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Rat Queens Vol. 1: Pancadaria & Feitiçaria



Elas são um grupo de aventureiras matadoras, beberronas e mercenárias, e seu negócio é trucidar todas as criaturas dos deuses em troca de grana. Conheça Hannah, a elfa maga rockabilly; Violet, a anã guerreira hipster; Dee, a humana clériga ateia; e Betty, a miúça ladra hippie.
Suas aventuras são um épico de estilo moderno, dentro do gênero tradicional de matança violenta de monstros como se Buffy encontrasse Tank Girl em um mundo de RPG Mas pra lá de chapada!
Este álbum de colecionador reúne as edições 1 a 5 de Rat Queens, originalmente publicadas nos Estados Unidos pela Image.


Título: Rat Queens Vol. 1 — Pancadaria & Feitiçaria
Roteiro: Kurtis J. Wiebe / Arte: Roc Upchurch
Tradutor: Gustavo Brauner
Editora: Image Comics / Jambô
Páginas: 128
Acabamento: 18,5 x 27,5 cm, capa dura, colorido

Fugindo do óbvio e convencional, a editora Jambô vem aos poucos expandindo a sua linha de quadrinhos e nos brindado com trabalhos excelentes, tanto de autores nacionais já consagrados da casa, quanto HQs estrangeiras, como ICH dos argentinos Luciano Saracino e Ariel Olivetti e mais recentemente a norte-americana Rat Queens da dupla Kurtis J. Wiebe e Roc Upchurch.
Ambientada num típico universo de fantasia medieval mas com uma proposta e abordagem ligeiramente mais radical, Rat Queens traz como grande diferencial o protagonismo feminino. Na história, Rat Queens é o nome dum grupo de aventureiros e mercenários arquetípico que poderia tranquilamente fazer parte de qualquer outro mundo de fantasia. Temos nele um clérigo curandeiro, um mago elfo, um gnomo/hobbit/halfling ladino e um guerreiro anão, com o porém de que os seus quatro membros são mulheres. Respectivamente Dee, Hanna, Betty e Violet, quatro amigas que não dispensam uma boa briga na taverna após uma noite inteira de bebedeiras!
Elas residem na cidade de Paliçada, e devido ao seu comportamento e à crescente insatisfação da população local com o mesmo, recebem uma missão do capitão da guarda da cidade, juntamente com outros grupos de mercenários a fim de mantê-los todos ocupados e afastados, pelo menos por algum tempo. Durante a missão as Rat Queens são emboscadas e descobrem que foram vítimas de uma armadilha para matá-las. O que era para ser uma missão simples a princípio, afugentar alguns míseros orcs, se mostra parte de uma ameaça muito maior e caberá a elas descobrir quem está por trás deste plano.
Na trama que vai muito além da pancadaria e feitiçaria, as personagens tem a sua individualidade e personalidades trabalhadas e exploradas no roteiro ágil e divertidíssimo de Kurtis J. Wiebe. Cada uma delas possui seus próprios conflitos e dilemas alternados com uma linguagem solta, com direito a um vasto repertório de palavrões. Alguns dos esterótipos típicos dos grupos e raças de fantasia estão presentes mas apresentam subversões criativas, tais como uma clériga ateia e uma anã que detesta cerveja, mas as Rat Queens estão longe de ser uma simples versão feminina de personagens masculinos famosos. Suas personalidades e passado tem mais nuances do que pode captamos a princípio e o roteirista se vale disto para abordar no subtexto da HQ temas como o uso recreativo de drogas, a liberdade sexual e religiosa e claro, o papel feminino na sociedade.
A arte é outro ponto forte em Rat Queens! Roc Upchurch dá vida a tudo isto com traços agressivos e dinâmicos com muita autenticidade que não poupam o leitor de brutalidade e vísceras expostas. O design adotado para as protagonistas reflete a variedade tanto das raças de fantasia às quais pertencem quanto as suas próprias personalidades. Não há os excessos tão comuns em outras heroínas como os trajes sumários, as curvas irreais e as poses extravagantemente sexualizadas. As cenas de luta empolgam e sobram momentos do mais puro e simples badass!

Com tradução de Gustavo Brauner, que no que creio ser uma licença poética fez Betty citar o radialista Silvio Luiz, a edição nacional possui acabamento de luxo, com capa-dura e papel couche de alta qualidade. Não notei erros de revisão ou diagramação mas senti falta de extras. A edição traz apenas as capas das edições originais de banca da Image entre os capítulos e pin-ups de apresentação das personagens no início.
Aqueles que confundem Rat Queens com uma tentativa oportunista de angariar leitores pelo seu forte tom feminista muito provavelmente vão perder uma excelente série, que ao contrário, tem tudo para agradar aos amantes da verdadeira fantasia, independentemente do gênero.