo Borges, Herbert Berbert, Bianca Pinheiro, Mika Takahashi, Leonardo Maciel, Guilherme Match e Yoshi Itice.
Agora para ajudá-la a executar seu novo projeto ela convidou cinco quadrinistas, todas mulheres, que contarão a história sob o olhar feminino. São elas Renata Nolasco, Mary Cagnin, Chairim Arrais, Má Matiazi e Jéssica Lang. Cada mina desenhará cerca de 10 páginas da história.
Por tratar-se do um spin-off da saga principal da Michiko, A Samurai: Primeira Batalha terá 64 páginas em PB e formato 15cm x 21cm. Para que o projeto seja realizado, deverá atingir a meta inicial de R$9500, valor que cobrirá os custos de impressão, ilustração, recompensas, envios e taxa da plataforma.

Para quem não conhece (ou não acompanha as postagens que fazemos sobre FCs), o funcionamento de um financiamento coletivo é simples: os objetivos são esclarecidos na página da campanha e as recompensas são apresentadas, o apoiador escolhe entre as possibilidades com quanto irá contribuir já sabendo qual será a sua recompensa. Quando a meta não é alcançada o dinheiro é devolvido, e em algumas campanhas quando o valor estipulado é ultrapassado metas extras bonificam aqueles que contribuíram (não necessariamente todos, isso varia de recompensa para recompensa e de campanha para campanha).
Para participar do financiamento de A Samurai: Primeira Batalha, basta escolher um dos pacotes de recompensas disponíveis, com valores entre R$12 e R$ 485, que dão direito a recompensas variadas como agradecimentos, exemplar do volume 1 e 2, marcador, caderno, print A5 até sua marca estampada na capa como patrocinador. Basta escolher o apoio que contemple aquilo que seja do seu interesse e caiba no seu bolso.
A campanha ficará disponível por mais 56 dias no Catarse (a contar de 11/08) e tem entrega de recompensas prevista para Dezembro de 2017. Agora que você já está por dentro de tudo confira a página do projeto no Catarse (https://www.catarse.me/asamurai-primeira-batalha) e descubra mais informações sobre o livro: quais exatamente são as recompensas, detalhes sobre como seu dinheiro será investido, artes, etc.
Apoie, divulgue, e ajude A Samurai a alcançar o seu objetivo!



Valérian e a Cidade dos Mil Planetas







Valérian é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline, por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos.



Valérian e a Cidade dos Mil Planetas
Título Original: Valerian and the City of a Thousand Planets
Lançamento/Duração: 2017 - 142 minutos - Gênero: Ação, Ficção Científica, Aventura
Direção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson
Elenco: Dane DeHaan, Cara Delevingne, Rihanna, Ethan Hawke, Clive Owen

IMDB - FILMOW

Ninguém pode negar que o cinema é uma imensa janela para horizontes distantes. Pode até parecer baboseira começar o texto de tal forma, mas já se deu conta da quantidade de coisas que você descobriu graças ao cinema?  Atores, atrizes, diretores, roteiristas e obras originais em quais os roteiros por vezes são embasadas, são muitos mundos e tempos descobertos. E bem, Valerian tem tudo a ver com isso!
Publicado pela primeira vez em 1967, Valérian, Agente Espaço-Temporal - mais tarde republicado como Valérian e Laureline - é uma obra em quadrinhos Franco-Belga de ficção científica criado por Pierre Christin e desenhada por Jean-Claude Mézières. Mesmo com  50 anos de publicação a série Valérian e Laureline é segue como uma das obras mais influentes mundialmente, tendo mais de 2.500.000 cópias vendidas, e influenciado conceitos, histórias e design de personagens e criaturas em diversas obras como Star Wars e O Quinto Elemento, de Luc Besson, também responsável por essa adaptação que chega aos cinemas.

Na trama do longa, Valérian é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline, em defesa da Terra e seus planetas aliados. Em meio a uma dessas missões os agentes são encaminhados até a Estação Planetária Alpha, lar de dezessete milhões habitantes entre humanos e alienígenas de várias espécies. Lá estando irão se deparar e se envolver com uma questão de enorme perigo que pode destruir toda Alpha. Mas em um lugar onde tudo é estranho, nada é o que parece...
Nem mesmo o próprio projeto de Besson.
Por maior que tenha sido a paixão que o motivou a adaptar a obra em quadrinho de sua juventude, e por mais que o filme tenha uma qualidade técnica visual evidente, Valérian e a Cidade dos Mil Planetas justifica a divisão de opiniões entre a crítica internacional. O filme é divertido e possui diversos acertos, contudo esses pontos estão mesclados ao roteiro simplório e por vezes confuso da trama. A ação é bem executada, e o clima da trama é ágil, mas em diversos momentos tramas episódicas e cíclicas são inseridas na trama, desviando o foco da missão principal. Personagens são unidos e separados mais de uma vez, e a missão principal é fracionada em pequenas missões de resgate pouco relacionadas com o arco central e que poderiam ser retiradas no corte final e não alterariam o resultado final. O mais esquisito é que esses arcos trazem personagens interessantes, como Bubbles interpretado por Rihanna, e que mereciam arcos maiores do que as rápidas participações.
A dupla de protagonistas não convence fácil como os importantes agentes que representam: parte disso se deve a aparência jovem dos atores, parte a atuação ruim dos atores e outra parte a direção e roteiro. Besson não tenta fazer deste um filme de origem, trazendo aqui personagens já estabelecidos dentro daquele cenário, mas Dene Deehan e Cara Delevingne não transmitem muito bem essa experiência sensação. Além deste fato, falta química entre eles. Embora os personagens tenham lapsos de carisma por conta de sua canastrice assumida, a construção afugenta a todo momento nossa proximidade com eles.
Já o universo que compõe background do longa e a maneira como é organizado, são pontos positivos da obra. Tudo aquilo parece fantástico e cativante a ponto de você querer ver mais e mais. Ainda por cima tratando-se daquele que talvez seja o ponto mais forte de Valérian e a Cidade dos Mil Planetas. Os milhões que fazem deste o filme mais caro da história do cinema francês são muito bem empregados em uma das obras mais visualmente belas que já vi.

Ao passo em que deixa a desejar na produção do roteiro, Luc Besson mostra sua marca registrada e seu colorido da ficção científica destacados na construção de mundo da obra, com seus alienígenas, planetas, viagens dimensionais, perseguição de naves, etc. O diretor libera na narrativa visual sua inventividade com jogos de câmera e outros truques estéticos aquilo que falta de complexidade na trama.
Valerian é um espetáculo visual de primeira em meio atuações fracas e roteiro simples. É divertido, arrancou alguns risos com umas piadinhas, a ação é boa, mas o protagonista é tão fraco que Cara (Caramba Cara Caraô) Delevingne consegue ser mais carismática. Mas não no fim das contas ele não é um filme ruim, apenas não empolga tanto quando deveria. É filme bacana que poderia ser melhor! Contudo, fiquei interessado em ver os quadrinhos originais e a novelização do roteiro, para ver o que Valérian tem a oferecer.